TEM DIAS QUE A GENTE TRANSBORDA

Gratidão 💟

Esta terça-feira foi um dia diferente, muito além de qualquer outro dia ou expectativa criada para um dia que já começa com o selo de dia comum, a terça-feira. Mas a vida é um clichezão, ou seja, uma bela caixinha de surpresas.

Comecei meu dia com saudade de amigos, família, vó, mãe, irmãos, primas, tudo e todos pareciam vir em minha memória fazendo parte de uma leve pontada de tristeza que me deixou de mau humor. O clima frio e chuvoso também não ajuda muito a gente a olhar as coisas pelo lado positivo de que estou em isolamento. Posso me dar ao luxo de estar em isolamento. Além disso, estou ao lado de um homem que amo e me ama. Enfim, sou privilegiado, sei disso, porém isso não me isenta de momenos de tristeza ou dor.

Então, me permiti olhar pra minha tristeza com carinho. Me permiti apenas viver meu dia ruim. Escrevi um pouco logo após o almoço. Escrevi num caderninho, que tenho sem pretensões de publicar os textos ali registrados (meu caderno de escrito terapia), aquilo que me incomodava, meu descontentamento comigo mesmo por me sentir mal. Em instantes lotei uma folha e me resolvi um pouco com meus sentimentos. Foi libertador, como a escrita me é desde a adolescência.

Pouco depois peguei no sono. Um sono leve, que não durou muito. Após acordar, segui meu dia. Me senti menos pior, porém ainda sentia o dia arrastado e a sensação de que não era meu melhor momento e isso era tudo. Tudo que eu tinha e que eu podia ter até então.

Algumas horas se passaram com algumas distrações. Páginas de livros, vídeos no youtube, café, sanduíche, nada que buscasse me trazer uma nova emoção. Já estava entregue a esse dia sem surpresas. Mas a vida tem dessas de fazer o mundo girar e nossa energia mudar com uma boa nova. Então, no instagram, fui marcado numa foto nova da editora Flyve, responsável pela publicação de meu 1° livro, Todo Amor Que Nunca Te Dei. Essa foto fez toda diferença em minha vida e o que ela comunicou faz toda a diferença em minha carreira.

Em uma arte simples temos a capa de meu livro e uma faixa vermelha com o comunicado que diz que o livro digital ultrapassou 1500 downloads na Amazon. Mil e quinhentos é um número muito significativo para um novo autor. Nosso país é um país de poucos leitores. Um livro com boa tiragem inicial tem de três a cinco mil cópias. Ter alcançado esse número e ver meu livro na trigésima posição da categoria Romance Gay, foi além de toda e qualquer expectativa.

Transbordei. Transbordei realização. Transbordei a alegria de ver bons frutos de minha dedicação como escritor e produtor de conteúdo LGBTQ+. Também transbordei porque sei que devo isso a uma linda rede de apoio da comunidade LGBTQ, que vai além dos shades e visões negativas as quais às vezes nos apegamos e ficamos com um pé atrás. Então, percebi que transbordava de ser quem sou e do apoio de gente que luta todo dia pra ser quem é sem medo.

Gratidão a todos que transbordam isso juntxs.

Ouça agora o novo episódio do meu podcast, Estante LGBT:

TODO AMOR QUE AGORA COMPARTILHAREI

Não acredito que um artista se compare a uma mãe, e sua sensação de colocar ao mundo um filho, quando este gera uma criação e a compartilha, como alguns dizem. Não creio que o milagre do nascimento possa ser comparado com o que quer que seja, pois é grandioso demais. Mas, também, não acredito que se deva desmerecer o quão conectado com a divindade está aquele que põe pra fora sua arte após gerá-la.

A reflexão acerca da dádiva da criação vem acompanhada de medo, borboletas no estômago e com receios de um possível fracasso. Mas, também, vem acompanhado de algo muito maior: o orgulho de ter feito de um trauma uma obra de arte.

