ME DEIXA RECLAMAR

Ocorre com frequência. Naquelas trocas de ideias com amigos ou familiares, chega aquele momento em que tu fala algo do tipo “nossa, não aguento mais essa situação” fazendo um desabafo honesto sobre algo que tu tens vivido e o que tu tens como resposta é um “ah, mas tu és privilegiado, porque tá tudo bem na tua vida, tu tens teto, tem o que comer, tem família e tudo mais”. Como responder para essa pessoa sem ser grosso, eu já não sei, tendo em vista que ando sem paciência até para olhar pros lados ao atravessar a rua.

Isso, que tem me acontecido com maior frequência do que eu gostaria, de ter essas objeções como resposta me leva a refletir o quanto o que as pessoas vêem do básico que se tem não garante felicidade e satisfação de ninguém. Essas “coisinhas” que as pessoas pontuam que devem te deixar realizado por “ter” jamais serão o suficiente se formos analíticos e tivermos o bom senso de perceber que “isso” é o mínimo que todos deveríamos ter direito.

“Mas Braian, nem todo mundo tem essas comodidades’, então não reclame de barriga cheia”. Concordo que nem todo mundo possui o básico para viver bem, e que isso é triste, mas possuí-lo não isenta ninguém da insatisfação com coisas que incomodam no dia a dia como problemas de convivência familiar, falta de reconhecimento no trabalho (seja pela falta de um cargo melhor ou um aumento salarial), falta de compreensão e atenção de parceiro(a) ou amigos. Enfim, há tantas coisas que nos complementam e que podem estar em desequilíbrio que eu perderia mais um bom tempo digitando sem pausa nem para um café.

Quando alguém reclama da vida para ti, ela não está apenas se exclamando e expondo o quão difícil tal situação é para ela, ela está confiando na tua capacidade de auxiliar com uma resposta mínima que seja. Pode ser até o bom e velho, e por vezes insuportável, “respira fundo que vai passar”. O importante é a troca. E quando me encontrar na rua ao acaso ou me chamar no whatsapp, por favor, não me venha com o discurso de “reclamar de boca cheia”. Apenas me deixe reclamar antes que eu exploda. Afinal, como já me é rotineiro lembrar: “a percepção de pequenos incômodos é a chave para realizar grandes mudanças”.

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ONDE ME PERDI?

Aconteceu meio que ao acaso, ou eu identifiquei repentinamente. O fato é que percebi que não estou mais conseguindo ser conducente com o que prego tanto, a empatia. Estou perdendo a cabeça facilmente e me esgotando por qualquer coisinha e não consigo ser a melhor versão de mim mesmo, como eu desejo ser. Agora só queria conseguir entender: onde me perdi?

O nível de estresse e intolerância talvez seja justificável. Vejamos: 2020 tem sido o maior caos na vida de todo mundo e, embora eu tenha muitos ganhos pessoais (quem me acompanha sabe), comigo não poderia ser diferente. Pandemia, isolamento, saudades, sono irregular (as vezes em excesso e as vezes dormindo muito menos que o necessário), nervos a flor da pele pela falta de perspectiva de um fim da atual situação e um desgoverno nacional que nos dá dores de cabeça diariamente. Haja paciência, haja respirar fundo e tentativas de mentalizar coisas boas.

Como lidar com tudo isso, como o caos que nos habita, com todos os nossos medos, receios e dúvidas e ainda conseguir ser solícito e pensar no próximo em um momento em que parecemos nem ter a nós mesmos? Sim, está nítida a situação: não temos a nós mesmos, pois o excesso de negatividade nos petrifica. 2020 está gritando: “salve a ti mesmo e mantenha tua sanidade como prioridade enquanto há tempo”. Ao menos é o que tenho sentido. Sendo assim, fica difícil ser gentil todo dia e ser empático o tempo todo.

É impossível se doar quando não temos cem por cento de nós mesmos. E, após essa análise que só consegui obter no exato momento em que escrevo este texto, percebo que tudo bem se perder em um ano que, para quase todos, já é um ano perdido. Agora me conforto pensando que não faz mal ter me perdido, uma vez que reconheço a falha é muito mais fácil achar o caminho de volta. Então, sigo sem medo de ter passado por uma rua que parecia desnecessária, mas que, certamente, vai me conduzir a algum lugar.

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ENTÃO VOCÊ ME DEIXOU, E AGORA?

