O PODER DAS PALAVRAS

Assinando meu 1° livro ♡

A vida me ensinou, tanto como escritor quanto como pessoa, que as palavras realmente têm poder. Sim, eu acredito que quando colocamos palavras pra fora estamos lançando ao universo e isso faz com que, bem ou mal, a palavra se potencialize para uma possível realização. Para uns pode soar um tanto quanto místico, mas para mim é bem simples. Ultrapassar a barreira entre pensar e falar tem um custo muito alto. Isso me lembra de uma frase que aprendi no paganismo: “cuidado com o que desejas, tu podes ter o azar de conseguir”.

Desde cedo eu vi as coisas acontecerem para mim, e muita gente ao meu redor, pelo poder da palavra. Seja mentalizando e depois repetindo como mantra ou pelo poder da oração, que é a palvra direcionada a uma força maior, chame de Deus, Universo (como eu prefiro), luz ou seja lá o que tu acreditas. O fato é que uma vez vendo isso se dar, eu comecei a usar a meu favor. Por isso, até evito ouvir músicas tristes e negativasr. Ao ouvir eu canto e jogo pro universo uma energia que não está conectada com meu propósito. Isso é tão real que, quem me conhece sabe, eu raramente ouço música lenta ou triste, salvo uma ou outra da Alanis Morissette ou da Madonna (minhas maiores ídolas).

A palavra se estendeu além da superstição quando falo que as palavras mudaram minha vida. Pois eu tornei as palavras minha fonte de renda. Embora nem sempre tenha esse pensamento de comprometimento e responsabilidade com minhas palavras, eu soube fazer delas muito mais do que minha forma de expressão e hoje elas são meu ganha pão, basicamente. Não vivo da literatura, mas produzo textos de cunho publicitário para redes sociais, escrevo para blogs e escrevo até livro para terceiros por encomenda, como ghost writer (escritor que escreve como “fantasma”, recebendo para que o contratante ou outra pessoa assine pela obra).

Ao longo da vida aprendi o poder da palavra mal intencionada e o quanto as palavras podem exercer impacto na vida de alguém. Houve um tempo em que as palavras de outra pessoa, uma professora do curso de Letras, quase me fizeram desistir da escrita. Professora Clarice uma vez disse “por favor, nunca diga a ninguém que fostes meu aluno, pois tua redação está horrível e talvez jamais se forme em Letras assim”. Mas isso não foi uma nota em vermelho escrito em uma prova, foi um dizer em um tom debochado de voz e volume alto na frente de mais de trinta colegas de aula. De fato, não me formei em Letras, mas em publicidade e acabei me tornando redator e em 85% dos meus trabalhos hoje é a minha redação que faz cair dinheiro em minha conta. Também é ela, a escrita, que me levou a ter meu primeiro livro lançado sem precisar investir um centavo nisso. As palavras desta professora não me desmotivaram, embora até poderiam, pois foi pesado e duro ouvir isso. Porém, três anos depois comecei meu blog, que também me fez chegar mais longe escrevendo e faz parte de meu portfólio.

Confesso que as palavras de Dona Clarice me atormentaram por anos toda vez que sentava pra escrever. Mas hoje elas me fazem lembrar que realmente eu talvez não conseguisse me formar em Letras nem se tentasse. Mas sei que hoje sou formado em persistência, em me reconstruir quando o meu mundo desaba e em tornar minhas experiências literatura e fazer com que gente que eu nem conheço compre meu trabalho e me envie uma mensagem linda em meio à um dia ruim ou ao caos da quarentena, o que me emociona e me motiva ainda mais.

Acho que me formei em um estrategista de palavras, que escreve e reescreve pra que tudo faça sentido e, ao final do texto, eu me sinta realizado com o que está escrito. Também posso dizer que me formei em avaliar o peso e poder das palavras. Seja as minhas nos outros, usando meu texto com responsabilidade. Seja as dos outros em mim, ouvindo e absorvendo somente aquilo que me acrescenta em alguma coisa. As palavras tem todo o poder, mas todo dia me lembro que eu sou o dono delas. Então, eu escolho que palavras darei poder ou não.

