SURTOS DA QUARENTENA

Imagem, Britney em 2007, via Google.

Se tu ainda não viu ou, até mesmo, cometeu algum dos surtos causados pela quarentena, aguarde. Ninguém está a salvo de se ser o mais novo “surtado do isolamento social”. Nesse perído delicado em que vivemos sem poder arejar e viver um pouco do mundo fora de casa, ou vivemos com acesso limitado, nossas opções de entretenimento são escassas e cansativas e repentinamente podemos deixar de procurar notícias e sermos a própria notícia, ao menos de um grupo de whatsapp feito por amigos que deixaram a gente de fora porque nos tornamos um “surtado da quarentena”.

Raspar a cabeça já é uma das atividades que mais vi acontecer na minha timeline em meio a pandemia. Cabelo grande incomoda e geral fica frustrada de não poder ir até um profissional pra dar continuidade ao corte antigo ou mudar o visual com a devida orientação. Qual a solução mais prática para uma mudança e acabar com o cabelo enorme que tá agoniando? Isso mesmo, fazer a Britneyde em 2007 e raspar tudo.

Virar tiktoker. A quantidade enorme de gente nesse mundão vasto de internautas que, depois de começar a quarentena, começou a fazer dancinha, dublar e replicar os mais diversos desafios do tiktok é assustadora. O que parecia ser uma febre adolescente até fevereiro, ganhou espaço nos smartphones e repost em todas as redes sociais do povo maior de trinta. Mas não acho que seja “close errado” não. É só não esquecer de conferir se tá realmente bom dentro da proposta da brincadeira e tá legal.

Fazer o masterchef. Acho que de todos os possíveis surtos da vida de isolado social, o melhor deles é fazer o cozinheiro maluco e sair testando novos pratos. Acho mais legal ainda aqueles que o fazem e compartilham tudo, com direito a receitinha e feedbcack se deu certo ou deu ruim. Embora eu não seja desse time por total falta de capacidade, acho eles o que há de melhor pois aprendemos com eles. Ponto negativo? Ganhar uns quilos a mais, talvez. Mas sempre fui partidário do “você só vive uma vez”.

Os “fiscais da vida alheia” também são outro perfil interessante de gente que não pode ver fulano postando que fez A ou B que vai correndo pro grupo de whatsapp comentar despretenciosamente o que tal fulano estava fazendo. Atentemos que dentro desse grupo sempre tem aquela pessoa super sensata que critica galera que tá viajando ou dando rolê em meio a pandemia e dias depois… Isso mesmo, ela está lá em suas redes sociais postando os melhores momentos de seu passeio ou sua viagenzinha. Afinal o certo é “faça o digo e não o que eu faço”, não é mesmo?!

No fim das contas, cada um sabe de sua vida e de seus surtos. Não há nada demais em “sair da casinha”, como dizem. O que importa nesse momento é o questionamento “me faz bem e não agride ao próximo?”. Se a resposta for SIM, então, também como dizem: “só Deus pode me julgar”. Daí, vai ser feliz sendo um surtado da quarentena e “beijinho no ombro”.

DIA MUNDIAL DE COMBATER A LGBTFOBIA, JUNTOS!

Foto via Freepik

Nem todos sabem, mas dia 17 de maio é o Dia Mundial do Combate a LGBTfobia. É uma data para celebrar nossas diferenças e trazermos para a discussão o preconceito contra esta minoria, contra a nossa minoria. Hoje é um dia marcado históricamente para promover a luta pela causa LGBT e levantar debates e discussões sobre preconceito e crimes de ódio contra os nossos.

A data é referência simbólica da luta pelos direitos de nossa comunidade, uma vez que coincide com o dia em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) deixou de considerar a homossexualidade como doença. “A gente comemora o ganho do reconhecimento, mas isso ainda tem que ser apropriado por todos os aparelhos da sociedade para entenderem que a transexualidade, a travestilidade e a homossexualidade não são doenças, mas parte do comportamento humano; é preciso compreender que não é uma opção”, diz Tathiane Aquino de Araújo, presidenta da Rede Nacional de Pessoas Trans (Rede Trans Brasil).

