POR ISSO CORRO DEMAIS

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Todos sabem que eu corro. Corro todos os dias, embora tenha ficado quase seis meses sem poder fazê-lo. Mas, agora que posso, retomei o hábito e tenho corrido até a exaustão. Entretanto, não sinto que tenho ficado satisfeito com isso. Talvez por não correr visando boa forma física, mas sim um pouco de resgate de saúde mental. E, ainda assim, não é o suficiente.

Eu corro para que os dias passem rápido, pois sei que somente com o passar do tempo distâncias serão encurtadas e minha ansiedade e tristeza profunda pelo afastamento de muita gente que amo terão fim. Por isso corro. Corro do momento atual, talvez.

Eu corro para ter aquele momento fora de casa, já que fora de mim já estou há muito tempo. Tanto que nem faço questão de esconder, admito que o que se vê em mim de uns tempos pra cá é apenas um corpo vagando procurando pela sua essência que 2020 tirou em algum dia de quarentena.

Eu corro porque sinto que estou perdendo tempo e que, apesar de não poder reclamar muito, 2020 nos tirou o fôlego e, talvez, até o caminho que visávamos seguir antes desse caos todo que a pandemia nos trouxe.

Eu corro, corro, corro e sinto que não chego a lugar algum. Sinto que não alcanço pessoa alguma, que não me encontro, que correr uma vez ao dia é apenas um escape leve quando eu deveria correr manhã, tarde e noite pra ver se o tempo passa mais rápido, se a ansiedade diminui, se a saudade é esquecida e se me lembro quem eu sou em meio a tudo isso.

Mas talvez, essa corrida suada que parece não ter linha de chegada deva ser pausada. Sim, talvez eu deva me dar uns dias de folga dessa atividade. Lembrar de ler, escrever, meditar e me voltar para o lado de dentro pode ser uma alternativa mais sadia agora. Agora é a hora de para de correr de mim.

ME DEIXA RECLAMAR

Ocorre com frequência. Naquelas trocas de ideias com amigos ou familiares, chega aquele momento em que tu fala algo do tipo “nossa, não aguento mais essa situação” fazendo um desabafo honesto sobre algo que tu tens vivido e o que tu tens como resposta é um “ah, mas tu és privilegiado, porque tá tudo bem na tua vida, tu tens teto, tem o que comer, tem família e tudo mais”. Como responder para essa pessoa sem ser grosso, eu já não sei, tendo em vista que ando sem paciência até para olhar pros lados ao atravessar a rua.

Isso, que tem me acontecido com maior frequência do que eu gostaria, de ter essas objeções como resposta me leva a refletir o quanto o que as pessoas vêem do básico que se tem não garante felicidade e satisfação de ninguém. Essas “coisinhas” que as pessoas pontuam que devem te deixar realizado por “ter” jamais serão o suficiente se formos analíticos e tivermos o bom senso de perceber que “isso” é o mínimo que todos deveríamos ter direito.

“Mas Braian, nem todo mundo tem essas comodidades’, então não reclame de barriga cheia”. Concordo que nem todo mundo possui o básico para viver bem, e que isso é triste, mas possuí-lo não isenta ninguém da insatisfação com coisas que incomodam no dia a dia como problemas de convivência familiar, falta de reconhecimento no trabalho (seja pela falta de um cargo melhor ou um aumento salarial), falta de compreensão e atenção de parceiro(a) ou amigos. Enfim, há tantas coisas que nos complementam e que podem estar em desequilíbrio que eu perderia mais um bom tempo digitando sem pausa nem para um café.

Quando alguém reclama da vida para ti, ela não está apenas se exclamando e expondo o quão difícil tal situação é para ela, ela está confiando na tua capacidade de auxiliar com uma resposta mínima que seja. Pode ser até o bom e velho, e por vezes insuportável, “respira fundo que vai passar”. O importante é a troca. E quando me encontrar na rua ao acaso ou me chamar no whatsapp, por favor, não me venha com o discurso de “reclamar de boca cheia”. Apenas me deixe reclamar antes que eu exploda. Afinal, como já me é rotineiro lembrar: “a percepção de pequenos incômodos é a chave para realizar grandes mudanças”.