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E repentinamente a gente se depara com aquilo que mais se teme quando apaixonado: o fim do tão sonhado “felizes para sempre”. Então você me deixou, e agora?

Agora a gente respira fundo e a vida segue, buscando os sonhos que se tem mesmo sem ter alguém ao lado. Agora a gente respira lembrando que valeu a pena, porque tudo vale a pena e deixa um aprendizado, por mais triste que um término seja. Então, agora a gente talvez até evite mensagens no Whatsapp, talvez silencie um ao outro nas redes sociais e evite ir fazer compras naquele mercado em que ambos íamos juntos. Então, agora a gente respeita o “luto sentimental” um do outro, como forma de demonstrar que a consideração ainda existe.

Agora dói? É óbvio. E é muito provável que ainda doa por um tempo. E é possível que jamais a gente se esqueça do que tivemos, pela profundidade como a gente tocou um o coração do outro. Afinal, se não fosse intenso a gente nem teria dado as mãos e pulado desse penhasco chamado medo para se aventurar nas águas, perigosas porém refrescantes, que chamamos de amor.

Resumindo: nem o teu, nem o meu mundo vai acabar com tua partida. Insensibilidade? Não, apenas bom senso. Bom senso esse, que só foi adquirido com uma coleção de términos que pareciam ser o fim do mundo. Bom senso esse, que é advindo da esperança e de toda minha crença no amor.

Términos são como dias chuvosos. Nos deixam introspectivos e trazem um clima sombrio e, por vezes, frio. Porém, como todo tempo ruim, esse período um dia acaba. E quando acaba e o sol chega, aí a leveza do valor solar ameniza tudo. E, com sorte, até arco-íris aparece para nos lembrar que o hoje é um dia lindo de se viver, mesmo depois de um fim.

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MÊS DO ORGULHO LGBT, TU TENS ORGULHO MESMO?

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Eis que chega o mês de junho, mas não são as festas juninas que perderemos, pelo isolamento social, que me deixam triste por não poder participar. Mas sim os eventos do Mês do Orgulho LGBTQIA+ que deixaremos de presenciar e passaremos a ter, em menor escala, em lives. Porém, não vou descrever exatamente sobre isso, mas sobre algo além de eventos, que é essencialmente o que se divulga nessas situações. Também não vou relembrar como toda nossa luta começou, lá na revolta de Stonewall há mais de cinquenta anos. Mas vou nos lembrar de ideais nascidos nesse período e nos eventos gerados por ele, as Paradas do Orgulho.

Quero levantar uma questão ao leitor: tu tens orgulho dos teus amigos LGBTs? “Claro, os trato da melhor forma e somos muito amigos e etc” alguns responderão, mas quero levar isso a outro nível. Orgulho é um abraço maior e mais caloroso que isso. Refarei a pergunta de forma, talvez, mais clara: tu compartilhas o trabalho, defende os ideiais, participa ativamente defendendo a causa ou prestigia teu amigo LGBTQIA+? Esse é o ponto onde creio que aperta o sapato quando o assunto é “amigo de LGBTs”. Ter na roda de amigos é muito fácil. Já não é sacrifício. Mas tu defendes os LGBTs, comprando briga mesmo, se tiver de comprar, mesmo quando teu amigo(a) não está presente na rodinha de conversa?

Vou dar um exemplo prático, pra ajudar a clarear ideias. Quando tô em almoço de família, jantar, o que seja e algum parente começa com o discurso “não sou racista, mas…” eu já interrompo na hora e o mostro que o condicional “mas” já nos diz que o que segue a frase é ou será contraditório. Tal qual dizer que não é racista e ser anti cotas e achar que é balela. Assim, também vejo muitos amigos de LGBTs que “não são contra, mas…” e dizem absurdos como “ser gay tudo bem, mas não seja uma bichona”, “tudo bem amar alguém do mesmo sexo, mas não precisa beijar em público”… Essa lista de frases de homofobia velada pode ir longe. Mas retorno ao foco: tu defendes o LGBTQIA+ além de dar oi, abraço e falar por rede social? Tu apoia aquele amigo que se monta de drag, indo a shows ou compartilhando seu conteúdo? Aliás, tu tens ou teria amigos drags?

