DIA “DAQUELES”? AUTO TERAPIA

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Tô vivendo uma série daqueles dias que nem a gente se suporta e chega até a dar dó de quem tem que suportar. Mas tenho vivido também pequenas insatisfações que justificam dias ruins. Nem sempre tô disposto a sanar essas pequenas insatisfações conversando sobre, daí eu apelo pro que chamo de “terapia alternativa”: meu caderninho do desabafo ou o caderninho da escrito terapia.

São tempos pesados. A grana tá pouca. A sanidade tá por um fio. E o afeto, em boa parte, fica comprometido pelos nervos a flor da pele ou fica só via telas, para quem se isolou sozinho. Na falta de oportunidade, pelo isolamento, ou condições, pela escassez de dinheiro, a gente tenta remediar-se como pode. E para mim, e muita gente, ler e escrever é sempre a melhor fuga ou reencontro consigo mesmo.

Sejamos honestos: nada se compara ao ombro amigo e, muito menos, à ajuda profissional. Tem dias que daria o que não tenho por 30 minutos de terapia. Mas na falta de possibilidade de ambos, bora escrever. Se expressar não é tão difícil e faz toda a diferença depois que terminamos o “ato do desabafo”.

Começo com algo básico, o problema. Então vou descrevendo as sensações, o desconforto. Busco na memória e nos sentimentos as possíveis causas. Depois me auto analiso e avalio se o problema não é algo que eu mesmo criei, uma paranoia minha. Se é o caso, eu tento me aconselhar, porque as respostas sempre estão em nós mesmos, em formas de solucionar isso. Se o problema for externo, aí está acima de mim e trabalho meu psicólogo pra aceitar isso.

É óbvio que tudo não termina depois desse ritual simples. Afinal, sou um ser humano e tenho complexidades e relutâncias com mudança, como qualquer pessoa. Mas a verdade é que, após identificar tudo a gente já assimila que tem de mudar e o que tem de mudar. Não me resolve a vida, confesso. Mas me abre os olhos. Agora licença que meu caderninho tá esperando pra mais uma terapiazinha.

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Iniciei, alguns dias atrás, um canal no youtube, o Momento LGBTQ. Assista ao 1º vídeo, se inscreva e saiba mais sobre no player abaixo:

ALGUÉM ME DESLIGA, POR FAVOR

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Tem vezes que meu cérebro não descansa e, nem mesmo dormindo 6h (meu limite aceitável) por dia, não sinto que depois do sono descansei. Sempre vou deitar pensando no que preciso fazer no dia seguinte. Por um lado é maravilhoso, sei que sou responsável e organizado, modéstia à parte, mas sei que isso me leva a um esgotamento anormal, sem contar no sentimento de insatisfação que eu sinto ao terminar um dia que deixei de fazer uma tarefa ou outra, mesmo sendo algo sem prioridade.

Começo meu dia quase sempre às 8h, isso agora no inverno (na primavera e verão é 6:30 ou 7h). Respondo e-mails, verifico o que tenho de job no dia e o que tem em sites de freelancers pra me inscrever e ter mais jobs, isso enquanto tomo café. Sim, eu não tomo café como parte de um processo do despertar, eu o faço já ligado em 220 volts. Depois disso, checo redes sociais e mensagens. Durante o período de promoção da pré-venda de meu primeiro livro, contatava meu editor todo dia de manhã (porque sou chato, admito). Depois de listar o que preciso fazer pro resto do dia (eu amo fazer listas de tarefas), dou uma pequena geral na casa, ouvindo podcast pra “otimizar meu tempo” consumindo conteúdo relevante.

Passo o almoço tentando relaxar mas já pensando no que precisa ser feito durante a tarde. Tenho dois projetos, mais cliente de social media que me tomam tempo em planejamento e criação de conteúdo. Sem contar os estudos de escrita, autonomia profissional, criação de conteúdo e demais leituras que dou um jeito de inserir na correria da semana.

À noite, após Alef ou eu fazer a janta, curtimos ver algum filme ou série. Como nem sempre temos tempo pra algo longo, pois quase sempre planejamos conteúdo pro dia seguinte (seja pra redes sociais ou algum job e isso nos toma tempo até umas 22 ou 23h), então optamos pelo youtube mesmo. Alef dorme antes de mim e eu fico até umas 2 ou 3h lendo, às vezes também aproveito esse tempo para escrever. Enfim, é tudo muito parado se for descrever, porém meus neurônios fritam. Eu sinto que devo estar sempre produzindo, tanto que revezamos um dia pra cada escolher o filme e eu sempre opto por algo que sei que pode me inspirar a trabalhar ou que posso indicar depois. Isso é meio insano, mas esse sou eu.