Hoje, em todo o país, acontecem diversas lives (por motivos de isolamento social) promovidas em redes sociais LGBTs e institucionais, com a finalidade promover o orgulho LGBTQIA+ e difundir nossa luta contra preconceito e crimes de ódio contra os nossos. Eventos musicais oline e também debates são promovidos para legitimizar a causa e fazer da data um marco nas redes sociais.

No Ceará, a data é o marco para Semana Janaína Dutra de Promoção do Respeito à Diversidade Sexual e de Gênero, instituída pela lei 16481/17. O estabelecimento desta semana visa divulgar a legislação de combate à Homofobia, Transfobia, Bifobia e Lesbofobia – LGBTfobia, promover o respeito à diversidade sexual e de Gênero, estimular reflexões sobre estratégias de prevenção e combate à LGBTfobia e sobre os tipos de violência contra a população LGBT, como a moral, psicológica e física. É visado também conscientizar a comunidade acerca da importância do respeito aos direitos humanos e sobre os direitos da população LGBT e divulgar os canais institucionais e de denúncias por telefone e apresentar os equipamentos de denúncias e acolhimento no âmbito do Estado do Ceará.

É inegável que esta data é de extrema necessidade e será para sempre. Mas o problema é que não temos nada a “celebrar”, como alguns eventos sugerem. Pois, mesmo com uma porção de direitos adquiridos, o Brasil segue como o país que mais mata LGBTs no mundo. Sim, nem em países onde ser LGBT é crime os índices de morte são tão altos quanto os nossos. Sendo assim, a data é de extrema importância para nossa visibilidade e para que mais gente se volte para a causa, fortalecendo nossos elos contra a barbaridade que é a LGBTfobia. E tu, já divulgaste a causa LGBTQIA+ hoje?

“DIARIE-SE”

Diário de Dawn Powell (datado de 1950). Fotografado em New York, 2012.

“Meu querido diário…” foi assim que tudo começou. Não, pera, eu nunca usei essa frase no início de minhas anotações em meus diários, que foi onde minha paixão por escrever começou. Só queria deixar esta crônica mais expressiva mesmo. Se bem que, a inspiração para ter diários veio dessa frase.

A frase “meu querido diário”, seguida de relatos sobre um dos dias na vida de uma personagem infantil era como começava um quadro do programa Pandorga, da TVE. Depois de assistir algumas várias vezes naquele programa o tal quadro onde uma boneca que escrevia em seu diário, me inspirei e peguei um caderno (com poucas folhas) já sem uso e disse pra minha mãe que faria dele um diário. Eu tinha apenas sete anos quando fiz isso e hoje não faço ideia do que eu registrei naquele caderninho.

Parei com o caderninho pouco tempo depois. Somente anos mais tarde, na adolescência, retomei o hábito. Dessa vez, creio eu, mais por necessidade do que qualquer outra coisa. Eu precisava “organizar” os altos e baixos da adolescência em minha cabeça. Escrevendo e relendo eu me encontrava comigo mesmo, fazia autoanálise sem ao menos saber o que era isso. Sempre me fez muito bem o hábito de escrever e, da adolecsência para cá, isso ganhou muita força e espaço em minha vida.

Claro que houveram períodos menos férteis na escrita de diários. Não apenas por não ter uma vida muito agitada, mas também por não me sentir capaz de registrar tudo o que sentia. Mas nesses tempos menos produtivos eu passei a anotar sobre minhas leituras. Sempre fui ddo tipo que lê bastante e já pesseei por diversos gêneros e autores. De Paulo Coelho a Eça de Queiroz, de autoajuda a literatura LGBT. Já flertei com os mais variados livros e, na maior parte das vezes, registrando tudo em caderninhos ou diários.

Hoje em dia uso meus “caderninhos” cada vez menos. Quando quero escrever sobre um livro recém lido, compartilho direto a experiênica em meu instagram, o que acho muito legal pois compartilho com outras pessoas uma possível dica de leitura. Geralmente apelo para os cadernos quando sem bateria no smartphone, quando escrevo algum poema (algo que faço de maneira risivél, mas me arrisco) ou ao criar planejamentos publicitários para clientes e escaletas para freelas. Mas ainda assim, analisando bem, o papel e a caneta jamais deixaram de fazer parte de minha vida e me sinto muito old school escrevendo sobre isso.