Quero crer que eu estou rodeado de amigos de verdade, que entendem minha luta e abraçam a causa por inteiro. Mas tem pequenos detalhes e comentários que me mostram, às vezes, que a gente ainda precisa educar muito as pessoas em relação a nossa comunidade e tudo mais que envolve o LGBTQIA+. Epero que aproveitemos esse mês para, não só parabenizar o amiguinho no Dia do Orgulho LGBT (28 de junho), mas para consumir mais LGBTs, compartilhar conteúdo esclarecedor sobre a causa e buscar sermos mais “orgulhosos” de nossos conhecidos LGBTs. Se tu estás disposto a isso, parabéns, tu és um bom amigo e participa do Orgulho LGBT. Gratidão!

TODO AMOR QUE AGORA COMPARTILHAREI

Não acredito que um artista se compare a uma mãe, e sua sensação de colocar ao mundo um filho, quando este gera uma criação e a compartilha, como alguns dizem. Não creio que o milagre do nascimento possa ser comparado com o que quer que seja, pois é grandioso demais. Mas, também, não acredito que se deva desmerecer o quão conectado com a divindade está aquele que põe pra fora sua arte após gerá-la.

A reflexão acerca da dádiva da criação vem acompanhada de medo, borboletas no estômago e com receios de um possível fracasso. Mas, também, vem acompanhado de algo muito maior: o orgulho de ter feito de um trauma uma obra de arte.

Embora, para alguns, minha narrativa, que vem de relatos somados a diários que tornaram-se meu primeiro livro, “Todo Amor Que Nunca Te Dei”, seja passível de questionamento quanto a seu teor literário, sei que o que criei é arte. Usei da linguagem para expressar meu inferno pessoal vivido em onze anos de relação com alguém sexualmente mal resolvido. Fiz das palavras minha âncora para desafundar do que por muito tempo me soterrou.

Eu sabia que, cedo ou tarde, eu teria um livro publicado. O sonho não é de hoje. Em 2009, quando iniciei a primeira versão deste blog, já almejava tornar meu “amontoado” de pensamentos em forma de posts, que descobri serem crônicas, um livro, físico ou digital. Mas jamais imaginei que antes disso acontecer teria um livro ainda mais confessional do que o material que já produzia através das publicações de crônicas.

Ter meu primeiro livro saindo às 00:01 dessa segunda-feira para pré-venda pela Editora FLYVE é muito mais do que o realizar de um sonho de sentir-me realmente um escritor por ter uma obra impressa. É um verdadeiro exorcismo compartilhado com quem aceitar recebê-lo, dado o caráter confessional que o livro imprime.

Me realizo duplamente com este lançamento. Me liberto de anos de dor, compartilhando e me desnudando de um passado um tanto quanto assombroso e me vejo, finalmente, como alguém que alcançou uma meta traçada há anos e agora está pronto para compartilhar sua primeira obra literária com todos. Além de meu primeiro livro, quem adquirir “Todo Amor Que Nunca Te Dei” estará adquirindo uma reflexão sobre recuperar o amor próprio e sobre saber retirar-se quando não se é mais servido.

Abaixo deixo o link do site da editora para que possas adquirir o teu, que tem mais de 35% (menos 18 reais do valor total) de desconto nesse primeiro mês:

https://www.editoraflyve.com/todo-amor-que-nunca-te-dei

O AUTODESAFIO

Imagem via Google.

Tudo começa com um desejo básico: ser melhor. Seja um amigo melhor, um namorado melhor, um dono de casa melhor, um fillho, um profissional, um quarentenado, o que quer que seja melhor nasce no desejo. Depois começa o autodesafio.

Melhorar não é algo que acontece do dia pra noite. Aprimorar-se exige tempo, dedicação e, até mesmo, paciência. Paciência, sim, pois temos de entender nosso próprio ritmo.

Algo muito comum nesse processo, e um ato falho, é comparar-se. Fulano conseguiu mudar de vida e hoje tem a profissão dos sonhos e tudo isso aconteceu em menos de seis meses. Fulaninha tá com um corpo invejável, em apenas quatro meses ela está quase igual a Barbie. Beltrano conseguiu sair da depressão e agora parece estar em um relacionamento maravilhoso. Essas são apenas algumas das comparações que é comum ouvir no processo de autodesafio de melhora de vida.