Acho que, assim como uma grande quantidade de gente, essa produtividade é uma tentativa excessiva de me ocupar diante de um momento em que estamos todos meio surtados. Me jogo em produzir e me sentir útil. Também, nesse período, tenho dito sim a todos os projetos que acredito serem bons pra mim e que creio dar conta. Sendo assim, quando termino algo e entrego um job já tenho algo na fila para que não fique ocioso.

Tem dias, em não são poucos, em que eu penso “alguém me desliga, por favor”. Só que eu sei que meu rendimento depende de mim e se ficar parado vou começar a noiar com as notícias da pandemia, a política nacional, as catástrofes naturais etc. E deixar minha mente seguir esse caminho seria algo totalmente paralizante pra mim, me conheço e sei disso. Então, sigo produzindo o máximo que posso, criando mil e um projetos, escrevendo horas por dia e dormindo o básico para enlouquecer feliz e de um jeito proveitoso.

Se tu és do time hiper produtividade e vive acelerado e é ok com isso, apenas seja feliz nesse ritmo. Agora se tu és dos mais relax ou da leva que ainda nem se habituou a qualquer tipo de ritmo ou rotina durante o isolamente, sinta-se bem também. Ninguém tem obrigação alguma de ser desta ou daquela maneira. A vida não tem uma cartilha de boa conduta ser seguida. Segue teu tempo e aproveita ele como tu podes. Bem, acho que por hoje chega. É domingo e vou sair desse notebook para relaxar como um ser humano normal, ou quase.

Ouça agora o novo episódio do meu podcast, Estante LGBT:

TEM DIAS QUE A GENTE TRANSBORDA

Gratidão 💟

Esta terça-feira foi um dia diferente, muito além de qualquer outro dia ou expectativa criada para um dia que já começa com o selo de dia comum, a terça-feira. Mas a vida é um clichezão, ou seja, uma bela caixinha de surpresas.

Comecei meu dia com saudade de amigos, família, vó, mãe, irmãos, primas, tudo e todos pareciam vir em minha memória fazendo parte de uma leve pontada de tristeza que me deixou de mau humor. O clima frio e chuvoso também não ajuda muito a gente a olhar as coisas pelo lado positivo de que estou em isolamento. Posso me dar ao luxo de estar em isolamento. Além disso, estou ao lado de um homem que amo e me ama. Enfim, sou privilegiado, sei disso, porém isso não me isenta de momenos de tristeza ou dor.

Então, me permiti olhar pra minha tristeza com carinho. Me permiti apenas viver meu dia ruim. Escrevi um pouco logo após o almoço. Escrevi num caderninho, que tenho sem pretensões de publicar os textos ali registrados (meu caderno de escrito terapia), aquilo que me incomodava, meu descontentamento comigo mesmo por me sentir mal. Em instantes lotei uma folha e me resolvi um pouco com meus sentimentos. Foi libertador, como a escrita me é desde a adolescência.

Pouco depois peguei no sono. Um sono leve, que não durou muito. Após acordar, segui meu dia. Me senti menos pior, porém ainda sentia o dia arrastado e a sensação de que não era meu melhor momento e isso era tudo. Tudo que eu tinha e que eu podia ter até então.

Algumas horas se passaram com algumas distrações. Páginas de livros, vídeos no youtube, café, sanduíche, nada que buscasse me trazer uma nova emoção. Já estava entregue a esse dia sem surpresas. Mas a vida tem dessas de fazer o mundo girar e nossa energia mudar com uma boa nova. Então, no instagram, fui marcado numa foto nova da editora Flyve, responsável pela publicação de meu 1° livro, Todo Amor Que Nunca Te Dei. Essa foto fez toda diferença em minha vida e o que ela comunicou faz toda a diferença em minha carreira.

Em uma arte simples temos a capa de meu livro e uma faixa vermelha com o comunicado que diz que o livro digital ultrapassou 1500 downloads na Amazon. Mil e quinhentos é um número muito significativo para um novo autor. Nosso país é um país de poucos leitores. Um livro com boa tiragem inicial tem de três a cinco mil cópias. Ter alcançado esse número e ver meu livro na trigésima posição da categoria Romance Gay, foi além de toda e qualquer expectativa.