Embora, para alguns, minha narrativa, que vem de relatos somados a diários que tornaram-se meu primeiro livro, “Todo Amor Que Nunca Te Dei”, seja passível de questionamento quanto a seu teor literário, sei que o que criei é arte. Usei da linguagem para expressar meu inferno pessoal vivido em onze anos de relação com alguém sexualmente mal resolvido. Fiz das palavras minha âncora para desafundar do que por muito tempo me soterrou.

Eu sabia que, cedo ou tarde, eu teria um livro publicado. O sonho não é de hoje. Em 2009, quando iniciei a primeira versão deste blog, já almejava tornar meu “amontoado” de pensamentos em forma de posts, que descobri serem crônicas, um livro, físico ou digital. Mas jamais imaginei que antes disso acontecer teria um livro ainda mais confessional do que o material que já produzia através das publicações de crônicas.

Ter meu primeiro livro saindo às 00:01 dessa segunda-feira para pré-venda pela Editora FLYVE é muito mais do que o realizar de um sonho de sentir-me realmente um escritor por ter uma obra impressa. É um verdadeiro exorcismo compartilhado com quem aceitar recebê-lo, dado o caráter confessional que o livro imprime.

Me realizo duplamente com este lançamento. Me liberto de anos de dor, compartilhando e me desnudando de um passado um tanto quanto assombroso e me vejo, finalmente, como alguém que alcançou uma meta traçada há anos e agora está pronto para compartilhar sua primeira obra literária com todos. Além de meu primeiro livro, quem adquirir “Todo Amor Que Nunca Te Dei” estará adquirindo uma reflexão sobre recuperar o amor próprio e sobre saber retirar-se quando não se é mais servido.

Abaixo deixo o link do site da editora para que possas adquirir o teu, que tem mais de 35% (menos 18 reais do valor total) de desconto nesse primeiro mês:

https://www.editoraflyve.com/todo-amor-que-nunca-te-dei

NOVIDADES? TEMOS!!!

Muitos já sabem de minhas novidades por me acompanhar em facebook e instagram, mas como aqui tem muita gente que acessa e não me segue nas redes, sinto a necessidade de compartilhar as boas novas e o farei por meio deste post.

PARTICIPAÇÃO NO PODCAST ALÔ TERRÁQUEO

Para começar, trago minha humilde participação no podcast do meu namorado Alef Leal. Participei no primeiríssimo episódio, NEM TUDO NA VIDA ADULTA É SUCESSO, onde o assunto é os perrengues da vida adulta e como lidamos com eles. Modéstia a parte, o episódio ficou bem divertido e vale a pena dar o play. Segue abaixo o player.

E-BOOK MONOLOGAY

Ainda sem data definida por motivos do andamento das coisas devido ao corona vairus (leia imitando a Crdi B, por favor), o e-book coletânea de crônicas do Monologay, com material que vai de 2009 (quando comecei o blog) a 2019, está preveisto para estar na Amazon Store até o fim de abril. Tenhamos fé e paciêcia que eu consiga fazê-lo o mais brove possível. Óbvio que farei post de divulgação aqui, mas já fica pré avisado que ele está chegando e não foi esquecido (pois lembro de já ter mencionado ele aqui).

A PRÉ VENDA DE MEU 1º LIVRO, TODO AMOR QUE NUNCA TE DEI, SE APROXIMA

Para quem ainda não sabe, o que acho meio difícil pois eu já mencionei em uns três ou quatro posts aqui, meu primeiro livro está chegando e sua pré venda começa em quatro de maio pela Editora FLYVE. Sim, pouco mais de trinta dias. Se eu estou ansioso? Estou mega, hiper, uber ansioso e nervoso, do tipo co dor de barriga só de pensar. Mas mantenho a calma e já estou produzindo material de divulgação, leia-se vídeos, posts para redes sociais e afins. Então, para começar a tranbalhar mais na divulgação e imagem do livro, citando trechos e postando frases que vão de acordo com a mensagem da obra, eis aqui o post do instagram do livro TODO AMOR QUE NUNCA TE DEI com a capa e na legenda a premissa da obra. Espero que curtam, sigam e acompanhem o trabalho de divulgação que foi planejado com muito cuidado e dedicação.