Se tivesse que dar uma única dica para quem quer começar a escrever, essa seria: diarie-se. Ou seja, comece pela autoescrita, escreva sobre você mesmo ou sobre livros que lê. Eu mesmo, usei trechos de diários para escrever boa parte de meu primeiro livro, Todo Amor Que Nunca Te Dei. Ah, e leia muito, pois só um bom leitor tem boa capacidade de raciocínio para ser um bom escritor e tanto ler quanto escrever são hábitos diários e que se aprimoram com o tempo. Ops, acho que acabei dando duas dicas, mas já tá valendo.

UMA FUGIDINHA BÁSICA

Imagem via Google

Quem nunca quis ser outra pessoa que atire a primeira pedra. Ser aquela pessoa que a gente segue no instagram e vive viajando, ser aquela amiga que é mais estilosa ou inteligente, ser aquele cara que é bom de papo e sempre consegue tudo que quer, há uma infinidade se pessoas as quais eu já “pensei em ser”. Assim, sem maldade ou cobiça pelo lugar do amiguinho, apenas saber como é ser “tal pessoa”. Dar uma “fugidinha básica” de si. Quem nunca?

Como escritor, a gente tem o privilégio de, por meio de nossa criatividade e através da construção de personagens para nossas narrativas, poder sair de nossa própria mente e encarar a mente da “criatura” a qual estamos lutando em tornar real aos olhos do leitor. Estou encarando isso nos últimos dias, enquanto escrevo minha primeira ficção e tem sido, no mínimo, diferente. Dar vida a um personagem é desafiador.

Mas acontece que esse escape que sinto não me basta. Pois, no final do dia eu sou apenas aquele cara que escreve uma ficção e coloca um personagem no papel. Não sou alguém que sai de sí, mesmo, e vive a realidade da sonhada fuga de ser quem se é. Apenas apresento minha visão do “fulaninho”, ao qual criei um perfil, e minha criatividade fez com que ganhasse vida, ou não (vai saber), através da escrita.

Queria ir um pouco mais além. Queria, às vezes, ser um ator. O ator tem a experiência incrível de sair da própria pele e deixar de ser ele mesmo por alguns instantes e tem dias que isso seria um presente do Universo. O ator trabalha meses, ou até mesmo anos, assumindo outra personalidade, outras características físicas e, às vezes, até outro sexo.

Talvez eu venha a me render ao hábito de, no final do dia, me tornar um gamer. Sim, os jogadores de vídeo game também encarnam um personagem fictício e ficam por horas com sua mente trabalhando em ser este avatar e executar as funções necessárias para concluir as tarefas que os farão terminar o jogo. Perfeito, é isso que vou fazer. Mas, pensando bem, além de não ter vídeo game, nunca tive saco pra passar mais de cinco minutos encarando um jogo. Pois bem, minha vida de gamer, assim como minha “fugidinha básica”  de mim, já era. Game over.

NEWS DE UMA SEMANA A MIL

Nem acredito que o fim de semana finalmente chegou. Até pouco tempo eu ansiava pela segunda-feira. Esta que se passou nessa semana, dia quatro de maio. Esse é um dia que ficará marcado para sempre na minha carreira como o dia da pré-venda de meu primero livro, Todo Amor Que Nunca Te Dei. E essa primeira semana ficará marcada como uma das mais intensas e cheias de notificações de smartphone da vida. Vou compartilhar aqui um pouco do tudo que rolou de segunda à sexta.

FINALMENTE “TODO AMOR QUE NUNCA TE DEI

Meia-noite e três de 04/05 já estava no ar minha primeira divulgação oficial sobre a pré-venda de meu primeiro livro, Todo Amor Que Nunca Te Dei. É, sem via de dúvidas, o momento mais especial, e fundamental, creio, eu, da minha carreira. É um divisor de águas. Não só por ser meu primeiro livro, mas por etar compartilhando nele algo 110% real. Fui o mais honesto e transparente que pude nas páginas desta obra que relata onze anos frustrados de um relacionamento de amor unilateral, onde amei sozinho uma pessoa não resolvida com sua sexualidade e que, por saber que minha tinha a hora que quisesse, fez de mim um prisioneiro “sentimental”. Espero, de verdade, que gostem desta experiência compartilhada que pode ser adquirida no link abaixo:

editoraflyve.com/todo-amor-que-nunca-te-dei

PLAYLIST “TODO AMOR QUE NUNCA TE DEI”

Para embalar a leitura do livro, preparei uma playlist com músicas citadas ao longo da narrativa, somadas a músicas que foram importante durante o período em que os fatos descritos ocorreram e músicas que fazem sentido com o que consta nas páginas. Muito mais do que uma playlist, fiz um apanhado de experiências resumidas em seleção de música, que, embora de ritmos que não se conectam, dialogam entre si para enriquecer os altos e baixos da história.