Transbordei. Transbordei realização. Transbordei a alegria de ver bons frutos de minha dedicação como escritor e produtor de conteúdo LGBTQ+. Também transbordei porque sei que devo isso a uma linda rede de apoio da comunidade LGBTQ, que vai além dos shades e visões negativas as quais às vezes nos apegamos e ficamos com um pé atrás. Então, percebi que transbordava de ser quem sou e do apoio de gente que luta todo dia pra ser quem é sem medo.

Gratidão a todos que transbordam isso juntxs.

Ouça agora o novo episódio do meu podcast, Estante LGBT:

CONSUMO LGBTQ+, FAÇA PARTE DA DIFERENÇA

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Estou há dias começando um processo de mudança, que não tem sido difícil mas, que exige muito de pesquisas e de uma melhor percepção de tudo que há ao meu redor. Estou reeducando o meu consumo, começando pelo digital, e focando no consumo de conteúdo LGBTQ+. Sabe aquele papo de “ninguém solta a mão de ninguém” e “bora ajudar as manas”? Então, não é tão difícil e decidi que tornaria isso algo real e que vai além de meme.

A tarefa, ao primeiro momento, pode não parecer um super desafio, pois sabemos que o número de LGBTQs produzindo conteúdo é algo crescente e temos visto conteúdos fantátsticos e repletos de boas dicas, boas referências e bom gosto. Quando o assuno é produção cultural, então, aí a comunidade LGBTQ+ é um prato cheio. Tem sido incrível descobrir essa infinidade de conteúdo e produções. É incrível porque tenho descoberto cada vez mais séries, filmes e, principlamente (por causa do meu podcast semanal Estante LGBT), livros LGBTQ+ e de autores da nossa comunidade. Isso é lindo e maravilhoso, posso encontrar muitos títulos e uma grande variedade de assuntos e gêneros dentro deste universo tão vasto e diverso. Porém, como nem tudo são flores, há também algo muito preocupante em meio a tudo isso: o excesso de banalização, sexualização, levianidade e, até mesmo, oportunismo dentro desse meio (como em qualquer lugar, claro).

Não vou adentrar tudo que tem me desagradado em minha busca por material LGBTQ+ de qualidade, pois se o fizesse não é meu foco aqui. Então, vou focar em lembrar que temos uma vasta opção de consumo quando o assunto é a comunidade LGBTQ+. Já passamos muito tempo com a heterossexualidade nos enfiada goela abaixo e o heteronormativo tem sido o “normal” ao longo dos anos e “não se discute”. Pois creio que chegou a hora de discutir, sim. Discutir porque a gente tem tão pouca representatividade e ir além disso, dar espaço para os nossos. Discutir porque as televisões estão repletas de gente hétero quando o LGBTQ+ brasileiro tem a maior Parada do Orgulho quando se compara com qualquer outro país do planeta. Discutir porque nossa TV, nosso cinema, nossos teatros e até os canais do youtube são meios predominantemente hétero e branco. Questionar-se é necessário, mas começar a dar voz à essas minorias é quase que uma obrigação para quem faz parte delas.

Bora pensar “fora da caixa” e ir além do pensar, consumindo e compartilhando mais e mais para que todos saibam: nós existimos. O gay, a lésbica, a/o trans, a travesti, o assexuado, o negro, enfim, toda a minoria é digna de voz e espaço. E se nós, LGBTQ+ não ajudarmos mudando nossos hábitos de consumo e compartilhando os nossos, estamos fadados à mesmice e caretice de tudo que sempre dizemos não querer mais, mas continuamos aceitando apenas por sermos pessoas acomodadas e que não se esforçam para fazer a diferença. Façamos a diferença.

Ouça agfora o novo episódio do meu podcast, Estante LGBT:

“ALIMENTAÇÃO”, VOCÊ TEM FOME DE QUÊ?

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Nos últimos dias passei a questionar muito minha “alimentação”. Mas, não me refiro aos alimentos, vou alem. Muito além do que o que eu como, passei a refletir sobre o que tenho me alimentado em todos os setores da minha vida. Não adianta comer bem, super saudável (o que confesso não ser meu forte) e alimentar minha mente com picaretagem, má fé, ironia e humor vindos de quem faz o que chamo de “mal uso da palavra”. Quando cito palavra eu quero dizer discuros, o que ,atualmente, temos muita gente fazendo de forma não tão substancial. Então, a questão da vez é: quem tá agregando com seus dizeres e quem é apenas mais um?