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BENDITO SEJA O PASSADO

“Bendito são meus pés que me guiaram até aqui” diz um trecho de uma prece pagã. Demorei a entender seu real significado,  entender que em tudo há um toque do Divino (chame de “luz”, universo, Deus, Buda ou o que preferir) e que se aconteceu é porque precisávamos para que fossemos guiados para um bem maior, o agora.

Bendito o caderninho azul da Jean Book, que tenho desde os anos 2000. Nele anoteii, em inglês, minhas percepções da vida. Nele tentei me resolver na adolescência conturbada, cheia de dúvidas e medos que hoje não me assustam mais. Também foi nesse caderno que fiz as letras das músicas de minha banda e ousei criar alguns poemas.

Bendito seja o caderninho de New York, comprado mais barato porque tem um rasgadinho na capa. Esse caderninho me acompanhou durante o curso técnico de Publicidade e Propaganda. Nele registrei o curso, insights de minhas primeiras campanhas publicitárias e até desenhos e ideias do que ainda quero um dia produzir.

Tenho também um sketchbook, de caveira da John John, dedicado a pessoas que admiro e também onde colo imagens de coisas (materiais mesmo) que sonho em ter, lugares que quero visitar, rabisco uns desenhos não muito bons, mas que me ajudam a desopilar e ainda escrevo, muito mal (mas tento), uns poemas.

Bendito seja meu planner improvisado. Um sketchbook verdeque organizei semanas de setembro a janeiro, para poder me situar nos afazeres dos meses que faltam de 2020. Pois para mim agora tá tudo precisando ser anotado rigorosamente para que nada se perca nas tarefas do dia a dia.

Hoje, revisitando cadernos, encontrei nove companheiros antigos e quis separar os mais relevantes para revisitar aqui, embora todos tenham importância por serem parte de minha jornada de escrita e organização. Se não fosse o caderno e a caneta eu provavelmente não teria chegado tão longe sendo publicado e ainda recebendo mensagens lindas de gente que nunca tive acesso e que gostou do meu livro e se identifica com minha escrita.

Bendito seja o passado e cada passo dado na estrada que me conduziu a quem hoje sou. Bendita seja minha mão, que rabiscou manuscritos, digitou originais e me fez chegar até aqui.

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ENTÃO VOCÊ ME DEIXOU, E AGORA?

Imagem via Google

E repentinamente a gente se depara com aquilo que mais se teme quando apaixonado: o fim do tão sonhado “felizes para sempre”. Então você me deixou, e agora?

Agora a gente respira fundo e a vida segue, buscando os sonhos que se tem mesmo sem ter alguém ao lado. Agora a gente respira lembrando que valeu a pena, porque tudo vale a pena e deixa um aprendizado, por mais triste que um término seja. Então, agora a gente talvez até evite mensagens no Whatsapp, talvez silencie um ao outro nas redes sociais e evite ir fazer compras naquele mercado em que ambos íamos juntos. Então, agora a gente respeita o “luto sentimental” um do outro, como forma de demonstrar que a consideração ainda existe.

Agora dói? É óbvio. E é muito provável que ainda doa por um tempo. E é possível que jamais a gente se esqueça do que tivemos, pela profundidade como a gente tocou um o coração do outro. Afinal, se não fosse intenso a gente nem teria dado as mãos e pulado desse penhasco chamado medo para se aventurar nas águas, perigosas porém refrescantes, que chamamos de amor.

Resumindo: nem o teu, nem o meu mundo vai acabar com tua partida. Insensibilidade? Não, apenas bom senso. Bom senso esse, que só foi adquirido com uma coleção de términos que pareciam ser o fim do mundo. Bom senso esse, que é advindo da esperança e de toda minha crença no amor.

Términos são como dias chuvosos. Nos deixam introspectivos e trazem um clima sombrio e, por vezes, frio. Porém, como todo tempo ruim, esse período um dia acaba. E quando acaba e o sol chega, aí a leveza do valor solar ameniza tudo. E, com sorte, até arco-íris aparece para nos lembrar que o hoje é um dia lindo de se viver, mesmo depois de um fim.