No que elas acresentam algo em nossa vida? Possivelmente em nada. Em alguns casos elas até podem servir de impulso pra que nos dediquemos mais, mas temos de relembrar que cada um tem um ritmo. Em outros casos elas geram desespero por provocar a necessidade de fazer sua vida acontecer tão rápido quanto o outro o fez.

Autodesafiar-se implica em buscar formas de melhorar no sentido proposto a fazê-lo. Se quero ser um filho melhor, devo dar mais carinho e atenção aos meus pais ou, talvez, buscar ser mais empático nos momentos conflituosos de discussão, que toda família tem. Se quero ser um profissional melhor, preciso me dedicar a me atualizar em minha área e buscar o possível “algo a mais” que me faça destacar-me em meu mercado. Se me proponho a ser um namorado melhor, devo atender às necessidades do meu relacionamento, como não focar apenas nos defeitos, reservar mais tempo pra quem amo, fazer pequenas surpresas que mudem o dia a dia de casal e assim por diante.

Encarar o autodesafio para uma mudança exige um bocado de qualquer um. Mas nada é inalcançável se temos foco e boa vontade. Uma mente aberta pode ser chave para abrir portas nos relacionamentos e em oportunidades jamais imaginadas antes. A chave do progresso é a repetição de tentativas. Ninguém tem êxito de primeira, mas com dedicação a gente chega lá. E se acreditarmos nisso, já é meio caminho andado pro sucesso.

CASADOS PELA QUARENTENA

Ele & eu ♡

Sempre sonhei em me casar com uma pessoa sensacional. Alguém que me inspira, que me motiva diariamente e que me move a ser uma versão melhorada de mim mesmo. Viver um relacionamento assim, cheio de amor, motivação e reciprocidade parecia algo distante até o início de fevereiro, quando tudo começou. O que eu não tinha ideia, nem em meus sonhos mais distantes, é que a vida me faria ter tão cedo uma “vida de casado”, com essa pessoa tão especial.

A ideia inicial era aproveitar as duas semanas de isolamento social, período que a escola estadual onde ele trabalha estabeleceu inicialmente como o tempo de quarentena. Acontece que, aos poucos, como bem sabemos, as coisas foram tomando proporções maiores e a situação do COVID-19 foi ficando mais alarmante e o tempo de quarentena foi prorrogado pelo governador do estado, seguindo orientações da OMS.

É claro que, no início, nada parecia ruim. Acordar juntos todos os dias, estimular um ao outro em seus trabalhos, nas tarefas domésticas e em tudo mais que a vida a dois envolvia foi algo empolgante desde o começo do “confinamento”. Para a gente, que mora longe e fica muito tempo sem se ver, não seria sacrifício algum encarar mais tempo juntos se aventurando em nos conhecermos mais e nos doarmos mais ao nosso relacionamento, que em tão pouco tempo já se mostrou extremamente intenso da melhor forma para ambos.

Muito mais nus do que quando compartilhamos o banho ou a cama, a quarentena nos mostrou um para o outro como somos diante do bom e do ruim que surge no dia a dia, diante das dificuldades, diante das alegrias e diante de nossas próprias imperfeições, que ficam a cada dia mais explícitas. E, acreditem ou não, não tem sido difícil como eu achei que seria. Temos dias ruins, é óbvio, mas os momentos bons são infinitamente maiores e mais proveitosos que pequenos momentos que parecem mais difíceis.

Criamos uma espécia de barreira, um limite pessoal que estabelecemos para aqueles dias em que não acordamos cem por cento ou aqueles momentos em que estamos irritados por algo relacionado a trabalho. Exemplo: quando ele tem uma situação difícil e que está se demorando a resolver no trabalho ou quando eu não consigo ter um bom rendimento na escrita de meu trabalho atual (meu próximo livro), não ficamos bajulando o outro com mensagens chatas de “vai ficar tudo bem”. Apenas deixamos aquele momento de frustração ser vivido e respeitamos o tempo um do outro de lidar com aquilo. Essa individualidade foi algo que conversamos sobre, e que acreditamos ser a base de um relacionamento, desde nossa primeira teclada no Instagram.

Assim, temos passado dias tentando estabelecer uma rotina, algo que é um desafio maior do que conviver um com o outro. Outro ponto muito positivo é que ainda temos o tempo “sozinho” pra fazermos o que gostamos. Não são raras as vezes em que estou no home office trabalhando e ele está no quarto assistindo vídeos no smartphone ou fazendo qualquer coisa que ele gosta de fazer. Também é muito comum enquanto ele trabalha enviando as aulas, pela manhã, eu estar no quarto lendo ou ouvindo meus podcasts favoritos (um vício nesta quarentena). Tem também a madrugada, período em que ele dorme o sono dos justos enquanto assisto entrevistas, leio ou faço aulas de escrita.