DICAS DE ESCRITA NO INSTAGRAM

Retomei meus IGTVs com dicas de escrita, criatividade, foco e afins. Já tinha quatro vídeos deste tipo de abordagem postados no Instagram antes e, como alguns amigos e seguidores me motivaram a retomar esse conteúdo, postei recentemente o vídeo abaixo.

OS PECADOS DE BERNARDO

Assim que terminei TODO AMOR QUE NUNCA TE DEI eu já dei início ao meu próximo projeto literário, o romance LGBTQIA+, OS PECADOS DE BERMARDO. Ainda não darei muitos detalhes do livro, mas posso adiantar de antemão que tenho previsão de lançamento para outubro deste ano, também pela Editora FLYVE.

Enfim, essas são as minhas novidades até o momento. Fiquem ligados nas redes sociais, pois a qualquer momento surge mais alguma coisa. O mês de abril ainda promete possíveis novidades e bons conteúdos digitais.

A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA LGBT

Imagem via google

Uma amiga e leitora me questionou sobre eu fazer os posts de dicas de literatura LGBT. A mesma disse que não havia necessidade de separar os gêneros literários, que literatura é literatura e ponto. Sinto necessidade de explicar a ela aqui porque temos a literatura LGBT e porque insisto em postar dicas do gênero sempre que posso.

O resumo da ópera é mais que simples: REPRESENTATIVIDADE. Tentarei explicar de maneira objetiva pela minha perspectiva e experiencia. Eu cresci lendo livros héteros, escritos por héteros, tendo protagonistas héteros que viviam romances, obviamente, héteros e achava tudo normal, até que comecei a perceber que eu parecia não existir nos universos apresentados a mim naquelas narrativas. E, de fato, eu me senti invisível por alguns anos até descobrir que havia literatura pra mim e sobre pessoas como eu.

Além disso, percebi que há uma importância enorme em uma narrativa LGBTQIA+ para que, além da identificação e representatividade de milhares de leitores ao redor do mundo, haja esclarecimento sobre quem somos, como somos, o que desejamos e como nos enter e lidar com nossa existência sem que haja desconforto quando estivermos em um mesmo ambiente. Pessoas com um pouco de bom senso e mente aberta podem aprender muito com nossos livros e superarem a tão indesejada intolerância.

Veja bem, cara amiga leitora hétero, não entenda mal, mas se existe uma demanda há um público específico para ela. Vale salientar que, o fato de ter crescido lendo livros onde tudo girava em torno do personagem hétero e, na maioria das vezes, a história terminava em um “felizes para sempre” de um casal hétero, isso não me fez deixar de ser gay. Então, sua preocupação quanto a seus netos possivelmente lerem um livro LGBT ao longo de sua trajetória como leitores pode cair por terra pois nascemos LGBTs e não nos tornamos por influências externas.

Não precisa também, cara leitora branca e heterossexual, ficar preocupada com o roubo do protagonismo do, já superestimado, branco heterossexual e privilegiado desde que o mundo é mundo. Por serem, possivelmente, uma maioria global vocês sempre terão o devido destaque na literatura, na TV, no cinema, no mundo da música e em qualquer área.

O mundo é enorme e diverso, então há espaço para toda sua diversidade e infinidade de pessoas. Precisamos, mais do que nunca, que nos deixem ter aquela palavrinha que especifiquei no segundo parágrafo, a REPRESENTATIVIDADE. Faz bem pra lidarmos com as diferenças e nos afasta da ignorância, que tem sido um dos maiores males da humanidade.

LITERATURA LGBT – O ANO QUE MORRI EM NOVA YORK

Foto de minha linda mãozinha segurando esse livro adorável, que não sairá jamais
de minha humilde biblioteca.