A internet nos facilitou a vida. Temos acesso, hoje, a milhares de informação ao alcance das mãos e podemos, até, visitar e conhecer uma cultura nova e de forma muito melhor do que se tivéssemos uma viagem com guia turístico. Mas, no boom da internet muita gente foi virando celebridade, ou pseudo celebridade, e isso é uma faca de dois gumes. Muita gente está remando contra a maré da mídia, que antes se resumia a rádio, jornal e TV, fazendo a própria carreira entregando uma boa proposta de compartilhar conhecimento e bom humor com responsabilidade. Entretanto, o número de “influenciadores” que têm um discurso vazio parece prevalecer.

E, infelizmente, temos caído muito na “lábia” dos que tem um discurso pronto, por vezes até sem muita inteligência ou pretensão e também entregamos o riso para “piadistas” que usam o humor pra realçar preconceitos enraizados em nossa sociedade. E assim, estamos, como disse Fernanda Young certa vez em entrevista à Leda Nagle, “batendo palma pra maluco dançar”. Dar voz a quem não merece ter seu discurso reverberado é evidenciar que não damos valor ao bom uso da palavra.

Acontece muito, mas muito mesmo, no meio LGBTQIA+ (mas no meio hétero é quase “mato” também) a proliferação de vozes que não têm nada a oferecer em conhecimento ou cultura, mas que são “boas” (na verdade ruins) criticando o trabalho dos outros. Tipo aqueles programas de fofoca de fim de tarde, sabe?! Tem gay que “ganha a vida com isso” e tem mais seguidores que bons escritores ou bons criadores de conteúdo. E eu te pergunto: isso te acrescenta no que em teu dia dia e vida? Aonde te leva saber se fulano está mal vestido ou se beltrano teve um caso com sei lá quem? Isso sem contar o sensacionalismo em cima de quem “sai do armário”.

O isolamento social evidenciou quem é patético e descartável. Devo ter excluído cerca de, no mínimo, 100 pessoas do meu instagram, entre famosos e conhecidos, por ter sentido o quão vazios e limitados eles são. Não vou mais dar meu like, meu comentário e meu engajamento pra quem destoa de meu estilo de vida, de meus pensamentos e, consequentemente, não me leva nem a pensar algo bom. Uns podem chamar isso de fechar-se numa bolha, eu chamo isso de ser seletivo. Afinal, se eu não consumir aquilo que me “alimenta”, a tendência é ter de engolir goela abaixo o que é simplesmente popular. E todos sabemos que nem sempre o popular é o mais inteligente, sensato e, muito menos, necessário, vide nossa presidência. E daí, você tem fome de quê?

Não deixe de acompanhar também o meu podcast, Estante LGBT. Eis aqui o episódio mais recente:

DESACELERAMENTO GLOBAL

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Me aconteceu. Não que nunca tivesse acontecido antes, mas nunca me peguei pensando tipo “puts, aconteceu”. Não posso culpar a pandemia. Não posso ao menos dizer que foi problema de excesso de atividades, pois ontem eu tinha o dia livre e o dia anterior também. Mas o fato inegável é que aconteceu mesmo, eu não postei crônica no dia.

Já havia deixado de postar no domingo, mas deixei estar. Olhei pra dentro e estava exausto de uma semana enlouquecedora de pré-venda do meu livro. Nada mais justo que pular um domingo ou um dia qualquer de post. Acontece que eu nunca deixo passar de uma semana sem post. Então, se ontem não foi ao ar uma crônica, hoje fecho oito dias sem. Meu virginianismo gritaria com tal falta de compromisso, mas eu apenas pensei “nossa, não postei, que louco isso, que pena, amanhã vejo o que posto”.

Falta de criatividade não foi. Atualmente a aba de rascunhos do blog contém noventa e três anotações. E eu, por sorte, sou do tipo que, se precisa, apenas sento e produzo sem qualquer bloqueio ou problema relevante quanto a criação. O que pode acontecer é ter mais de um tema que quero abordar, aí demoro a decidir qual dos assuntos abordarei. Mas acho que o que se deu faz parte de um movimento muito maior e que até astrólogos tem explicado: um desaceleramento global.