Pois é, por mais assustador que estar “repentinamente casado” seja, creio que estamos vivendo dias maravilhosos e que, possivelmente, seriam preocupantes de se viver separadamente. Sei que é um privilégio estar com meu namorado nesse período, tanto quanto é um privilégio poder estar em isolamento social. Mas me sinto realizado, casado e bem amparado por mais assustador e tenso que este confinamento forçado esteja sendo para todos. Gratidão define e amor também.

  • Nota do namorado do editor: O ALEF É LINDO! ♥

ISOLAMENTO SOCIAL E AFASTAMENTO CONSEQUENCIAL

Imagem via Canva

Os últimos dias e o isolamento social trouxeram a tona muita gente expondo suas opiniões nas redes sociais. Muita gente pró e contra as providências governamentais. Com isso, houve algo que observei de perto, pois aconteceu com muitos amigos e também comigo: o afastamento consequencial.

Trata-se de um afastamento de amigos, família e conhecidos de redes sociais devido ao posicionamento pró ou contra o governo. Algo que ainda é muito delicado e difícil separar e superar. As diferença quando se toma partido, favorável ou não, às atitudes do Presidente gritam mais que os laços que outrora nos uniram, o que é lamentável. E, como consequência surgem afastamentos, por vezes, inesperados.

Sei que não consigo agradar a todos quando me revolto e me exponho em minhas redes sociais, muitas vezes de maneira agressiva, confesso. Mas também sinto que não tem havido mais um meio termo de se relevar o que o outro pensa quanto ao assunto. Tive a experiência desagradável de ver duas pessoas, que estimo muito, deixando de falar comigo devido a nossas divergências políticas. E também houve outro amigo, o qual troquei comentários e fluiu um diálogo, que simplesmente não levou adiante, dexando assim que tivessemos um possível atrito ou apenas entendeu que eu não mudaria meu posicionamento.

Se me exponho na internet com meu ponto de vista, como tenho feito desde 2009 por meio deste blog, do Twitter e do Facebook é porque acho necessário o diálogo sobre o que exponho. Mas nesse isolamento social eu aprendi que não tenho o casco necessário, ou o devido traquejo para ser pessoa pública pois não me calo diante de discurso raso e não sei ignorar respostas negativas quando sei que meu discurso é plausível. O que me leva a não ter certeza se serei o mesmo impulsivo ao me expor como antes.

Mesmo assim, sigo não me achando o dono da uma verdade absoluta e imutável. Sei que ainda tenho muito a aprender, principalmente quando o assunto é empatia e saber dosar as palavras quando discuto sobre política. Mas eu não trocaria elos antigos e duradouros por opiniões rasas, questionáveis e que excluem bom senso e, principalmente, minorias, por exemplo.

Sendo assim sinto que se alguém partiu em meio a essa avalanche de auto exposição crítica é porque já não me é parceiro. Deixemos que fique em um barco separado do meu e siga seu caminho. E que, com sorte, nos salvemos todos do naufrágio. Pois, como tenho visto o andar dos ventos, parecemos apenas estarmos cada vez mais perto da afundar.

RAD – RELACIONAMENTO A DISTÂNCIA

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‘Querendo dá’ diz a canção Outro Sim de Fernanda Abreu que nos passa a mensagem clara de uma máxima da vida: quem quer faz acontecer. Assim é pra quem, mesmo com nossa educação aos trancos e barrancos, quer estudar, quem quer viajar, quem quer perder peso, enfim, assim serve pra tudo na vida, inclusive algo que vivo atualmente, um relacionamento a distância. 246km de distância, para ser mais preciso.

Não é todo dia que a gente tá realizado da vida por simplesmente ter encontrado alguém mais do que especial. Tem dias que a falta daquela pessoa por perto pesa e pesa muito. Ainda mais se, como no meu caso, parece que tu tens anos de vivência com a pessoa, assim tudo tem um peso extra dada tamanha afinidade. Mas eu sempre costumo pensar que poderia ser pior. O meu par poderia ser alguém que vive no Japão e eu sentir que, mesmo com a distância, somente essa pessoa me completa e ela merece que eu espere por ela o tempo que for.