Demorou, mas finalmente saiu um novo post de Literatura LGBT. O livro da vez é o maravilhoso O ANO QUE MORRI EM NOVA YORK da jornalista, escritora e ativista LGBT Milly Lacombe, que terminei de ler na semana passada.

Partindo da premissa que o livro relata um término doloroso de relacionamento após a descoberta de uma traição, algo que me ocorreu em 2010 (em meu primeiro namoro), eu sabia que me identificaria com o livro. Mas a identificação foi além de todas as minhas muitas expectativas, pois além de me identificar com a situação, embora Milly terminava um casamento de 9 anos e eu um namoro de 3, me identifiquei com a pessoa cativante que é a Milly Lacombe. Um pessoa que pula de cabeça em relacionamentos, que não bebe a taça pela metade, que embriaga-se com gosto quando o assunto é beber da fonte da paixão. Já era completamente encantado pelas colunas da escritora para a Revista TPM, tanto que tenho minhas favoritas guardadinhas em pasta catálogo, ao conhece-la ainda mais a fundo com o livro, vi muito de mim nela, não só por ser amante da escrita, mas por ser um amante de amores e paixões, alguém que realmente curte a aventura do envolvimento e, também, por usar a escrita para expressar de maneira transparente e clara suas dores.

Voltemos ao livro, após a descoberta de traição de sua esposa Tereza, com quem era casada há nove anos e dividia a vida há dois anos em Nova York, Milly se vê completamente desestruturada emocional e, até mesmo, financeiramente. A autora encontra-se totalmente sem chão, embora ainda possa contar com o amparo de família e amigos. Para tentar acabar com a dor profunda do término Milly joga-se de cabeça na aventura do autoconhecimento, a chamada noite escura da alma, através de uma viagem para a Amazônia, com um grupo de pessoas que tem o mesmo desejo dela: curar-se de traumas do passado espiritualizando-se. A jornada da autora é simplesmente fascinante e não para na floresta. Após esta experiencia, ela refugia-se numa casinha simples no interior do sul de Minas, leia-se no mato, e redescobre prazeres e aprende muito mais sobre si mesma através da experiencia da imersão em sua solidão e, seu autoconhecimento atinge seu auge com o seu encontro com a Ayahuasca. Não contarei mais detalhes que isso, mas podem ficar sabendo que dos dezesseis livros que li este ano O ANO QUE MORRI EM NOVA YORK é meu favorito.

Trecho – “O avião se prepara para decolar e dentro dele está tudo o que tenho na vida: roupas, livros, objetos, meu corpo e o que restou de minha alma. Tarde demais, pensei, tudo acabou.”

A autora maravilhosa e sua obra

Então, dada a dica. Que 2020 nos traga mais ótimas leituras de livros LGBTs incríveis e sigo na meta de trazer aqui, no mínimo, UM LIVRO DE LITERATURA LGBT POR MÊS. Oremos e aguardemos.

LITERATURA LGBT: O HOMEM DE LATA

O livro tem uma ligação interessante com
uma tela de girassóis de Van Gogh

Faz muito tempo que não posto nenhuma dica de literatura LGBT por aqui. Pois bem, semana passada terminei uma e essa semana já estou na reta final de outra. Então, teremos mais dicas de livros com essa temática esplêndida em breve.

Hoje compartilho minha aventura literário com um livro que comecei a ler ao fim de Setembro. Peguei ranço dele nos primeiros dias e larguei ele na estante. Motivado pelo meu amigo, Felipe Baicoa (amo tu, Lipito), decidi encarar O Homem De Lata e retomei na primeira semana de Novembro. E não é que fluiu e eu me encantei demais pela obra?!

O HOMEM DE LATA conta história, que se passa entre os anos 1969 e 1990, de um amor que nasceu na juventude do “casal” (sim, entre aspas pois ao longo do livro o termo torna-se duvidoso) Ellis e Michael. O livro não começa contando de cara sobre o romance deles. O mais confuso é que a sinopse do livro nem sequer conta que é um romance LGBT (não um romance gay pois Ellis revela-se bissexual). Os dois rapazes vivem seu “romance” na adolescência e início da fase adulta, até o surgimento da jovem loira e carismática Annie, que arrebata o coração de Ellis levando-o ao altar.