Sim, tá todo mundo desacelerando. Claro que sempre teremos o povo que nada contra a corrente, mas a real é que estamos todos passando por uma fase onde nos permitimos afrouxar-se no sofá. A pandemia fez a maior parte das pessoas trabalhar de casa e, com isso, a gente reaprendeu um ritmo de viver. Não há mais o segunda à sexta rigorosamente cronometrado. Há apenas o trabalho a ser feito e o ritmo como cada um tem conseguido, ou precisa, lidar com ele ou com o fato de que temos de permanecer isolados e, consequentemente, correndo menos no dia a dia, pois nada mais está no mesmo ritmo que um dia teve.

Essa conversa de “desaceleramento” pode ser chover no molhado para alguns. Mas creio que, assim como eu, tem uma galera que está sentindo essa “pulsação universal” de ter de deixar-se levar com as energias do momento. E tá tudo bem de sermos menos acelerados, menos produtivos até, e mais introspectivos. Acho que faz parte de um processo novo pra todos nós e que nos leva a um bem maior. As reflexões do autoconhecimento que este período vivendo mais com nós mesmos nos proporciona vai certamente nos fazer repensar na hora de tomar alguma decisão que afete o coletivo. E é com essa consciência que espero chegarmos a uma evolução pós pandemia.

MÊS DO ORGULHO LGBT, TU TENS ORGULHO MESMO?

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Eis que chega o mês de junho, mas não são as festas juninas que perderemos, pelo isolamento social, que me deixam triste por não poder participar. Mas sim os eventos do Mês do Orgulho LGBTQIA+ que deixaremos de presenciar e passaremos a ter, em menor escala, em lives. Porém, não vou descrever exatamente sobre isso, mas sobre algo além de eventos, que é essencialmente o que se divulga nessas situações. Também não vou relembrar como toda nossa luta começou, lá na revolta de Stonewall há mais de cinquenta anos. Mas vou nos lembrar de ideais nascidos nesse período e nos eventos gerados por ele, as Paradas do Orgulho.

Quero levantar uma questão ao leitor: tu tens orgulho dos teus amigos LGBTs? “Claro, os trato da melhor forma e somos muito amigos e etc” alguns responderão, mas quero levar isso a outro nível. Orgulho é um abraço maior e mais caloroso que isso. Refarei a pergunta de forma, talvez, mais clara: tu compartilhas o trabalho, defende os ideiais, participa ativamente defendendo a causa ou prestigia teu amigo LGBTQIA+? Esse é o ponto onde creio que aperta o sapato quando o assunto é “amigo de LGBTs”. Ter na roda de amigos é muito fácil. Já não é sacrifício. Mas tu defendes os LGBTs, comprando briga mesmo, se tiver de comprar, mesmo quando teu amigo(a) não está presente na rodinha de conversa?

Vou dar um exemplo prático, pra ajudar a clarear ideias. Quando tô em almoço de família, jantar, o que seja e algum parente começa com o discurso “não sou racista, mas…” eu já interrompo na hora e o mostro que o condicional “mas” já nos diz que o que segue a frase é ou será contraditório. Tal qual dizer que não é racista e ser anti cotas e achar que é balela. Assim, também vejo muitos amigos de LGBTs que “não são contra, mas…” e dizem absurdos como “ser gay tudo bem, mas não seja uma bichona”, “tudo bem amar alguém do mesmo sexo, mas não precisa beijar em público”… Essa lista de frases de homofobia velada pode ir longe. Mas retorno ao foco: tu defendes o LGBTQIA+ além de dar oi, abraço e falar por rede social? Tu apoia aquele amigo que se monta de drag, indo a shows ou compartilhando seu conteúdo? Aliás, tu tens ou teria amigos drags?

Quero crer que eu estou rodeado de amigos de verdade, que entendem minha luta e abraçam a causa por inteiro. Mas tem pequenos detalhes e comentários que me mostram, às vezes, que a gente ainda precisa educar muito as pessoas em relação a nossa comunidade e tudo mais que envolve o LGBTQIA+. Epero que aproveitemos esse mês para, não só parabenizar o amiguinho no Dia do Orgulho LGBT (28 de junho), mas para consumir mais LGBTs, compartilhar conteúdo esclarecedor sobre a causa e buscar sermos mais “orgulhosos” de nossos conhecidos LGBTs. Se tu estás disposto a isso, parabéns, tu és um bom amigo e participa do Orgulho LGBT. Gratidão!

UM DIA NORMAL?