Meu 1º livro, Todo Amor Que Nunca Te Dei, segue à venda e está com um desconto super legal no site da Editora Flyve (clique aqui ou na imagem abaixo).

DIA “DAQUELES”? AUTO TERAPIA

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Tô vivendo uma série daqueles dias que nem a gente se suporta e chega até a dar dó de quem tem que suportar. Mas tenho vivido também pequenas insatisfações que justificam dias ruins. Nem sempre tô disposto a sanar essas pequenas insatisfações conversando sobre, daí eu apelo pro que chamo de “terapia alternativa”: meu caderninho do desabafo ou o caderninho da escrito terapia.

São tempos pesados. A grana tá pouca. A sanidade tá por um fio. E o afeto, em boa parte, fica comprometido pelos nervos a flor da pele ou fica só via telas, para quem se isolou sozinho. Na falta de oportunidade, pelo isolamento, ou condições, pela escassez de dinheiro, a gente tenta remediar-se como pode. E para mim, e muita gente, ler e escrever é sempre a melhor fuga ou reencontro consigo mesmo.

Sejamos honestos: nada se compara ao ombro amigo e, muito menos, à ajuda profissional. Tem dias que daria o que não tenho por 30 minutos de terapia. Mas na falta de possibilidade de ambos, bora escrever. Se expressar não é tão difícil e faz toda a diferença depois que terminamos o “ato do desabafo”.

Começo com algo básico, o problema. Então vou descrevendo as sensações, o desconforto. Busco na memória e nos sentimentos as possíveis causas. Depois me auto analiso e avalio se o problema não é algo que eu mesmo criei, uma paranoia minha. Se é o caso, eu tento me aconselhar, porque as respostas sempre estão em nós mesmos, em formas de solucionar isso. Se o problema for externo, aí está acima de mim e trabalho meu psicólogo pra aceitar isso.

É óbvio que tudo não termina depois desse ritual simples. Afinal, sou um ser humano e tenho complexidades e relutâncias com mudança, como qualquer pessoa. Mas a verdade é que, após identificar tudo a gente já assimila que tem de mudar e o que tem de mudar. Não me resolve a vida, confesso. Mas me abre os olhos. Agora licença que meu caderninho tá esperando pra mais uma terapiazinha.

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Iniciei, alguns dias atrás, um canal no youtube, o Momento LGBTQ. Assista ao 1º vídeo, se inscreva e saiba mais sobre no player abaixo:

TALVEZ CRÔNICA, TALVEZ ATAQUE DE PÂNICO

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Acordei, mas parecia que não havia acordado e vivia um sonho. Sonho não, pesadelo. Foi aquele sentimento de susto original de um sonho, que eu não consigo lembrar qual, que me fez despertar. Assustado fui invadido pela sensação de pânico, de que o pior estava por vir. E estava mesmo. Em segundos parecia que haviam enfiado um saco plastico na minha cabeça, não que eu tenha certeza de que essa é a sensação de asfixia tal qual senti, pois na real nunca alguém colocou um saco plástico na minha cabeça. Mas o ponto é que, estava sem ar.

“Respira, não pira” me veio a cabeça. Mas a frase clichê só me fez ter ainda mais desespero. Afinal, como respirar quando o ar apenas não vem? Levantei-me bruscamente da cama. Não sentia que ficar deitado, quase que em posição de defunto, me ajudaria muita coisa quando eu sentia estar morrendo. Vesti um casaco próximo a cama, movido pelo frio que recordo sentir. Mas quem em meio a “sei-lá-o-que-eu-estava-passando” lembra de se agasalhar e desfoca por um segundo do falecimento que parecia cada vez mais próximo?

Rumei ao banheiro. Aquela coisa que todo mundo diz de jogar água na cara para dar aquela acordada podia ser uma boa solução. Uma conchada com a mão cheia de água na cara, duas conchadas, três… Nada. Sentia a água, mas o ar que me faltava não voltava.