GAY BLOG BR

Arte by gay blog br

O primeiro veículo de notícias que reportou o lançamento de Todo Amor Que Nunca Te Dei foi o Gay Blog Br, do queridíssimo Vinicius Yamada. O site traz uma matéria super bem redigida, repleta te trechos do livro, com link pra compra e um pouco sobre este escritor que tanto vos escreve. Fica a dica de leitura no link abaixo:

gay.blog.br/cultura/literatura/pre-venda-do-livro-todo-amor-que-nunca-te-dei-comeca-nesta-semana/

SITE ALGUÉM AVISA

O portal de notícias com pauta LGBTQIA+ daqui do Rio Grande do Sul, Alguém Avisa, fez um post super completo com minha trajetória profissional. A matéria conta tudo desde primórdios do blog Monologay (em 2009), até o lançamento do meu primeiro livro, incluindo link pra adquiri-lo. Vale o clique no link abaixo:

alguemavisa.com.br/2020/05/06/escritor-gaucho-lanca-o-romance-todo-amor-que-eu-nunca-te-dei

PODCAST SOBRE REJEIÇÃO

O podcast Alô Terráqueo, meu excelentíssimo namorado, Alef Leal, e que tenho participado toda semana por motivos de quarentena, esta semana traz um episódio sobre rejeição. No episódio “Ai Gabi, só quem viveu sabe”, aproveitei o tema para contar um pouco sobre livro. Mas o episódio está repleto de outros pontos relevantes quanto ao tema. Clica pra ouvir que tá ótimo.

ERIC ENTREVISTA

Meu amigo de longa data, Eric Batista, me entrevistou para um novo quadro de seu canal no youtube, o ERIC ENTREVISTA. Falei sobre o livro, sobre o início da carreira, literatura e representatividade LGBTQIA+ e novos projetos. Tá super legal, assite aí.

Este é meu resumão da semana. Espero que a próxima semana seja tão cheia de boas novas quanto esta. Abraços a todos e ótimo final de semana.

TALVEZ CRÔNICA, TALVEZ ATAQUE DE PÂNICO

Imagem via Google

Acordei, mas parecia que não havia acordado e vivia um sonho. Sonho não, pesadelo. Foi aquele sentimento de susto original de um sonho, que eu não consigo lembrar qual, que me fez despertar. Assustado fui invadido pela sensação de pânico, de que o pior estava por vir. E estava mesmo. Em segundos parecia que haviam enfiado um saco plastico na minha cabeça, não que eu tenha certeza de que essa é a sensação de asfixia tal qual senti, pois na real nunca alguém colocou um saco plástico na minha cabeça. Mas o ponto é que, estava sem ar.

“Respira, não pira” me veio a cabeça. Mas a frase clichê só me fez ter ainda mais desespero. Afinal, como respirar quando o ar apenas não vem? Levantei-me bruscamente da cama. Não sentia que ficar deitado, quase que em posição de defunto, me ajudaria muita coisa quando eu sentia estar morrendo. Vesti um casaco próximo a cama, movido pelo frio que recordo sentir. Mas quem em meio a “sei-lá-o-que-eu-estava-passando” lembra de se agasalhar e desfoca por um segundo do falecimento que parecia cada vez mais próximo?

Rumei ao banheiro. Aquela coisa que todo mundo diz de jogar água na cara para dar aquela acordada podia ser uma boa solução. Uma conchada com a mão cheia de água na cara, duas conchadas, três… Nada. Sentia a água, mas o ar que me faltava não voltava.