O livro vai muito além disso, mostrando Michael depois de desvincular-se de seu amor por Ell (apelido carinhoso) e encontrando em outros braços uma nova aventura amorosa e o sofrimento da perda do mesmo em uma época em que a AIDS alastrava-se. O livro é um reflexo muito profundo e sentimental sobre paixões, perdas, saudosismo e afins. Outro ponto alto do livro é a “trilha sonora”. Os personagens são muito musicais e temos com frequência músicas e artistas antigos citados nas páginas da obra, são referências incríveis e que vale a pena dar o play enquanto se lê. É uma verdadeira viagem no tempo e na cultura pop, de muito bom gosto, por sinal.

“E me pergunto qual poderá ser o som de um coração partido.” trecho dos diários de Michael.

Espero que tenha curtido mais uma dica de LITERATURA LGBT. Curte nas redes, compartilha, envia pras amigues, afinal livros são sembre ótimos pra expandirmos conhecimento e viajarmos sem sair de casa.

LITERATURA LGBT – “FRAGMENTOS” CAIO FERNANDO ABREU

Faz um longo tempo, acho que mais de um mês, que não faço post com dica de literatura LGBT por aqui. Hoje trago um dos maiores nomes, se não o maior, literários do país, o escritor gaúcho Caio Fernando Abreu (1948 – 1996). O autor tem uma peculiaridade em sua escrita ao descrever temas como sexo, angústia e solidão. Tanto que bons leitores identificam com facilidade um texto de sua autoria. Sua obra apresenta uma visão extremamente dramática do mundo contemporâneo, imbuído de muita poesia. Fato curioso sobre a vida de Caio, ele era o único escritor assumidamente homossexual no período da ditadura militar.

FRAGMENTOS

Este livro é um contraste do que é o trabalho do autor e do que Caio é capaz de nos apresentar. Vai do romântico, puro e inocente amor ao sexo bruto, pervertido que beira ao nojento.
“Sapatinhos Vermelhos” nos trás uma mulher que vivencia a loucura de uma noite de prazeres extremos. Uma mulher libertária que desprende-se da visão social de “correto” e aventura-se sexualmente.
Já em “Sargento Garcia” temos a aventura de um jovem de 17 anos relacionando-se com um militar mais velho. As palavras do escritor são excitantes através dos relatos de momentos quentes vividos pelos personagens. Um dos melhores contos de doses eróticas que já li.
O conto “Uma História De Borboletas” é seu conto mais poético nesta obra. Gira em torno de um casal gay e um dos homens que está enlouquecendo, literalmente, a ponto de ter de ser internado. Ele enxerga borboletas em seus cabelos. Descrever mais que isso seria spoiler, mas é intenso, lindo e contém um final poético e muito satisfatório.

Frase marcante:
“Tem coisa mais autodestrutiva do que insistir sem fé nenhuma?”

Um livro sobre afetos, desejos, doações e situações que qualquer um de nós poderia viver dia desses. Gostei do livro e não foi pouco, viu.

SOBRE LITERATURA E ORGASMO INTELECTUAL

Posando fingindo ler meu livro favorito, Saga Lusa, da cantora, compositora e escritora Adriana Calcanhotto

Me lembro perfeitamente bem do primeiro livro que li. Foi aos cinco anos de idade, quando minha mãe me alfabetizou em casa e li a historinha de um urso filhote que se perde de sua mamãe em uma floresta. Tentei por diversas vezes, com frustração, encontrar no google este livro infantil e não encontrei. Mas o importante é que, sentado na cama daquele quartinho pequeno em um apartamentinho do bairro Guajuviras, eu fui feliz e me tornei uma criança realizada por ter aprendido algo que mudaria pra sempre minha existência, a leitura.