Não levo todo e qualquer relacionamento como complicado, a não ser que seja abusivo. Nesse caso eu pulo fora ao primeiro sinal sem ao menos dar chance de render o mínimo que poderia. Creio que o ser humano é que tende a complicar as relações e ficar procurando pêlo em ovo. Eu mesmo já estive no time dos ‘complicadores’ e vez ou outra ainda tenho meus surtos de leve. Mas o que importa é que pra qualquer relação se dar é necessário doação, doação essa que eu sinto em meu relacionamento, que, mais do que qualquer outro que já vivi, é movido por reciprocidade.

No fim das contas, com todos os aparatos proporcionados pela tecnologia e modernidades, a saudade acaba sendo mero detalhe que serve de combustível para um reencontro surreal e delicioso. Enquanto isso as conversas via whatsapp, repletas de áudios, imagens, gifs, vídeos e chamadas de vídeo intensificam-se e fazem do relacionamento a distância apenas mais uma forma de amar, sem grandes complicações ou empecilhos.

Pode até ser longe, mas encarar as cinco horas de viagem com a expectativa de ter o toque, o beijo, o sorriso e o carinho da pessoa amada não tem preço. E nos últimos minutos de viagem, quando já está chegando ao destino, sentir o coração disparar e o alívio que dá ao ver o ser amado vindo em tua direção com um sorriso largo no rosto, isso só intensifica que distancia nenhuma separa dois corações apaixonados, afinal: querendo dá.

DÊ PLAYLISTS DE PRESENTE

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Isso aqui eu já não sei se enquadra-se como crônica ou apenas como uma super dica baseada no valor que eu dou pra você, caro leitor. Creio que o título já entregou completamente a que esse post veio, mas bora especificar. Não está sendo fácil, já cantava Cátia Cega, e bem sabemos que em meio a tantas necessidades financeiras, a gente da casse C não pode dar presente pra todos os amigos em datas especiais, daí nasce a ideia de dar de presente uma playlist, como já fiz pra ti, caro leitor, no Carnaval.

Quer algo mais pessoal e gostoso que música? O ato de criar uma playlist por ser movido por selecionar músicas que tenham marcado momentos vividos com a pessoa a ser presenteada ou músicas que quando tu escuta a letra ou melodia te lembram daquela pessoa. E quer elogio melhor que uma pessoa dizer ”quando ouço esse som eu lembro de ti” ou ”essa música lembra da gente”? É o auge da valorização alguém te dedicar uma música.

Quando alguém me manda uma música ou playlist eu escuto atentamente pra poder extrair a mensagem e o porque de a pessoa ter pensado em mim ouvindo aquilo. As vezes é algo bobo, as vezes é uma mensagem séria que tem a ver com minha vida ou com passagens vividas com a pessoa que enviou. O importante é que me sinto valorizadíssimo quando alguém compartilha comigo algo tão especial e particular que é a música.

Música é poesia, mensagem da letra ao tom de voz e melodia. Uma música muda o animo da gente, transforma real oficial o ambiente quando a vibe não tá boa e precisa ser transformada. Daí saber que essa música, ainda mais, uma seleção de músicas, foram escolhidas pra tu ouvir e saber que aquela pessoa especial dedica isso pra ti… Ah, cara, eu só acho essa doação algo lindo e prazeroso de ser vivido. É algo que a gente precisa fazer com mais frequência.

Sem contar que o ato de criar a playlist, por menor que seja, nos permite reviver cenas do passado com a pessoa ou apenas buscar coisas que vão aquecer ou confortar o receptor. É uma doação super simples, mas que pode dizer muito da gente e fazer o outro sentir a gente mais perto. Apenas permita-se ser um criador de algo especial e que vai tocar quem receber. Te garanto que é um prazer gostoso de ser vivido.

A playlist acima, que por sinal ouço enquanto escrevo, eu ganhei do meu incrível namorado. E é maravilhosa essa troca que temos desde a primeira teclada, onde começamos a enviar músicas que achamos que tem a ver com o outro. Experimente flertar com alguém trocando este tipo de estímulo. Apenas te joga que é tiro certo.

Nota – Meu aniversário é em 6 de setembro e eu vou ficar mega feliz de ganhar uma playlist inspirada em mim.