Comecei a pensar no pior. Sim, porque quando estamos mal, o pior parece ser o único fim, mesmo para mim, um eterno otimista. Pude ver toda aquela cena triste: meu namorado me encontrando caído no chão do banheiro, depois ele ligando aos prantos para minha família. Visualizei, na sequência, toda dramatização da despedida: minha irmã e minhas primas chorando muito, minha vó (provavelmente desmaiada) sendo consolada pela minha mãe (visivelmente arrasada, mas forte como sempre é em situações extremas) e meus amigos mais íntimos se apróximando do caixão para a inevitável última vez em que me veriam.

Repentinamente pensei: eu não posso terminar assim. Ainda tenho um livro para terminar de escrever e dois temas engavetados para futuros livros, sem contar o livro que engavetei pronto em 2017 e que agora ganhará vida nova com design do meu namorado. Eu não vou terminar assim. Fui até o chuveiro, abri com pressa o registro e apenas aguardei a água cair em meu corpo, que já estava todo debaixo do “aparelhinho” aguardando as gotas caírem e causar o susto que, possivelmente me traria de volta o ar.

Quando dei por mim estava dando um suspiro profundo, forte e talvez o melhor que já senti em toda minha vida. Mas não estava molhado pela água do chuveiro e tão pouco estava no box do banheiro. Estava deitado, com a mão direita no peito e respirando aliviado (aqui viado, lá viado, em todo lugar viado, tá parei) por tudo ter sido um pesadelo que, possivelmente, nasceu da pressão/desespero com a pré-venda de meu primeiro livro. E minha primeira e única crise de pânico era, talvez, uma mensagem do meu subconsciente para relaxar porque tudo passa e vai tudo ficar bem. Afinal, toda e qualquer crise é apenas um momento e todo momento é passageiro.

TODO AMOR QUE AGORA COMPARTILHAREI

Não acredito que um artista se compare a uma mãe, e sua sensação de colocar ao mundo um filho, quando este gera uma criação e a compartilha, como alguns dizem. Não creio que o milagre do nascimento possa ser comparado com o que quer que seja, pois é grandioso demais. Mas, também, não acredito que se deva desmerecer o quão conectado com a divindade está aquele que põe pra fora sua arte após gerá-la.

A reflexão acerca da dádiva da criação vem acompanhada de medo, borboletas no estômago e com receios de um possível fracasso. Mas, também, vem acompanhado de algo muito maior: o orgulho de ter feito de um trauma uma obra de arte.

Embora, para alguns, minha narrativa, que vem de relatos somados a diários que tornaram-se meu primeiro livro, “Todo Amor Que Nunca Te Dei”, seja passível de questionamento quanto a seu teor literário, sei que o que criei é arte. Usei da linguagem para expressar meu inferno pessoal vivido em onze anos de relação com alguém sexualmente mal resolvido. Fiz das palavras minha âncora para desafundar do que por muito tempo me soterrou.

Eu sabia que, cedo ou tarde, eu teria um livro publicado. O sonho não é de hoje. Em 2009, quando iniciei a primeira versão deste blog, já almejava tornar meu “amontoado” de pensamentos em forma de posts, que descobri serem crônicas, um livro, físico ou digital. Mas jamais imaginei que antes disso acontecer teria um livro ainda mais confessional do que o material que já produzia através das publicações de crônicas.

Ter meu primeiro livro saindo às 00:01 dessa segunda-feira para pré-venda pela Editora FLYVE é muito mais do que o realizar de um sonho de sentir-me realmente um escritor por ter uma obra impressa. É um verdadeiro exorcismo compartilhado com quem aceitar recebê-lo, dado o caráter confessional que o livro imprime.

Me realizo duplamente com este lançamento. Me liberto de anos de dor, compartilhando e me desnudando de um passado um tanto quanto assombroso e me vejo, finalmente, como alguém que alcançou uma meta traçada há anos e agora está pronto para compartilhar sua primeira obra literária com todos. Além de meu primeiro livro, quem adquirir “Todo Amor Que Nunca Te Dei” estará adquirindo uma reflexão sobre recuperar o amor próprio e sobre saber retirar-se quando não se é mais servido.

Abaixo deixo o link do site da editora para que possas adquirir o teu, que tem mais de 35% (menos 18 reais do valor total) de desconto nesse primeiro mês:

https://www.editoraflyve.com/todo-amor-que-nunca-te-dei

O AUTODESAFIO

Imagem via Google.