O prazer na literatura não me seguiu por toda infância. Fora os gibis da Turma da Mônica, eu nem sei se li mais algum livro na infância e segui sendo um péssimo leitor até o final da adolescência, por volta dos quinze ou dezesseis anos, quando por intermédio de minha tia conheci Paulo Coelho. Todo universo místico contido nas páginas dos diversos livros do autor que devorei naquele período eram fascinantes.

Passada a febre de Paulo Coelho, que deve ter durado uns três anos, novamente perdi o hábito de ler. E assim segui até que comecei a escrever despretensiosamente no blog monologay, em 2009 (com vinte e três anos). Eram pequenos textos, que variavam de vinte a trinta linhas, alguns com três parágrafos, tudo muito cru ainda, até que minha chefe, Dona Ada me disse que ali estavam crônicas e era isso que eu escrevia. Então, para entender melhor o que é o gênero, segui uma indicação dela e passei a ler Martha Medeiros, que instantaneamente, dada a grande identificação, tornou-se minha escritora favorita. Descoberta a paixão pelas crônicas de Martha Medeiros, passei a consumir suas colunas no jornal Zero Hora e devorei uns três de seus livros na sequência ao descobrimento. Depois dela veio Luís Fernando Veríssimo, também cronista da Zero Hora.

Anos foram passando e segui lendo apenas uns dois ou três livros por ano. Descobri meu gosto por biografias, li algumas como as de Ricky Martin, Lena Dunham, Madonna e Rita Lee. Livros de viagem, dois de Zeca Camargo e um fantástico de Gaia Passareli, ocupam lugar especial em minha biblioteca e coração. Também encontrei prazer enorme em um livro de comédia que tornou-se o livro que mais reli na vida, o li quatro vezes, o divertidíssimo Saga Lusa, que indico pra todo mundo, de Adriana Calcanhotto, sim, a cantora.

Em 2017 consegui realizar um feito pessoal de bater a meta de ler um livro por mês e ainda a ultrapassei com um a mais, cheguei ao final do ano com treze livros lidos. É um número considerável, embora eu ainda ache pouco, pois no Brasil, segundo pesquisas realizadas em 2017 por um órgão responsável, o brasileiro lê em média um único livro por ano. O que é um dado assustador tendo em vista a quantidade enorme de novos escritores que têm cada vez mais aumentado. Somos um país riquíssimo de história e diferentes culturas de Norte a Sul e tudo isso pode ser consumido através de literatura, sem precisar deslocar-se do conforto do sofá. Fato importante a ser relevado em relação a falta de leitura é o fator econômico, que dificulta para milhares de brasileiros o acesso a literatura, quando bem sabemos que o livro é caro no Brasil e torna-se, então, um dos últimos itens na lista de prioridade de consumo da população. A falta de bibliotecas em comunidades menos favorecidas também é fator recorrente na falta de leitura da classe C.

Esse ano foram apenas quatro livros “devorados” até aqui. Estava parado até agosto e li um de Martha Medeiros e um do Pedro HMC entre junho e agosto e dois em setembro, Com Amor Simon (romance gay) e Trinta E Poucos (coletânea de crônicas de Antônio Prata). Mas enfim, a literatura me salvou, várias vezes ao longo da vida. Me livrou de ter uma mente limitada e uma vida miserável. Nos querem sem cultura, nos incentivam cada vez menos. Tentam censurar livros em bienais, cartilhas em escolas e esforçam-se para controlar nossos professores, que sempre foram a base de tudo. Afinal educação é tudo e se temos acesso a ela deixamos de ser cegos e passamos a exigir nossos direitos.

Literatura nos desperta, é libertário e anárquico ler um livro e não precisa ter como temática a política para que tu te sintas um revolucionário quando termina de ler. Toda e qualquer obra literária te transforma um pouquinho e ilumina tuas ideias, trás clareza, além de enriquecer teu vocabulário. Buscamos todos os dias lucidez e ao ler encontramos um fio condutor que eleva o leitor e o guia ao encontro da consciência e entendimento por meio da história contada em um livro ou texto. Desejo que busquemos cada vez mais o “orgasmo intelectual” que a literatura proporciona e, com isso, nos libertemos das amarras que insistem em fazer parte da história nacional, as amarras da ignorância.