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O QUE EU TENHO FEITO POR MIM?

“Minha vida tá difícil, não sei mais o que fazer” é a frase dita por 8 ou 9 a cada 10 pessoas. Sim, não tá fácil e viver não é “para amador”, como dizem. Mas afinal, quem é profissional nessa arte?

É necessário muito apreço pelo aprimoramento pessoal e pela busca de um propósito para se encontrar e fazer “a coisa toda” acontecer. Tem gente que passa a vida inteira tentando e, literalmente, morre sem saber a que veio. Mas não acredito que isso torna essa pessoa alguém que não serviu para nada em sua vida. Acredito que todos formamos uma teia e influenciamos uns aos outros. Mas, é claro, nada flui para nos sentirmos bem com nós mesmos se não fizermos por nós mesmos.

A maior parte das pessoas que reclama que está insatisfeito com a situação atual é a mesma que não faz questão de procurar ajuda, ou ler um livro, ou ir ao psicólogo ou médico que possa orientar de acordo com sua necessidade. Sei que alguns dirão: “mas Braian, não é fácil”. Eu sei que não. Porém, nem teu nascimento, que pode até ter sido uma cesariana, aconteceu sem sacrifício e esforço. Porque a vida tem de ser algo que apenas acontece?

Muita gente tem a visão, quase sempre errada, de que quem tá no topo ou numa posição bacana na vida é porque a vida facilitou, nasceu em berço de ouro ou deu sorte de estar no lugar e hora certos. Não sejamos hipócritas, existem pessoas de vida fácil. Mas, a maior maior parte das pessoas bem sucedidas chegou lá porque suou para pavimentar seu caminho. Ou seja, saiu da zona de conforto e enfrentou o seu “não é fácil” para abraçar o “posso e vou fazer o difícil”.

Viver é complexo e cada caso e um caso. Tenho certeza de que isso é fato e não se pode generalizar. Entretanto, a vida basicamente só te oferece duas opções: ou tu segues ou tu segues. Simples assim? Não, porque cada um sabe o peso de sua cruz. E minimizar a dor do outro é indelicadeza. Porém, a pior maneira de avaliar a vida é comparando-se aos demais. Então, o que resta e seguir e olhar para si com generosidade para encontrar seu próprio caminho e então perguntar par si mesmo: o que eu tenho feito por mim?

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PARABÉNS POR ESTAR SOBREVIVENDO

Bolo dizendo “FIQUE EM CASA”,
encontrado no Google.

Ainda não tenho certeza do quanto esse título é certeiro ou irônico. Certeiro porque realmente estamos sobrevivendo, praticamente por aparelhos, em 2020. Irônico porque se parar para analisar a dúvida que fica é “estamos mesmo sobrevivendo ou apenas nos deixando morrer?” Prefiro ser otimista e olhar pelo viés do “ao menos estamos respirando”, embora seja “do jeito que dá”.

O mesmo ano em que estou realizando o sonho de me lançar no mercado literário e que tenho sentido pequenas doses de realização pessoal após períodos difíceis, é o ano em que o mundo enfrenta uma das maiores crises e, consequentemente, todos estão encarando seus demônios e tendo de lidar com seu eu. A pandemia nos colocou na linha de frente da guerra pela vida e nos fez questionar toda nossa existência e como daremos sequência a ela.

Então, chega aquele dia em que, desde que me lembro, eu vibro na minha maior intensidade por ser um marco anual de que mais um ciclo chega e vou ter mais chances de fazer novas coisas acontecerem. Mas, este ano, eu não sinto assim. Eu apenas olho para os últimos meses e penso: “caraca, parabéns para mim por estar sobrevivendo”. Aliás, parabéns para todos nós.

Vou começar a tornar hábito o ato de deitar na cama e agradecer, ou acordar e agradecer, por ter sobrevivido mais um dia. Não tá fácil e disso todos sabemos. Haja Bons livros, bons filmes, boa literatura, bons vinhos, boas comidinhas, bons cafés e boa disciplina para não se revoltar e “meter o louco”, o que equivale a enlouquecer e se descontrolar, em linguagem popular. Haja paciência, para com os outros e para com nós mesmos, diariamente.