Tudo começa com um desejo básico: ser melhor. Seja um amigo melhor, um namorado melhor, um dono de casa melhor, um fillho, um profissional, um quarentenado, o que quer que seja melhor nasce no desejo. Depois começa o autodesafio.

Melhorar não é algo que acontece do dia pra noite. Aprimorar-se exige tempo, dedicação e, até mesmo, paciência. Paciência, sim, pois temos de entender nosso próprio ritmo.

Algo muito comum nesse processo, e um ato falho, é comparar-se. Fulano conseguiu mudar de vida e hoje tem a profissão dos sonhos e tudo isso aconteceu em menos de seis meses. Fulaninha tá com um corpo invejável, em apenas quatro meses ela está quase igual a Barbie. Beltrano conseguiu sair da depressão e agora parece estar em um relacionamento maravilhoso. Essas são apenas algumas das comparações que é comum ouvir no processo de autodesafio de melhora de vida.

No que elas acresentam algo em nossa vida? Possivelmente em nada. Em alguns casos elas até podem servir de impulso pra que nos dediquemos mais, mas temos de relembrar que cada um tem um ritmo. Em outros casos elas geram desespero por provocar a necessidade de fazer sua vida acontecer tão rápido quanto o outro o fez.

Autodesafiar-se implica em buscar formas de melhorar no sentido proposto a fazê-lo. Se quero ser um filho melhor, devo dar mais carinho e atenção aos meus pais ou, talvez, buscar ser mais empático nos momentos conflituosos de discussão, que toda família tem. Se quero ser um profissional melhor, preciso me dedicar a me atualizar em minha área e buscar o possível “algo a mais” que me faça destacar-me em meu mercado. Se me proponho a ser um namorado melhor, devo atender às necessidades do meu relacionamento, como não focar apenas nos defeitos, reservar mais tempo pra quem amo, fazer pequenas surpresas que mudem o dia a dia de casal e assim por diante.

Encarar o autodesafio para uma mudança exige um bocado de qualquer um. Mas nada é inalcançável se temos foco e boa vontade. Uma mente aberta pode ser chave para abrir portas nos relacionamentos e em oportunidades jamais imaginadas antes. A chave do progresso é a repetição de tentativas. Ninguém tem êxito de primeira, mas com dedicação a gente chega lá. E se acreditarmos nisso, já é meio caminho andado pro sucesso.

O VALOR DA PERDA

Imagem via Google

Há alguns dias, semana passada, perdemos dois grandes nomes da cultura nacional, Moraes Moreira e Rubem Fonseca. O primeiro, músico, marcou, e ainda marca, a vida de todos os apreciadores de MPB com sua banda, os Novos Baianos. O segundo foi escritor multipremiado por algumas de suas obras como Agosto e O Seminarista. O que ambos têm em comum? Deixam um legado na história cultural brasileira. Mais do que isso, movimentam, agora que nos deixaram, mais pessoas a conhecer e consumir suas obras.

Não é nova a máxima “só se valoriza depois da perda”, assim é para tantas coisas na vida. Emprego, relacionamento, parente, amigo, tudo pode estar lá, “parado” e estamos bem se lembrarmos que o temos e podemos seguir nossas vidas. Mas, no momento em que nos vimos sem um “bem”, somos afetados de tal maneira que, na maior parte dos casos, nossa primeira reação é valorizar tudo que foi vivido enquanto aquilo ainda nos pertencia.

Não, isso não é condenável, é humano. Não posso simplesmente dizer que viver esse luto alimentando a preciosidade do quanto nos foi especial em vida é um erro. Alías, creio eu, é muito bonito e saudável que revisitemos o melhor e somente isso daquilo que ou de quem se foi. Deixemos para trás toda mágoa ou sentimento ruim e tenhamos uma visão voltada para o quanto aquela experiência nos enriqueceu.