LITERATURA LGBT: UM LIVRO PARA SER ENTENDIDO

O escritor Pedro HMC e sua obra UM LIVRO PARA SER ENTENDIDO.

Venho, por meio deste post, iniciar uma série de posts (semanais ou quinzenais) extras aqui no blog, são as postagens LITERATURA LGBT. Nessas publicações trarei dicas de livros de temática LGBT ou simplesmente escrito por LGBTs. Afinal, difundir nossa literatura é mais do que necessário, hoje e SEMPRE. Espero que curtam, claro.

Comecemos meu relato por uma bela tarde de domingo, em que eu comecei a leitura do primeiro livro LGBT que já li, o livro “Um Livro Para Ser Entendido”, do escritor PEDRO HMC, criador do canal do youtube Põe Na Roda. Eu sei que é vergonhoso para quem escreve sobre o tema (embora que apenas a partir de minha própria experiência e perspectiva) que eu nunca tenha lido um livro sequer sobre minha realidade sexual. Mas o que venho compartilhar aqui é uma imersão maravilhosa em nossa comunidade e lições valiosíssimas que levarei comigo para o resto da vida. Eu jamais imaginei que dedicar pouco mais de onze horas do meu domingo (comecei à tarde e terminei de madrugada) a um livro agregaria tanto em conhecimento, que eu nem sonharia em adquirir se eu tivesse lido um livro de ficção.

O livro demostra-se uma aventura sexual por si só pois eu sabia que me aguardavam conhecimentos mais profundos sobre o mundo LGBT, afinal o título já diz “Um Livro Para Ser Entendido”, e sugere que é um livro para “entendidos” (gíria gay para quem já se aceitou e assumiu) ou para entender mais sobre este universo. Através da leitura descobri que a sigla não se limita apenas a LGBT e ainda pode ser ampliada para LGBTTTQIACDDPGADG (mas se tu quiseres saber sobre cada letra da sigla, leia o livro, ouqueizinho?). Há uma verdadeira infinidade de termos de gêneros e definições sexuais a serem conhecidos por todos nós para entendermos melhor tanta diferença na nossa humanidade.

Através de uma linguagem super simples, de fácil acesso, direta, divertida e irreverente, PEDRO HMC explora uma infinidade assuntos do universo gay e LGBT sem poupar ninguém de nada e abordando absolutamente tudo. O livro vai dos conflitos da autoaceitação, passando por aceitação de família e amigos, como contar para família e amigos, ambiente de trabalho, como é um relacionamento gay (abordando inclusive, e muito bem, o sexo), um super guia sobre aplicativos de pegação e ainda aborda o HIV com diversos esclarecimentos sobre o tema. Há ainda um capítulo dedicado para esclarecer para a família como aceitar um(a) filho(a) gay. Uma verdadeira aula nova e enriquecedora a cada capítulo lido, onde o autor vai desenvolvendo uma relação de amigo com o leitor, um conselheiro que te abraça a cada palavra e te abre mais a mente com novos conhecimentos. Ao termino do livro, eu só queria enviar uma mensagem ao Pedro dizendo: gato, posso sentar contigo no recreio?

Devo confessar que meu capítulo preferido é o capítulo em que Pedro dispõe-se a questionar o ódio cristão para com a homossexualidade e nos mostra um pouco mais da Bíblia. Além questionar cristãos fervorosos por não seguir versículos do Antigo Testamento como “não comer carne de porco”, “não cortar cabelo ou a barba”, “não comer frutos do mar” e outras cositas más, o autor acaba tornando o capítulo chocante e revelador ao apresentar um caso de romance gay e romance lésbico nos “escritos sagrados”. O primeiro trata-se do romance gay encontrado no livro de Samuel: o caso de Davi e Jônatas (que em certo versículo cita a “união de suas almas”, “deitarem seus corpos” e até mesmo um beijo. Já o segundo, no livro de Rute, aborda o romance lésbico de Rute e Noemi (que cita deixar sua família para trás e seu homem para juntar-se à sua mulher). O autor ainda encerra o capítulo sabiamente dizendo que o Antigo Testamento deveria ser esquecido e que o foco principal deveria ser a passagem de Jesus e com suas palavras afirma: – Tudo que Jesus diz é: “Amai ao próximo como a ti mesmo”, “Não julgueis para que não sejais julgados”, “Faça o bem sem olhar a quem”, entre tantos outros ensinamentos que, pelo visto, pastores e fundamentalistas pularam ao ler a Bíblia.

“Um Livro Para Ser Entendido” é muito mais do que um livro sobre o universo LGBT, é um guia completo para quem quer deixar sua falta de conhecimento de lado e entender um pouco mais sobre uma minoria que é assassinada a cada 28 horas no Brasil (uma realidade assustadora). As palavras do autor são aconchegantes para quem está se descobrindo ou até mesmo para quem já está há anos fora do armário, senti ele como um amigo muito próximo, e também são excelentes palavras para ensinar quem pouco conhece a comunidade LGBT. Uma leitura que valeu cada minuto das onze horas que dediquei de minha tarde e noite de domingo.

DIA DO ESCRITOR

Dia do Escritor

No dicionário encontramos a palavra escritor como: aquele que escreve, autor de obras literárias, culturais ou científicas. Mas acredito que um escritor não seja apenas as meras especificações limitantes descritas em um dicionário.

Um escritor tem a capacidade de te transportar com a sua escrita, ele usa a literatura como porta para um mundo novo, ficcional ou não. O autor sabe como chegar ao seu leitor através de um bom texto arrancando seu riso, susto, suspiro, lágrimas e o despertando seu pensar em diversas questões. É ele quem nos conduz com sua narrativa à mundos inimagináveis e que, sem sua criatividade, jamais sonharíamos pensar.

Desde muito cedo eu flertava com a literatura, minha mãe me ensinou a ler aos seis anos de idade, daí então foi um caminho só de ida sem volta, ainda bem. Também desde criança possuía o costume de escrever, lembro de pegar um caderninho velho, que estava sobrando em casa com umas poucas folhas, e fazer dele meu primeiro diário.

Já adolescente me aventurei nos livros do famoso escritor Paulo Coelho, de quem sou fã há anos, os peguei emprestado de minha tia, Rosmari, até que pude comprar os meus. Brida foi um dos livros que mais li por anos, adorava reler a trajetória da bruxa em seu caminho mágico, guardava esta obra ao lado da cama.

Quando um pouco mais velho descobri uma nova paixão, desta vez gaúcha, a escritora Martha Medeiros. Martha pra mim foi além de uma escritora no qual descobri boa literatura e identificação, foi a escrita dela que me impulsionou a começar a escrever minhas crônicas em meados de 2009 no blog Monologay. Eram horas dedicando-me a minha mais nova paixão, sentia que tinha finalmente me encontrado como pessoa, como ser humano, parecia que, enfim, essa era minha missão na terra.

Ainda sinto que a escrita é parte fundamental em minha vida, tanto que dedico-me severamente por dias em minha semana à sua prática. A cada crônica aqui postada é um sentimento de realização que me invade. Quando recebo retorno positivo de amigos, ou leitores que vêm da internet, aí então é aquela sensação mais que prazerosa de missão cumprida. Coisas que nem sei como descrever, apenas sinto.

Hoje é um dia a ser celebrado, seja lendo aquele escritor que tu gostas ou apenas felicitando-o como tu puderes. Todo dia é dia do escritor, afinal a maior parte de nós consome suas obras diariamente em busca de um momento especial, aquele que só é dado na intimidade que ocorre do encontro livro e leitor. Enfim, feliz dia do escritor.

CONTATO: monologaycronicas@gmail.com