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Acordo, pouco depois das sete da manhã (mesmo tendo desligado as luzes às três da madrugada) e, após lavar rosto e escovar dentes, passo meu café. Tomo café checando e-mails, notificações de redes sociais e listando o que tenho pra fazer ao longo do dia. Geralmente um freela ou outro de texto pra instagram, lavar a louça, escrever o que postarei como divulgação do dia no instagram (pessoal ou do livro) e alguma coisa ou outra a mais. Mas não, isso não acontece todo dia. Afinal, não estamos em um momento normal, logo não há “dia normal”. Então, penso: o que é ter um dia normal?

Por mais que tentemos manter uma rotina e ter uma vida regrada, seja na base do que deveria ser o básico (home office, uma atividade física em casa, cozinhar e se entreter assistindo algum filme, série ou lendo), não há regra do que é ter um dia normal no período de isolamento. Ou há? A sociedade já criou até “cartilha” pra isso? Ou nosso maravilhoso (só que não) presidente já deu as regras do que a família tradicional brasileira faz em quarentena? Ah, não, lembrei que ele é contra o isolamento (ou contra a sobrevivência) em nosso país. Mas, enfim, deixe-me voltar ao meu reciocínio. Mesmo fora da quarentena, algum dia existiu um dia que pudéssemos chamar de “dia normal” na vida?

Muitas questões surgem neste momento e eu não serei a tábua de salvação de qualquer um que esteja tão confuso quanto eu. Afinal, dizer que tenho resposta para o que é considerado normal (seja lá qual for o pré-requisito para a tal normalidade imposta pela sociedade) seria uma farsa tão grande e comprometedora quanto recomendar cloroquinha em tratamento da COVID-19. O jeito é descrever aqui o que penso sobre e lá se vai mais um clichê, pois vivo deles: de perto ninguém é normal. Sendo assim, a vida de quem quer que seja não há de ser tomada como exemplo.

O ideal é aquilo que se adequa a teu ritmo e a forma que queres viver tua vida. Se teus horários são completamente avessos aos demais e, ainda assim, tu rendes e entrega teus trabalhos em dia e consegue manter tua sanidade com isso, esse é o teu normal. Se precisas ter tudo listado, agendado e cronometrado, assim é teu padrão de normalidade dentro de teus dias. Se consome mais série, mais livro, mais filme ou até desenho animado, e daí?!

No final das contas, o tal normal, de tão superestimado já é demodé. Anormal é apenas não ser quem se é, magoar alguém por querer ou não dar valor a vida em tempos em que ela está escassa e merece ser valorizada. Acho que vou finalizar com o que acredito ser um dia normal para mim: amar ao máximo e viver como posso e acho que devo. Tá aí meu dia normal.

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LGBTQIA+ NO DIVÃ

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Então, doutor, eu nem sei direito por onde começar. É que é tanta coisa. Vou até tentar resumir pra não passar dos nossos quarenta minutos. Se quiser, em alguma parte de meus relatos, me parar para fazer observações, sinta-se a vontade. Afinal, é o senhor o profissional aqui, o senhor quem manda.

As neuras começam pelo fato de eu ser LGBTQ. Sou gay, a maior parte de meus amigos ou é bissexual, ou trans ou é travesti e eu me sinto ótimo, bem acolhido, por isso. Mas sabe como é: toda vez que a gente sai, enquanto todos do nosso grupo não respondem no whatsapp dizendo que já chegaram e estão seguros dentro de casa, eu não relaxo nem durmo.

Quando eu namoro alguém, por morarmos em uma cidade consideravelmente grande, onde transita muita gente e todo tipo de pessoa, eu nunca pego na mão do meu namorado em público. Beijo então, morro de medo desde uns anos atrás quando meu ex e eu apanhamos no shopping por eu acariciar o rosto dele. Voltar pra casa com a boca inchada e dizendo que bati no poste foi meio triste, constrangedor também mentir isso.

Família é aquele lance de “te aceitamos, mas do nosso jeito”, “seja gay mas não seja ‘bicha’, por favor, essas e outras frases que eles não acham que seja, mas é completamente homofóbico. Não entendem ainda que aceitação se dá por completo e abraça o individuo como ele é. O contrário disso é apenas mera tolerância, provavelmente por laço sanguíneo, nada além disso.