Comecei a pensar no pior. Sim, porque quando estamos mal, o pior parece ser o único fim, mesmo para mim, um eterno otimista. Pude ver toda aquela cena triste: meu namorado me encontrando caído no chão do banheiro, depois ele ligando aos prantos para minha família. Visualizei, na sequência, toda dramatização da despedida: minha irmã e minhas primas chorando muito, minha vó (provavelmente desmaiada) sendo consolada pela minha mãe (visivelmente arrasada, mas forte como sempre é em situações extremas) e meus amigos mais íntimos se apróximando do caixão para a inevitável última vez em que me veriam.

Repentinamente pensei: eu não posso terminar assim. Ainda tenho um livro para terminar de escrever e dois temas engavetados para futuros livros, sem contar o livro que engavetei pronto em 2017 e que agora ganhará vida nova com design do meu namorado. Eu não vou terminar assim. Fui até o chuveiro, abri com pressa o registro e apenas aguardei a água cair em meu corpo, que já estava todo debaixo do “aparelhinho” aguardando as gotas caírem e causar o susto que, possivelmente me traria de volta o ar.

Quando dei por mim estava dando um suspiro profundo, forte e talvez o melhor que já senti em toda minha vida. Mas não estava molhado pela água do chuveiro e tão pouco estava no box do banheiro. Estava deitado, com a mão direita no peito e respirando aliviado (aqui viado, lá viado, em todo lugar viado, tá parei) por tudo ter sido um pesadelo que, possivelmente, nasceu da pressão/desespero com a pré-venda de meu primeiro livro. E minha primeira e única crise de pânico era, talvez, uma mensagem do meu subconsciente para relaxar porque tudo passa e vai tudo ficar bem. Afinal, toda e qualquer crise é apenas um momento e todo momento é passageiro.

TODO AMOR QUE AGORA COMPARTILHAREI

Não acredito que um artista se compare a uma mãe, e sua sensação de colocar ao mundo um filho, quando este gera uma criação e a compartilha, como alguns dizem. Não creio que o milagre do nascimento possa ser comparado com o que quer que seja, pois é grandioso demais. Mas, também, não acredito que se deva desmerecer o quão conectado com a divindade está aquele que põe pra fora sua arte após gerá-la.

A reflexão acerca da dádiva da criação vem acompanhada de medo, borboletas no estômago e com receios de um possível fracasso. Mas, também, vem acompanhado de algo muito maior: o orgulho de ter feito de um trauma uma obra de arte.

Embora, para alguns, minha narrativa, que vem de relatos somados a diários que tornaram-se meu primeiro livro, “Todo Amor Que Nunca Te Dei”, seja passível de questionamento quanto a seu teor literário, sei que o que criei é arte. Usei da linguagem para expressar meu inferno pessoal vivido em onze anos de relação com alguém sexualmente mal resolvido. Fiz das palavras minha âncora para desafundar do que por muito tempo me soterrou.

Eu sabia que, cedo ou tarde, eu teria um livro publicado. O sonho não é de hoje. Em 2009, quando iniciei a primeira versão deste blog, já almejava tornar meu “amontoado” de pensamentos em forma de posts, que descobri serem crônicas, um livro, físico ou digital. Mas jamais imaginei que antes disso acontecer teria um livro ainda mais confessional do que o material que já produzia através das publicações de crônicas.

Ter meu primeiro livro saindo às 00:01 dessa segunda-feira para pré-venda pela Editora FLYVE é muito mais do que o realizar de um sonho de sentir-me realmente um escritor por ter uma obra impressa. É um verdadeiro exorcismo compartilhado com quem aceitar recebê-lo, dado o caráter confessional que o livro imprime.

Me realizo duplamente com este lançamento. Me liberto de anos de dor, compartilhando e me desnudando de um passado um tanto quanto assombroso e me vejo, finalmente, como alguém que alcançou uma meta traçada há anos e agora está pronto para compartilhar sua primeira obra literária com todos. Além de meu primeiro livro, quem adquirir “Todo Amor Que Nunca Te Dei” estará adquirindo uma reflexão sobre recuperar o amor próprio e sobre saber retirar-se quando não se é mais servido.

Abaixo deixo o link do site da editora para que possas adquirir o teu, que tem mais de 35% (menos 18 reais do valor total) de desconto nesse primeiro mês:

https://www.editoraflyve.com/todo-amor-que-nunca-te-dei

O AUTODESAFIO

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Tudo começa com um desejo básico: ser melhor. Seja um amigo melhor, um namorado melhor, um dono de casa melhor, um fillho, um profissional, um quarentenado, o que quer que seja melhor nasce no desejo. Depois começa o autodesafio.