Se tu estás lendo isso aqui, comemore. Pois são CENTO E SETENTA E TRÊS DIAS desde que, lá em março, começamos esse exaustivo isolamento. É quase meio ano de pandemia e preocupações diárias com qualquer tosse, espirro ou dor. Somos vencedores dessa tentativa diária de se manter na corrida da vida, que não tem linha de chegada, mas tem muitos obstáculos e todos os dias temos renovado o contrato de corredores, mesmo nos dias em que desaceleramos. Então, me permito a repetição: PARABÉNS! Para mim, para ti e para todos aqueles que conseguem acordar e pensar “ufa, sobrevivi ao ontem”.

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CARTA PARA MEU EU DO ANO PASSADO

Olá, tu precisas saber a mudança drástica que tua vida vai ter. Vou te contar pouco por essa carta, mas sem muitos spoilers. Então, pega o lenço, porque essa visão super otimista de mudança pode te trazer algumas lágrimas.

Sei que agora tu recém começaste a ver uma luzinha no fim do túnel da tua jornada, que tem sido bastante sombria. Tu recém iniciaste a ser publicado no jornal e está a todo gás com tua escrita. Te segura nela, como tu faz desde a adolescência (quando só queria te entender e escrevia). Ela é teu passaporte pra ir pra lugares que jamais sonhou. Não, tu não vais viajar mto longe, mas vai sair de um lugar que sempre te deu medo de ficar tanto quanto teve medo de partir, a zona de conforto.

Aí em 2019 tu te seguras em poucas pessoas e já te sente grandão por receber o amor delas. Segura o coração, porque 2020 te traz gente ainda mais amável, criativa, calorosa, disposta a segurar tua mão e que te inspira só de existir. Ah, sabe aquele medinho bobo de errar, de cair, de fracassar? Aquele medinho que tu enfiaste no bolso por mais de trinta anos? Pois bem, ele será quase inexistente em um ano. Porque além do amor de muita gente incrível, tu vais potencializar teu amor próprio. E isso… Apenas não tem preço nem forma de explicar o quanto muda uma vida.

Tu estás te jogando em projetos que agora parecem apenas boas ideias para não enlouquecer em meio a uma situação meio incômoda de não poder viver plenamente. Mas TODOS esses pequenos projetos saem do teu computadorzinho e vão longe. Alguns chegam até na Irlanda por meio da internet hehe. Tu jamais pensou, mas tua determinação é sinônimo de realização. Porque tu já entendeu, aí em 2019, que te resolver escrevendo vai ajudar muita gente a se entender e se resolver também. Ta aí teu propósito. Então, só vai.

2020 tem peso de uma mistura agridoce. Tem algo muito grandioso ruim chegando. Mas tu estás tão ocupado correndo e suando pra chegar numa linha final da tua corrida que tudo será pequeno perto de ti. Tu apenas vai. O que ficou pra trás tu deixas. Amores, algumas amizades, mas principalmente as dores. Um corredor em meio a uma grande corrida não pode perder tempo cuidando de um arranhãozinho que alguns galhos inúteis de árvores o fizeram ter. Apenas corra. Mas não esquece de aproveitar a corrida e a paisagem. No fim das contas, tu sabes que não há uma linha de chegada. Viver é desfrutar a trajetória.

Do Braian Avilla de 2020, agora @elbraianavilla, para o “Braianzinho” de 2019, que mesmo encolhido em seu canto se faz um grande corredor.

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SÓ NÃO DUVIDO DA FÉ


Imagem de meu novo
artifício mágico da sorte.

“Reze suas preces e não conte com ninguém. Veja tudo como se não houvesse amanhã.” Para alguns pode ser apenas um trecho da música Emboscada, da cantora e compositora baiana Pitty, mas para mim, de agora em diante é mantra usado diariamente na tentativa de conter o surto nosso de cada dia.