Somando essa pressão da família, sempre reluto muito em ser eu mesmo quando tô me arrumando. Por morar aqui, que é um lugar com gente ultrapassada, eu nunca ponho minhas roupas preferidas. Essas eu uso só em ocasiões especiais e na cidade vizinha, que, no bairro onde costumamos fazer happy hour, o povo é mais mente aberta. Aqui eu mal uso roupa colorida, fico no preto e branco e, ainda assim, basta pôr uma calça justa que já olham estranho. Às vezes até tem carro que passa e gritam de dentro: “bicha”. Vai ver deve fazer bem pra quem grita, vai entender…

Se não bastassem essas questões, ainda tem gente que diz que não precisamos ser representados em filmes, livros e séries. Tem gente do governo que diz que não se deve falar sobre a gente pra instruir e orientar ao respeito nas escolas. Vai dando um desgosto de não ser apoiado nem por quem deveria pensar no bem de todos e priorizar os direitos humanos. Tudo isso vai dando um aperto no peito e um nó na garganta.

Acho que é só tudo isso, sabe?! O senhor é só um psicólogo, sei que nada vai poder fazer pra mudar a situação toda. E ainda tem gente que olha pra mim e pergunta: “nossa porquê você parece sempre tão triste?”. Mas ao menos eu estou aqui pra tentar não enlouquecer com isso me sufocando enquanto a igualdade pela qual luto, e muitos chamam de mimimi, não chega. Enfim, já deu quarenta minutos, doutor?

SURTOS DA QUARENTENA

Imagem, Britney em 2007, via Google.

Se tu ainda não viu ou, até mesmo, cometeu algum dos surtos causados pela quarentena, aguarde. Ninguém está a salvo de se ser o mais novo “surtado do isolamento social”. Nesse perído delicado em que vivemos sem poder arejar e viver um pouco do mundo fora de casa, ou vivemos com acesso limitado, nossas opções de entretenimento são escassas e cansativas e repentinamente podemos deixar de procurar notícias e sermos a própria notícia, ao menos de um grupo de whatsapp feito por amigos que deixaram a gente de fora porque nos tornamos um “surtado da quarentena”.

Raspar a cabeça já é uma das atividades que mais vi acontecer na minha timeline em meio a pandemia. Cabelo grande incomoda e geral fica frustrada de não poder ir até um profissional pra dar continuidade ao corte antigo ou mudar o visual com a devida orientação. Qual a solução mais prática para uma mudança e acabar com o cabelo enorme que tá agoniando? Isso mesmo, fazer a Britneyde em 2007 e raspar tudo.

Virar tiktoker. A quantidade enorme de gente nesse mundão vasto de internautas que, depois de começar a quarentena, começou a fazer dancinha, dublar e replicar os mais diversos desafios do tiktok é assustadora. O que parecia ser uma febre adolescente até fevereiro, ganhou espaço nos smartphones e repost em todas as redes sociais do povo maior de trinta. Mas não acho que seja “close errado” não. É só não esquecer de conferir se tá realmente bom dentro da proposta da brincadeira e tá legal.

Fazer o masterchef. Acho que de todos os possíveis surtos da vida de isolado social, o melhor deles é fazer o cozinheiro maluco e sair testando novos pratos. Acho mais legal ainda aqueles que o fazem e compartilham tudo, com direito a receitinha e feedbcack se deu certo ou deu ruim. Embora eu não seja desse time por total falta de capacidade, acho eles o que há de melhor pois aprendemos com eles. Ponto negativo? Ganhar uns quilos a mais, talvez. Mas sempre fui partidário do “você só vive uma vez”.

Os “fiscais da vida alheia” também são outro perfil interessante de gente que não pode ver fulano postando que fez A ou B que vai correndo pro grupo de whatsapp comentar despretenciosamente o que tal fulano estava fazendo. Atentemos que dentro desse grupo sempre tem aquela pessoa super sensata que critica galera que tá viajando ou dando rolê em meio a pandemia e dias depois… Isso mesmo, ela está lá em suas redes sociais postando os melhores momentos de seu passeio ou sua viagenzinha. Afinal o certo é “faça o digo e não o que eu faço”, não é mesmo?!

No fim das contas, cada um sabe de sua vida e de seus surtos. Não há nada demais em “sair da casinha”, como dizem. O que importa nesse momento é o questionamento “me faz bem e não agride ao próximo?”. Se a resposta for SIM, então, também como dizem: “só Deus pode me julgar”. Daí, vai ser feliz sendo um surtado da quarentena e “beijinho no ombro”.