Melhorar não é algo que acontece do dia pra noite. Aprimorar-se exige tempo, dedicação e, até mesmo, paciência. Paciência, sim, pois temos de entender nosso próprio ritmo.

Algo muito comum nesse processo, e um ato falho, é comparar-se. Fulano conseguiu mudar de vida e hoje tem a profissão dos sonhos e tudo isso aconteceu em menos de seis meses. Fulaninha tá com um corpo invejável, em apenas quatro meses ela está quase igual a Barbie. Beltrano conseguiu sair da depressão e agora parece estar em um relacionamento maravilhoso. Essas são apenas algumas das comparações que é comum ouvir no processo de autodesafio de melhora de vida.

No que elas acresentam algo em nossa vida? Possivelmente em nada. Em alguns casos elas até podem servir de impulso pra que nos dediquemos mais, mas temos de relembrar que cada um tem um ritmo. Em outros casos elas geram desespero por provocar a necessidade de fazer sua vida acontecer tão rápido quanto o outro o fez.

Autodesafiar-se implica em buscar formas de melhorar no sentido proposto a fazê-lo. Se quero ser um filho melhor, devo dar mais carinho e atenção aos meus pais ou, talvez, buscar ser mais empático nos momentos conflituosos de discussão, que toda família tem. Se quero ser um profissional melhor, preciso me dedicar a me atualizar em minha área e buscar o possível “algo a mais” que me faça destacar-me em meu mercado. Se me proponho a ser um namorado melhor, devo atender às necessidades do meu relacionamento, como não focar apenas nos defeitos, reservar mais tempo pra quem amo, fazer pequenas surpresas que mudem o dia a dia de casal e assim por diante.

Encarar o autodesafio para uma mudança exige um bocado de qualquer um. Mas nada é inalcançável se temos foco e boa vontade. Uma mente aberta pode ser chave para abrir portas nos relacionamentos e em oportunidades jamais imaginadas antes. A chave do progresso é a repetição de tentativas. Ninguém tem êxito de primeira, mas com dedicação a gente chega lá. E se acreditarmos nisso, já é meio caminho andado pro sucesso.

VIVA A RESSURREIÇÃO

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Hoje, domingo de Páscoa, feriado tradicionalmente cristão, algo que não sou, a maior parte da população celebra o renascimento de Cristo. Isso só me lembra uma coisa que aprendi com os ensinamentos cristãos que me foram passados na minha infância: todos renascemos inúmeras vezes ao longo da vida.

Renascimentos se dão diariamente e após períodos específicos da vida, isso nos torna mais fortes e sábios, Se tu venceste uma doença difícil, tu renasceste. Se tiveste um período de crise financeira e saiu dessa, pois é, amigo, tu nasceste novamente. Se tiveste problemas com depressão, ou ainda tens e luta contra isso, tu renasceste e renasces todos os dias ao acordar e manter-se firme e forte. Se tu és uma mãe solo e luta pela sobrevivência de tua família, tu, além de uma guerreira, és uma pessoa que renasce a cada sacrifício. Se tu és negro e sofre na pele o racismo que o Brasil carrega de quatrocentos anos de escravidão, tu sempre serás uma fênix, de tanto que renasces. Se tu és LGBTQIA+, em nosso país, que é o de maior índice de mortandade por crimes de LGBTfobia, tu renasces toda vez que chegas com vida em casa, seja grato.

Ao longo de uma vida a gente enfrenta tanta coisa. É tanto cair e levantar, tanta apunhalada da vida, que nos faz sangrar e definhar, por vezes por dias, pra sofrermos com a morte de quem éramos e nos tornarmos uma versão melhor e superior disso. Isso nos torna seres que morrem e renascem quantas vezes necessárias em uma mesma existência.

Que a data de hoje sirva pra nos lembrar disso. Lembremos que somos altamente capazes de superar nossas mortes nos tombos, falhas, fracassos e lições da vida. E que encaremos cada desafio superado como um renascimento. Afinal, cada um sabe a cruz que carrega por ser quem se é.

Lembremos também que, embora estejamos vivendo um período de introspeção, onde nos isolamos socialmente e nos afastamos de quem amamos por um motivo nobre, de mantermos nossos corpos saudáveis e vivos, ao término disso todos renasceremos com os aprendizados deste período. Enfim, que viva o renascimento de cada um de nós, toda a vez que a vida nos cobrar morrer e renascer.

ISOLAMENTO SOCIAL E MUDANÇA DE ROTINA: RESPIRA, NÃO PIRA

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Então, não sei você, que está lendo esta crônica, mas eu posso me dar ao luxo de atender a decisão do governador do Estado do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e da OMS (Organização Mundial de Saúde) e seguirei meu mês de abril em completo isolamento social. Em meio a isso, eu, que achava muito fácil ter uma vida regrada, na medida do possível, e ser organizado para ter minhas rotinas necessárias, como hora pra trabalhar, atividade física, comer sem excessos e etc, me vi em dez dias completamente fora de qualquer rotina. Aí um leve desespero me bateu.

Sei que são tempos difíceis e que não estamos habituados a uma mudança drástica. E, embora eu já esteja acostumado a ficar em casa por muito tempo e fazer meus trabalhos como freelancer sem por os pés na rua por dias, a impossibilidade de sair pra uma voltinha em um domingo de sol ou um encontro com amigos pra fazer uma noite de jogos e bons drinks já começa a deixar saudades. O isolamento começou a dar seus primeiros sinais de desconforto e toda serenidade com a qual eu tenho levado o período de quarentena parece ir e vir em alguns momentos, brincando assim de me deixar a beira de um ataque nervos.

É normal que a falta de controle sobre a situação nos deixe por vezes atônitos. Eu, particularmente, sempre gostei de ter tudo muito controlado e bem organizado. Sou do tipo que tem agenda de papel, mural com post its indicando minhas atividades semanais dos próximos dias ou meses e assim me guio por bons tempos. Estar nessa “vibe” de não saber se a quarentena se estenderia ou se tudo voltaria ao normal me fez ficar meio que sem motivação a me organizar pros próximos tempos. E isso, para um virginiano é meio estranho.

Tu também podes ter te sentido assim. Podes ter estranhado a forma como reagiste aos primeiros dias de isolamento social. Podes ter estranhado o quão fora do eixo ficaste com o trabalho em casa ou até como facilmente se adaptou a vida de home office. Cada um de nós reagiu de uma forma diferente, uns deram uma relaxada, outros conseguiram regrar-se e outros apenas deixaram fluir e seguiram como deu, o que foi o meu caso.

Hoje, de ontem pra hoje aliás (terça-feira, dia em que escrevo esta crônica), me vi mais organizado, embora tenham horas do dia em que me permito relaxar um pouco mais e não me cobro tanta pró atividade. Preciso estar regrado para entregar trabalhos ainda e meu segundo livro (que tenho como prazo o fim de maio), mas estou em uma posição privilegiada de não precisar de uma rotina muito bem estruturada para administrar minha demanda.

O segredo é, independentemente de tu estar trabalhando em meio ao caos do isolamente social ou de estar mais livre para fazer qualquer coisa e, ainda assim, estar se sentindo perdido em meio a essa nova forma de viver, respirar fundo e abraçar o que tu podes fazer no momento. Não tentemos dar passos maiores que nossas pernas. Não sejamos injustos com nós mesmos abraçando muitos trabalhos, projetos para simplesmente ocupar nossa cabeça e tempo porque o excesso nunca é benéfico. Então, fiquemos bem apenas atendendo nossas necessidades e, se necessário, as obrigatoriedades e nada mais. E, caso sinta-se a beira de um surto lembre-se: respira, não pira. Tudo é o agora te dando um susto, nada será eterno e amanhã é mais um dia.

Nota: Se puder #FicaEmCasa

BENDITA NOIA

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Não é de hoje que eu identifico algo pequeno, mas que por vezes pode tomar proporções enormes em minha vida, chegando e me remoendo por horas. Começa com um pequeno pensamento ruinzinho, uma badzinha, eu diria, que aos poucos eu vou alimentando e quando vejo já vira aquilo que eu mais detesto e temo viver, a noia.

Noia é a gíria para a palavra paranóia. Paranóia vem do grego “Para”, que significa próximo, quase, também contra em dois sentidos: perto de alguém, juntos, íntimos, mas também lutar ou guerrear contra alguém. “Nóia” significa razão, compreensão, entendimento. Segundo o dicionário popular, noia é o sentimento que se dá quando alimentamos algo que surge, e só existe, em nossa mente. Pode ser um pensamento bobo e sem pretensão de machucar alguém, mas quando entramos na onda da noia e deixamos que ela cresça, pode chegar ao ponto em que nem nós mesmos nos reconheçamos dadas tamanhas alterações que nos causam.

Ser uma pessoa noiada, como eu me classifico ser, é terrível. Geralmente a gente sofre por antecipação, a gente cria situações que não existem e fica alimentando uns “e se” ou ”será” risíveis e ridículos. Temos noias porque o amigo deixou de procurar ou responder, pelo boy que não comentou na foto nova, “porque a fulana tá com a vida ótima e a minha tá tosca, se eu me esforço tanto quanto ela?” ou, até mesmo, noiamos em porque tá tudo tão perfeito e criamos um problema que existe somente em nossa cabeça pra dizer ”deu, agora tá normal, tem treta”.

Enfim, ter noia é ridículo. Pode parecer até o cúmulo da imaturidade aliada a falta de ocupação. Mas acredite, todo mundo acha tempo para uma noia, até mesmo a pessoa mais ocupada do mundo arranjas seus minutinhos. A noia exige e merece ser tratada e reparada antes que gere danos psíquicos e até físicos a quem as tem quem os cerca.

A noia já é algo que faz tanta parte da vida de algumas pessoas que até já virou tema de podcast. A maravilhosa escritora e roteirista Camila Fremder criou ano passado o sucesso É NOIA MINHA?. No podcast, onde junto de convidados, ela debate se eles têm as mesmas neuras que ela referente a noia proposta de tema na semana. Sempre rende bons risos, boas observações, reflexões e ao final até rolam dicas de como lidar ou superar a noia da vez.

Concluo que a gente deve ter paciência e encarar a noia sem medo. Expor pra psicóloga, amigos e parceiros ajuda e pode fazer com que a noia suma ou diminuir noias contínuas. No início, eu evitava falar sobre, guardava pra mim e isso só fazia com que esses pensamentos durassem dias e dias. Hoje eu solto tudo, escrevo, conto sobre, analiso e me livro sempre que dá. No fim, já tô tirando de letra com tanta frequência que quando me surge alguma eu já penso: “noia nova, seja bem vinda. Pode entrar que junto a gente se trata e logo te despacho”.

A CHAVE PARA O SUCESSO: DISCIPLINA, METAS E LISTAS

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Se tem algo que vejo em comum na biografia de diversas pessoas bem sucedidas, esse algo é que eles são extremamente disciplinados, guiam-se por estabelecer metas e criar listas. Se tem algo que minha experiencia própria diz que funciona para fazer acontecer suas realizações pessoais, adivinhe o que é: disciplina, ter metas e usufruir de listas para alcançá-las. Sim, foi assim que eu guiei meu ano de 2019 para conseguir escrever mais, fazer com que o blog não parasse, ser publicado no jornal, conseguir alguns jobs, escrever dois livros em alguns meses, sim, dois, e realizar o meu maior sonho, assinar um contrato de publicação de meu primeiro livro.

Nada cai do céu, já se diz por aí popularmente. Então, se tu queres algo, é necessário que tu faças por onde. Como faremos por onde se não tivermos disciplina e organização mínimas? Madonna, Gisele Bundchen, Steve Jobs, Fernanda Young, Fernanda Montenegro e até mesmo Silvio Santos, todos começaram pequenos e começaram doando-se para seus sonhos estabelecendo pequenas metas para que, aos poucos, chegassem longe.

Em um dia em que tinha algumas coisas pra fazer e eu queria fazer um milhão de coisas a mais, me peguei fazendo algo que meu virginianismo me move a fazer desde a adolescência: listas. Quem corre atrás de realizar-se sabe que sem metas e o auxílio de listas parece que nada anda. Olhei para trás e revisitei o Braian de 2019, que em maio retomou o blog, em agosto estava sendo publicado em jornal, em novembro tinha um livro escrito, em dezembro o segundo livro e, também em dezembro, um contrato assinado para a publicação do primeiro livro. Tudo isso hoje me parece impossível sem o auxílio de listas.

Comecei traçando uma lista do que queria realizar no ano. Foi uma lista a longo prazo. Depois eu fui semanalmente fazendo listas para o que devia cumprir em sete dias para que tudo fluísse. Por fim eu fazia listas diárias com tarefas menores e mais urgentes. As tarefas diárias incluíam escrever um texto por dia, escrever um capítulo de livro por dia e ler no mínimo trinta páginas de livros por dia, para aprimorar-me como leitor. Também incluí em minha lista diária esporadicamente assistir vídeo aulas de escrita criativa. Assim, ao final do ano meus resultados foram além de minhas expectativas.

Não sou um sucesso literário. De fato nem senti o gostinho de livro lançado ainda, o que acontece primeiramente com o e-book MONOLOGAY, coletânea de crônicas de 2009 a 2020, em 13 de abril e também na pré venda do romance autobiográfico TODO AMOR QUE EU NUNCA TE DEI em 4 de maio. Mas se tem algo que posso dizer que aprendi com 2019 é que se impor disciplina, estabelecer metas e se organizar por listas é, sim, a chave para a realização pessoal. E realização pessoal, para mim, já é o sucesso alcançado e o coração aquecido.

RAD – RELACIONAMENTO A DISTÂNCIA

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‘Querendo dá’ diz a canção Outro Sim de Fernanda Abreu que nos passa a mensagem clara de uma máxima da vida: quem quer faz acontecer. Assim é pra quem, mesmo com nossa educação aos trancos e barrancos, quer estudar, quem quer viajar, quem quer perder peso, enfim, assim serve pra tudo na vida, inclusive algo que vivo atualmente, um relacionamento a distância. 246km de distância, para ser mais preciso.

Não é todo dia que a gente tá realizado da vida por simplesmente ter encontrado alguém mais do que especial. Tem dias que a falta daquela pessoa por perto pesa e pesa muito. Ainda mais se, como no meu caso, parece que tu tens anos de vivência com a pessoa, assim tudo tem um peso extra dada tamanha afinidade. Mas eu sempre costumo pensar que poderia ser pior. O meu par poderia ser alguém que vive no Japão e eu sentir que, mesmo com a distância, somente essa pessoa me completa e ela merece que eu espere por ela o tempo que for.

Não levo todo e qualquer relacionamento como complicado, a não ser que seja abusivo. Nesse caso eu pulo fora ao primeiro sinal sem ao menos dar chance de render o mínimo que poderia. Creio que o ser humano é que tende a complicar as relações e ficar procurando pêlo em ovo. Eu mesmo já estive no time dos ‘complicadores’ e vez ou outra ainda tenho meus surtos de leve. Mas o que importa é que pra qualquer relação se dar é necessário doação, doação essa que eu sinto em meu relacionamento, que, mais do que qualquer outro que já vivi, é movido por reciprocidade.

No fim das contas, com todos os aparatos proporcionados pela tecnologia e modernidades, a saudade acaba sendo mero detalhe que serve de combustível para um reencontro surreal e delicioso. Enquanto isso as conversas via whatsapp, repletas de áudios, imagens, gifs, vídeos e chamadas de vídeo intensificam-se e fazem do relacionamento a distância apenas mais uma forma de amar, sem grandes complicações ou empecilhos.

Pode até ser longe, mas encarar as cinco horas de viagem com a expectativa de ter o toque, o beijo, o sorriso e o carinho da pessoa amada não tem preço. E nos últimos minutos de viagem, quando já está chegando ao destino, sentir o coração disparar e o alívio que dá ao ver o ser amado vindo em tua direção com um sorriso largo no rosto, isso só intensifica que distancia nenhuma separa dois corações apaixonados, afinal: querendo dá.