Agosto, definitivamente, “não está sendo fácil”, como cantava Kátia (a cega) nos anos de 1980. A gente tenta conduzir com leveza. Se mantém em contato com família e amigos, busca conforto em comida, livros, filmes, música, vinho e meditação. Mas a real é que, desculpem a palavra, tá todo mundo fodido. O psicológico de ninguém está a salvo. Se não pela vida e pela condição de “quarentenado”, é pelas notícias cada dia menos estimulantes de um desgoverno que dirige “canoa furada remando contra a maré”, como canta Rita Lee. E ninguém suporta mais essa maré de má sorte que 2020 nos trouxe.

É todo dia um sete a um diferente e um turbilhão de notícias ruins acabando com a mente da gente. E quem outrora nos dava alguma esperança, de políticos a influenciadores digitais, agora já nos apresentam sua versão mais humana e cheia de erros. Não que que antes os endeusássemos. Mas agora é tanto “close errado” que agora não nos restou ninguém inspirador além de Monja Coen, Padre Fábio de Melo e Dalai Lama. Ou seja, somente pessoas muito apegadas em sua fé têm sido referências dentro desse caos instaurado pelo ano da pandemia.

Daí a gente relembra que tem uma força maior, que rege tudo isso. Seja ela Deus, Buda, Krishna, o Universo ou o que quer que seja que tu a nomeias, ela nos é combustível para que não sejamos mais um nas estatísticas dos sanatórios. Não sei bem pra quem rezo, mas o “rito” me mantém de pé e só peço, todo dia, por lucidez para permanecer erguido e dar amparo a quem precisa. Então eu sigo e “rezo minhas preces e não conto com ninguém, vejo tudo como se não houvesse amanhã”. Mesmo sentindo que, como canta Rita Lee na mesma música antes citada, “não acredito em nada não, só não duvido da fé”.

O PODER DAS PALAVRAS

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A vida me ensinou, tanto como escritor quanto como pessoa, que as palavras realmente têm poder. Sim, eu acredito que quando colocamos palavras pra fora estamos lançando ao universo e isso faz com que, bem ou mal, a palavra se potencialize para uma possível realização. Para uns pode soar um tanto quanto místico, mas para mim é bem simples. Ultrapassar a barreira entre pensar e falar tem um custo muito alto. Isso me lembra de uma frase que aprendi no paganismo: “cuidado com o que desejas, tu podes ter o azar de conseguir”.

Desde cedo eu vi as coisas acontecerem para mim, e muita gente ao meu redor, pelo poder da palavra. Seja mentalizando e depois repetindo como mantra ou pelo poder da oração, que é a palvra direcionada a uma força maior, chame de Deus, Universo (como eu prefiro), luz ou seja lá o que tu acreditas. O fato é que uma vez vendo isso se dar, eu comecei a usar a meu favor. Por isso, até evito ouvir músicas tristes e negativasr. Ao ouvir eu canto e jogo pro universo uma energia que não está conectada com meu propósito. Isso é tão real que, quem me conhece sabe, eu raramente ouço música lenta ou triste, salvo uma ou outra da Alanis Morissette ou da Madonna (minhas maiores ídolas).

A palavra se estendeu além da superstição quando falo que as palavras mudaram minha vida. Pois eu tornei as palavras minha fonte de renda. Embora nem sempre tenha esse pensamento de comprometimento e responsabilidade com minhas palavras, eu soube fazer delas muito mais do que minha forma de expressão e hoje elas são meu ganha pão, basicamente. Não vivo da literatura, mas produzo textos de cunho publicitário para redes sociais, escrevo para blogs e escrevo até livro para terceiros por encomenda, como ghost writer (escritor que escreve como “fantasma”, recebendo para que o contratante ou outra pessoa assine pela obra).