Quem me conhece sabe bem que minha escritora favorita, e maior inspiração, é a saudosa Fernanda Young. Quando, em 25 de agosto de 2019, Fernanda Young nos deixou, dois dias após ter me dado a alegria de me seguir no instagram, muita gente relembrou quem ela é (sim, no presente pois ela sempre será). Consequentemente muita gente passou a querer mais de sua vasta obra literária. Eu mesmo, busquei muito mais assistir as séries as quais ela foi roteirista. Até me assustei com um livro que comprei por R$ 59,90, no mês de lançamento, que passou a custar R$ 249,40. Esse aumento de procura me chateou? Não, como fã eu gosto muito que mais gente queira ler o que leio e admiro. O único ponto triste foi Fernanda receber seu primeiro prêmio literário, o Prêmio Jabuti de Crônica, apenas após sua partida. Nos provando que só se valoriza após a perda. A artista levou com ela a tristeza de, mesmo com muitos livros públicados em mais de vinte anos de carreira, nunca ter sido reconhecida pelo alto escalão da literatura, dor que ela já havia citado em algumas entrevistas.

O que deve ser refletido em momentos como este, observando atentamente, é que devemos valorizar tudo que nos é precioso enquanto podemos. Se tu curtes um artista (músico, escritor, banda, ator) compartilhe seu conteúdo, comente em seus posts, principalmente se for alguém do meio independente. Não deixe pra depois, também, valorizar teu trabalho e dar teu melhor todos os dias para que tenhas destaque. Em meio a esse caos todo, nunca se sabe quando o fim chega. Aquele amigo que tu adoras, mas nunca tinha tempo para conversar decentemente pode ser chamado em vídeo ou áudio nesse período de isolamento. E, principalmente, se tens pais e avós vivos, lembre-os com mais frequência de seu valor e o quanto os ama.

A vida é curta e estamos todos ocupados correndo atrás de pôr nossa vida em ordem, eu sei. Mas aquele comentário na foto de alguém com palavras positivas e motivadoras, o “algo a mais” no trabalho, a chamada de vídeo finalizada com “te cuida, fica em casa, eu te amo” ou qualquer ato que tu possas ter, que saibas que valoriza algo ou alguém, não deve ser deixado para amanhã. “Porque se você parar pra pensar, na verdade não há…” já cantava o poeta.

VIVA A RESSURREIÇÃO

Imagem via Google

Hoje, domingo de Páscoa, feriado tradicionalmente cristão, algo que não sou, a maior parte da população celebra o renascimento de Cristo. Isso só me lembra uma coisa que aprendi com os ensinamentos cristãos que me foram passados na minha infância: todos renascemos inúmeras vezes ao longo da vida.

Renascimentos se dão diariamente e após períodos específicos da vida, isso nos torna mais fortes e sábios, Se tu venceste uma doença difícil, tu renasceste. Se tiveste um período de crise financeira e saiu dessa, pois é, amigo, tu nasceste novamente. Se tiveste problemas com depressão, ou ainda tens e luta contra isso, tu renasceste e renasces todos os dias ao acordar e manter-se firme e forte. Se tu és uma mãe solo e luta pela sobrevivência de tua família, tu, além de uma guerreira, és uma pessoa que renasce a cada sacrifício. Se tu és negro e sofre na pele o racismo que o Brasil carrega de quatrocentos anos de escravidão, tu sempre serás uma fênix, de tanto que renasces. Se tu és LGBTQIA+, em nosso país, que é o de maior índice de mortandade por crimes de LGBTfobia, tu renasces toda vez que chegas com vida em casa, seja grato.

Ao longo de uma vida a gente enfrenta tanta coisa. É tanto cair e levantar, tanta apunhalada da vida, que nos faz sangrar e definhar, por vezes por dias, pra sofrermos com a morte de quem éramos e nos tornarmos uma versão melhor e superior disso. Isso nos torna seres que morrem e renascem quantas vezes necessárias em uma mesma existência.

Que a data de hoje sirva pra nos lembrar disso. Lembremos que somos altamente capazes de superar nossas mortes nos tombos, falhas, fracassos e lições da vida. E que encaremos cada desafio superado como um renascimento. Afinal, cada um sabe a cruz que carrega por ser quem se é.

Lembremos também que, embora estejamos vivendo um período de introspeção, onde nos isolamos socialmente e nos afastamos de quem amamos por um motivo nobre, de mantermos nossos corpos saudáveis e vivos, ao término disso todos renasceremos com os aprendizados deste período. Enfim, que viva o renascimento de cada um de nós, toda a vez que a vida nos cobrar morrer e renascer.