Ao longo da vida aprendi o poder da palavra mal intencionada e o quanto as palavras podem exercer impacto na vida de alguém. Houve um tempo em que as palavras de outra pessoa, uma professora do curso de Letras, quase me fizeram desistir da escrita. Professora Clarice uma vez disse “por favor, nunca diga a ninguém que fostes meu aluno, pois tua redação está horrível e talvez jamais se forme em Letras assim”. Mas isso não foi uma nota em vermelho escrito em uma prova, foi um dizer em um tom debochado de voz e volume alto na frente de mais de trinta colegas de aula. De fato, não me formei em Letras, mas em publicidade e acabei me tornando redator e em 85% dos meus trabalhos hoje é a minha redação que faz cair dinheiro em minha conta. Também é ela, a escrita, que me levou a ter meu primeiro livro lançado sem precisar investir um centavo nisso. As palavras desta professora não me desmotivaram, embora até poderiam, pois foi pesado e duro ouvir isso. Porém, três anos depois comecei meu blog, que também me fez chegar mais longe escrevendo e faz parte de meu portfólio.

Confesso que as palavras de Dona Clarice me atormentaram por anos toda vez que sentava pra escrever. Mas hoje elas me fazem lembrar que realmente eu talvez não conseguisse me formar em Letras nem se tentasse. Mas sei que hoje sou formado em persistência, em me reconstruir quando o meu mundo desaba e em tornar minhas experiências literatura e fazer com que gente que eu nem conheço compre meu trabalho e me envie uma mensagem linda em meio à um dia ruim ou ao caos da quarentena, o que me emociona e me motiva ainda mais.

Acho que me formei em um estrategista de palavras, que escreve e reescreve pra que tudo faça sentido e, ao final do texto, eu me sinta realizado com o que está escrito. Também posso dizer que me formei em avaliar o peso e poder das palavras. Seja as minhas nos outros, usando meu texto com responsabilidade. Seja as dos outros em mim, ouvindo e absorvendo somente aquilo que me acrescenta em alguma coisa. As palavras tem todo o poder, mas todo dia me lembro que eu sou o dono delas. Então, eu escolho que palavras darei poder ou não.

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DIA “DAQUELES”? AUTO TERAPIA

Imagem via Google

Tô vivendo uma série daqueles dias que nem a gente se suporta e chega até a dar dó de quem tem que suportar. Mas tenho vivido também pequenas insatisfações que justificam dias ruins. Nem sempre tô disposto a sanar essas pequenas insatisfações conversando sobre, daí eu apelo pro que chamo de “terapia alternativa”: meu caderninho do desabafo ou o caderninho da escrito terapia.

São tempos pesados. A grana tá pouca. A sanidade tá por um fio. E o afeto, em boa parte, fica comprometido pelos nervos a flor da pele ou fica só via telas, para quem se isolou sozinho. Na falta de oportunidade, pelo isolamento, ou condições, pela escassez de dinheiro, a gente tenta remediar-se como pode. E para mim, e muita gente, ler e escrever é sempre a melhor fuga ou reencontro consigo mesmo.

Sejamos honestos: nada se compara ao ombro amigo e, muito menos, à ajuda profissional. Tem dias que daria o que não tenho por 30 minutos de terapia. Mas na falta de possibilidade de ambos, bora escrever. Se expressar não é tão difícil e faz toda a diferença depois que terminamos o “ato do desabafo”.

Começo com algo básico, o problema. Então vou descrevendo as sensações, o desconforto. Busco na memória e nos sentimentos as possíveis causas. Depois me auto analiso e avalio se o problema não é algo que eu mesmo criei, uma paranoia minha. Se é o caso, eu tento me aconselhar, porque as respostas sempre estão em nós mesmos, em formas de solucionar isso. Se o problema for externo, aí está acima de mim e trabalho meu psicólogo pra aceitar isso.

É óbvio que tudo não termina depois desse ritual simples. Afinal, sou um ser humano e tenho complexidades e relutâncias com mudança, como qualquer pessoa. Mas a verdade é que, após identificar tudo a gente já assimila que tem de mudar e o que tem de mudar. Não me resolve a vida, confesso. Mas me abre os olhos. Agora licença que meu caderninho tá esperando pra mais uma terapiazinha.

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Iniciei, alguns dias atrás, um canal no youtube, o Momento LGBTQ. Assista ao 1º vídeo, se inscreva e saiba mais sobre no player abaixo: