CARTA PARA MEU EU DO ANO PASSADO

Olá, tu precisas saber a mudança drástica que tua vida vai ter. Vou te contar pouco por essa carta, mas sem muitos spoilers. Então, pega o lenço, porque essa visão super otimista de mudança pode te trazer algumas lágrimas.

Sei que agora tu recém começaste a ver uma luzinha no fim do túnel da tua jornada, que tem sido bastante sombria. Tu recém iniciaste a ser publicado no jornal e está a todo gás com tua escrita. Te segura nela, como tu faz desde a adolescência (quando só queria te entender e escrevia). Ela é teu passaporte pra ir pra lugares que jamais sonhou. Não, tu não vais viajar mto longe, mas vai sair de um lugar que sempre te deu medo de ficar tanto quanto teve medo de partir, a zona de conforto.

Aí em 2019 tu te seguras em poucas pessoas e já te sente grandão por receber o amor delas. Segura o coração, porque 2020 te traz gente ainda mais amável, criativa, calorosa, disposta a segurar tua mão e que te inspira só de existir. Ah, sabe aquele medinho bobo de errar, de cair, de fracassar? Aquele medinho que tu enfiaste no bolso por mais de trinta anos? Pois bem, ele será quase inexistente em um ano. Porque além do amor de muita gente incrível, tu vais potencializar teu amor próprio. E isso… Apenas não tem preço nem forma de explicar o quanto muda uma vida.

Tu estás te jogando em projetos que agora parecem apenas boas ideias para não enlouquecer em meio a uma situação meio incômoda de não poder viver plenamente. Mas TODOS esses pequenos projetos saem do teu computadorzinho e vão longe. Alguns chegam até na Irlanda por meio da internet hehe. Tu jamais pensou, mas tua determinação é sinônimo de realização. Porque tu já entendeu, aí em 2019, que te resolver escrevendo vai ajudar muita gente a se entender e se resolver também. Ta aí teu propósito. Então, só vai.

2020 tem peso de uma mistura agridoce. Tem algo muito grandioso ruim chegando. Mas tu estás tão ocupado correndo e suando pra chegar numa linha final da tua corrida que tudo será pequeno perto de ti. Tu apenas vai. O que ficou pra trás tu deixas. Amores, algumas amizades, mas principalmente as dores. Um corredor em meio a uma grande corrida não pode perder tempo cuidando de um arranhãozinho que alguns galhos inúteis de árvores o fizeram ter. Apenas corra. Mas não esquece de aproveitar a corrida e a paisagem. No fim das contas, tu sabes que não há uma linha de chegada. Viver é desfrutar a trajetória.

Do Braian Avilla de 2020, agora @elbraianavilla, para o “Braianzinho” de 2019, que mesmo encolhido em seu canto se faz um grande corredor.

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ENFIM, MONOLOGAY, O LIVRO

Minha obra que levou 10 anos, mas saiu 💙

Foi um longo caminho até aqui. Ao todo, com dias e vindas e versões em outros blogs, são quase ONZE anos escrevendo o Monologay já. Ano passado, ao ver que completaria dez anos, eu não queria deixar passar em branco. Mas, ao mesmo tempo, não consegui fazer tudo acontecer no tempo certo de dez anos. Então, em novembro eu comecei a selecionar crônicas de 2009, quando iniciei escrevendo, até 2019. Em dezembro deixei o arquivo pronto e, inicialmente, em abril desse ano lançaria na Amazon a versão para Kindle de Monologay. Como 2020 é essa maré de contratempos que todos vemos diariamente, o livro foi ficando pra depois, tudo atrasou e o arquivo ficou guardadinho no meu drive para revisão.

Mas ontem, Alef Leal, meu boy, enfim revisou tudo e diagramou. Após quase quatro horas o arquivo foi para o site e acordei hoje com o e-mail que informava que o livro Monologay para Kindle já está disponível no site da Amazon Brasil. É uma realização ter esse livro lançado como marco comemorativo de DEZ ANOS DE BLOG e de escrita.

Enfim, agora deixo vocês com essa imagem da capa colorida, que ao clicar leva direto pro site da Amazon, para que tu possas adquirir o teu. A coletânea reúne quarenta e cinco crônicas e textos de 2009 a 2019. Alguns textos já foram publicados. Outros são tão antigos que fazem parte da leva de material já tirado do ar de versões antigas do blog (selecionei ao menos um ou dois de cada ano), o que será para a maior parte de vocês algo novo. E ainda há textos, sete ou oito (ou seriam nove?), completamente inéditos. Todos revisados e, por vezes, reescritos para uma roupagem atualizada e de acordo com o que acredito ser a essência do Monologay. Bora clicar na foto/link. Desejo a todos, desde já, boa leitura e bom final de semana!

Essa capa linda, que traduz toda a vibe da obra,
foi criada pela maravilhosa Marina Cougo.

Aproveito pra te convidar pra LIVE DE LANÇAMENTO. Estarei falando sobre o livro Monologay e lendo trechos no domingo, às 21h no meu Instagram, @braianavilla
Aparece por lá!!!

A JANELA ESTÁ FECHADA

Imagem via Google

A janela está fechada e por isso sabemos que ela não está em casa. A janela está fechada mais uma vez, o quê mais uma vez nos lembra que o vazio está lá, somente o vazio habita aquela casa. Quando a janela está fechada temos noção de quanto espaço o vazio ocupa. Nunca saberemos quando ela voltará ou se um dia vai voltar. Apenas sabemos que o vazio está lá porque a janela está fechada.

A janela está fechada, posso ver pela fachada. Todo dia ao passar por aquela rua sinto saudades de um sorriso que vivia constantemente toda manhã naquela janela. Todo dia ela sorria desejava me “bom dia”, eu passava, a cumprimentava e então seguia e essa dúvida não me perseguia. Mas agora a dúvida sempre fica: será que ela estará lá? Agora apenas sei que a janela está fechada.

Na primeira vez que vi a janela fechada, apenas achei estranho. Mas não senti nada. Hoje, ao passar pela fachada e ver a janela fechada, o que sinto é uma pontinha de tristeza. Tristeza por não saber mais dela, pela falta de seu sorriso na janela e todo entusiasmo que seu sorriso transbordava. Mas agora só tristeza aqui me assombra por não ver no dia a dia seu sorriso na janela.

A janela está fechada posso ver pela fachada. Só há o vazio em meio ao nada que eu sei sobre ela aquela figura bela que ficava na janela. Agora a beleza já não há, porque ela não está lá e sinto apenas o vazio a me torturar. Vazio e aquela pontinha de tristeza porque a janela está fechada e é só o que posso ver pela fachada.

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SÓ NÃO DUVIDO DA FÉ


Imagem de meu novo
artifício mágico da sorte.

“Reze suas preces e não conte com ninguém. Veja tudo como se não houvesse amanhã.” Para alguns pode ser apenas um trecho da música Emboscada, da cantora e compositora baiana Pitty, mas para mim, de agora em diante é mantra usado diariamente na tentativa de conter o surto nosso de cada dia.

Agosto, definitivamente, “não está sendo fácil”, como cantava Kátia (a cega) nos anos de 1980. A gente tenta conduzir com leveza. Se mantém em contato com família e amigos, busca conforto em comida, livros, filmes, música, vinho e meditação. Mas a real é que, desculpem a palavra, tá todo mundo fodido. O psicológico de ninguém está a salvo. Se não pela vida e pela condição de “quarentenado”, é pelas notícias cada dia menos estimulantes de um desgoverno que dirige “canoa furada remando contra a maré”, como canta Rita Lee. E ninguém suporta mais essa maré de má sorte que 2020 nos trouxe.

É todo dia um sete a um diferente e um turbilhão de notícias ruins acabando com a mente da gente. E quem outrora nos dava alguma esperança, de políticos a influenciadores digitais, agora já nos apresentam sua versão mais humana e cheia de erros. Não que que antes os endeusássemos. Mas agora é tanto “close errado” que agora não nos restou ninguém inspirador além de Monja Coen, Padre Fábio de Melo e Dalai Lama. Ou seja, somente pessoas muito apegadas em sua fé têm sido referências dentro desse caos instaurado pelo ano da pandemia.

Daí a gente relembra que tem uma força maior, que rege tudo isso. Seja ela Deus, Buda, Krishna, o Universo ou o que quer que seja que tu a nomeias, ela nos é combustível para que não sejamos mais um nas estatísticas dos sanatórios. Não sei bem pra quem rezo, mas o “rito” me mantém de pé e só peço, todo dia, por lucidez para permanecer erguido e dar amparo a quem precisa. Então eu sigo e “rezo minhas preces e não conto com ninguém, vejo tudo como se não houvesse amanhã”. Mesmo sentindo que, como canta Rita Lee na mesma música antes citada, “não acredito em nada não, só não duvido da fé”.

A VIDA PELA JANELA

Imagem da janela da sala.

Da janela da sala, enquanto executo meus trabalhos, dou uma escapada de meu dia para adentrar em um mundo desconhecido e por vezes fascinante, a vizinhança. Nada demais acontece na maior parte do tempo, mas já é o suficiente para que eu saia da minha realidade e visite possíveis realidades de quem transita pela rua que minha vista enxerga pelo vidro.

Nem sempre os rostos que vejo são os mesmos. Nem sempre quem transita mora perto. E, quase sempre, o que vejo é algo completamente comum ao dia a dia, se não fosse por minha mente criativa. Minha mente cria histórias para as pessoas que passam, param para conversar entre si, andam de bicicleta com expressão de realização no passeio ou estacionam o carro para ir até o mercado ou a papelaria bem próximos daqui. Tudo é muito comum, mas meu eu criativo insiste em criar “um porquê” alternativo destas cenas acontecerem.

Um carro que para e aguarda por dois minutos, que parecem uma eternidade, e de repente chega um jovem, entra e o carro arranca. Existem muitas possibilidades ali. Pode ser que seja um pai que esperou seu filho vir do mercado ou da papelaria da esquina. Também pode ser que o jovem seja um sobrinho que veio de outra cidade, desceu na rodoviária, que também é muito próxima, e encontrou o familiar para passar o final de semana em sua casa. Talvez o moço seja o namorado do homem no carro, talvez o amante que mantém relacionamento escondido da mulher e, por isso, encontraram-se em uma esquina não tão evidente, mas próxima de tudo. Muita coisa pode ser.

O fato é que todo dia a gente pode observar pessoas e suas vidas, seus trajetos e trejeitos e criar variadas histórias para que possamos sair do tédio habitual de estarmos confinados. O que importa é que muito se aprende observando, sem julgamento, e criando motivos de ser e estar das situações mais banais a situações inusitadas. A vida segue e cada pessoa que transita pela rua nem imagina que criei uma vida diferente para ela. Agora vou digitar o ponto final, pois já me distraí o suficiente nesses vinte minutos em que escrevo e observo a vida pela janela.

COMO ASSIM VOCÊ NÃO…?

Imagem via Google

Um fator extremamente interessante na vida é o “cagar de regra” de gente que acha que, por exemplo, se tu lê bastante tu, tu tens a obrigação de ter lido grandes clássicos ou determinados autores (como Machado de Assis), que são mundialmente aclamados. Ou, por tu ser cinéfilo tu tens a obrigação de saber daquele filme alternativo que tem figurino impecável e que foi febre na Bulgária. Esse tipo de “tu tinha que saber/isso” também acontece, e muito, no mundo LGBTQIA+.

Cobranças comuns como: “como assim, tu não sabe quem é a fulana, que fez o meme tal?”, “sério que tu não conhece tal drag?”, “diz que é veado, mas não é fã de Lady Gaga (substitua aqui Gaga por qualquer Diva Pop)…”, “é gay, mas não gosta de Rupaul’s Drag Race?“, “é LGBTQ+, mas não sabe todas as benditas letras da sigla da comunidade…” são comumente usadas contra a gente. Tanto vindas de gente de fora do meio, quanto de gente LGBTQIA+. Cuidar da própria vida a pessoa não quer, né? E vamos já deixar bem claro a resposta pra todas essas perguntinhas: não, nem sempre sabemos de tudo e não, não somos obrigados a saber de coisa alguma.

Ninguém nasce de pacto feito com conhecimento em cultura LGBTQ+ em geral. Aliás, ninguém tem obrigação com coisa alguma, seja dentro ou fora do meio LGBTQ+. Muita gente também se esquece de uma palavrinha simples: acesso. Sim. Embora estejamos vivendo uma era altamente globalizada, onde quase todo mundo parece ter acesso a internet e todas as informações o tempo todo, muitos ainda não têm essa facilidade. Também muita gente não faz questão de saber o que rola no meio. E tá tudo bem. É um direito que se tem.

Por algum acaso todo fazendeiro entende absolutamente tudo sobre animais, rações e afins? Não, ele sabe o suficiente sobre seus animais, aprendeu como lidar com eles e como lidar com sua própria fazenda. Algum dono de livraria vai te indicar todo e qualquer livro de seu estabelecimento porque leu título por título? Impossível. O livreiro pode até saber o lugar de cada livro na estante, tanto quanto pode ser um grande leitor e ter boa parte de seu estoque na sua lista de lidos. Mas, saber tudo, além ser fora de cogitação é desnecessário.

Nosso dever realmente não existe. Porque ninguém “TEM QUE SABER/FAZER” porra alguma. Claro que seria muito legal se todos da comunidade LGBTQ+ fossem empenhados em desmistificar todos os preconceitos oriundos de uma sociedade ainda muito ultrapassada e pouco inclusiva. Mas, aí vem a questão de querer ou não fazer parte da militância, o que rende outro bom texto e, então deixarei de lado. O foco aqui é lembrar que, quando alguém vier com “como assim você não isso ou aquilo?” tu tens toda liberdade de responder: “eu não, não mesmo e tô nem aí” (inclua uma figurinha do meme da menina na janela gritando “tô nem aí” que fica ainda mais interessante a resposta).

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LGBTQs E A CRIATIVIDADE

Imagem via freepik

Se tem algo em comum que tenho observado em meus amigos LGBTQIA+, é que, mesmo trabalhando em áreas diversas e alguns nem ao menos lidando com arte, todos somos muito criativos. Todos mostramos uma habilidade ímpar em inovar, seja no que for. Às vezes é na decoração de casa, no jeito de vestir-se, nas fotos nas das redes sociais ou até mesmo fazendo uma gambiarra no dia a dia. Mas porquê o povo da nossa comunidade parece ter um ganho maior quando o assunto é criatividade? Comecei a pensar sobre e elaborei minhas teorias.

O povo LGBTQ vêm da exclusão e de lições da exclusão causada por uma sociedade preconceituosa e que nos deixaram por anos à margem da sociedade. Desde muito cedo uma pessoa excluída aprende que, se ela quiser destacar-se e ir além, ela precisa de conhecimento. Não é a toa que os LGBTQs que conheço leem muito mais do que os héteros. Sendo assim, nós temos essa tendência a buscar conhecimento, o que facilita em tudo na vida.

Adiciono à minha teoria o fato de que desde a infância, a criança LGBTQ já gosta de referências. Aquela coisa zoada por muitos da criança viada que gostava de Xuxa, Spice Girls, Sandy & Junior, Rouge ou RBD pode ser muito mais do que um encantamento, pois torna-se referência. Uma pessoa que se alimenta de diversas referências tem muito mais capacidade de criar algo. Afinal, a criação e a criatividade em si não surgem do nada, são a soma de diversos fragmentos do que vamos guardando no subconsciente e, unindo tudo, temos uma ideia que pode fazer nascer algo novo e inusitado.

O assunto pode ir muito mais adiante, se levarmos em conta que desde cedo, nós LGBTQs, aprendemos a lidar com a curiosidade, começando por nós mesmos. Geralmente nos questionamos muito cedo e temos de nos entendermos para, então, entendermos o mundo. Por isso, desde pequenos somos mais curiosos e queremos aprender mais sobre nossa sexualidade, gênero, sobre nossa comunidade e, depois disso, queremos saber de tudo um pouco. As dificuldades de ser um LGBTQ nos tornam abertos a aprender como “nos virarmos” no mundo e em uma sociedade de visão limitada.

Não, não somos seres superiores. Mas creio que boa parcela dos LGBTQs é muito mais consciente de si, de seu lugar no mundo. Consequentemente essa pessoa tem uma visão melhor da vida e da sociedade. Assim, não é difícil ser uma pessoa mais aberta ao novo, ao desconhecido e ao conhecimento. Acho que todos esses prós somam-se a nosso favor. E, assim, seguimos sendo geralmente mais criativos e, possivelmente, originais. Quem bom!

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SE NÃO EXISTISSE, QUE FALTA TU FARIAS?

Imagem via Google

A pergunta título dessa crônica é de Mário Sérgio Cortella e me bateu forte e vem de encontro com pensamentos que tive nos últimos dias. Me questiono seriamente sobre qual o meu legado, reflito sobre o que tenho deixado de mensagem em minha passagem por esse mundo. E, acredite se quiser, eu tenho ficado orgulhoso de ver o quanto a resposta é positiva.

Creio que todos deveríamos, ao menos uma vez por semana ou por mês, nos questionarmos se o que estamos colocando pra fora condiz com o que queremos receber. As máximas “quem planta colhe” e “tudo que vai volta” são reais e devem ser nossos combustíveis ao refletir antes de falar e, principalmente, agir.

Tu tens plantado amor? Creia, o amor retorna e te transborda. Tu tens espalhado sorrisos? Eles retornarão em formas inimagináveis. Tu te propõe a estender a mão ao próximo? Assim a vida, o Universo, a luz superior (ou seja lá como tu chamas o “algo maior”) fará por ti em teus momentos de necessidade. Que mais um clichê seja dito, afinal é clichê pois realmente funciona e se aplica: “a vida é um espelho que tudo reflete”. E é óbvio que o mesmo se aplica para atos de má fé ou, até mesmo, aquela “atitudezinha” feita no calor do momento sem pensar em consequências ou em machucar alguém. Tudo tem seu peso.

Em meio a tanto “toma lá dá cá”, repense: que falta fariam tuas atitudes no mundo se tua vida não existisse? Talvez tu não seria o amor da vida de alguém. Talvez tua família seria menos unida. Talvez tu não ajudaria muitas pessoas por meio de tua profissão. Talvez tua família não teria aprendido a conviver e respeitar as diferenças. Não sei se acredito que tudo tem um porquê de ser, mas creio que se vivo é porquê há um propósito. Então, talvez se eu não vivesse eu não te faria pensar sobre isso enquanto lê estas palavras.

MATURIDADE É SUPORTAR SEM SE ABALAR

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A gente nunca foi avisado que a vida adulta traria mais desejo pela anarquia e pela rebeldia, mas as mesmas seriam encobertas por uma onda de conformismo com tudo aquilo que está acima da gente. Antes da maturidade é só “eu vou tacar fogo nisso tudo, Deus me livre esse conformismo”. Ao menos pra mim foi assim. Já depois de muitos tombos e da consciência tardia dos trinta, agora sou mais “então viver é isso, ok, posso conviver com essa insatisfaçãozinha”.

Ninguém nos disse que a vida adulta seria pior do que adolescência e muito mais revoltante. Afinal, a gente tem muito mais consciência. A gente já sabe que errar é humano, mas as inconsequência batem na porta assim que a gente descuida. Então a gente não caminha mais com o peito à mostra pra levar flechas, seja da vida ou do cupido. A gente se esquiva de tudo, ou quase, pra não ser pego de surpresa ao virar uma esquina desconhecida.

Embora a gente não tenha sido orientado a ser mais responsável sentimentalmente, adotamos isso. Ao menos a maior parte de nós. Aprendemos a lidar com o sentimento na marra. O básico do básico, sabe? O “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” deixa de ser uma frase bonita pra pôr em legenda de foto ou tatuagem brega e vira algo a se pensar bem antes de se envolver com alguém.

Quando mais novo a gente pensa: “depois dos trinta eu vou estar vacinado com essas coisas e não vou chorar mais”. Ah, como a gente se ilude que a maturidade é o fim da dor. Na maturidade dói até a saudade dos tempos da falta de maturidade. Pois era quando a gente não pensava tanto, dormia mais e melhor e não pensava tanto no relógio, o bendito ditador do tempo e do quanto temos de render no compasso dele.

Mas não, isso tudo não são pensamento negativistas de que ao crescer a gente só encontra o pior da vida. É pra lembrar que mesmo adulto a gente chora no banho, chora quando se sente só, se sente rejeitado quando não nos desejam, se frustra quando as coisas não fluem no nosso ritmo e se desespera quando surge algo que nos abala, mesmo sabendo já que tudo é passageiro.

Mesmo com todos os dissabores da “vida de gente grande”, a gente já sabe que tem idade e maturidade pra lidar com tudo que nos é enviado pela vida. Afinal, vamos aqui de um bom e velho clichê, pois clichês salvam em nos resgatar boas mensagens: nunca recebemos mais do que podemos suportar. E talvez maturidade seja isso mesmo, suportar sem se abalar ou se abalando pouco.

Ouça agora o novo episódio de meu podcast com dicas de livros LGBTQIA+, o Estante LGBT, no player abaixo.

O PODER DAS PALAVRAS

Assinando meu 1° livro ♡

A vida me ensinou, tanto como escritor quanto como pessoa, que as palavras realmente têm poder. Sim, eu acredito que quando colocamos palavras pra fora estamos lançando ao universo e isso faz com que, bem ou mal, a palavra se potencialize para uma possível realização. Para uns pode soar um tanto quanto místico, mas para mim é bem simples. Ultrapassar a barreira entre pensar e falar tem um custo muito alto. Isso me lembra de uma frase que aprendi no paganismo: “cuidado com o que desejas, tu podes ter o azar de conseguir”.

Desde cedo eu vi as coisas acontecerem para mim, e muita gente ao meu redor, pelo poder da palavra. Seja mentalizando e depois repetindo como mantra ou pelo poder da oração, que é a palvra direcionada a uma força maior, chame de Deus, Universo (como eu prefiro), luz ou seja lá o que tu acreditas. O fato é que uma vez vendo isso se dar, eu comecei a usar a meu favor. Por isso, até evito ouvir músicas tristes e negativasr. Ao ouvir eu canto e jogo pro universo uma energia que não está conectada com meu propósito. Isso é tão real que, quem me conhece sabe, eu raramente ouço música lenta ou triste, salvo uma ou outra da Alanis Morissette ou da Madonna (minhas maiores ídolas).

A palavra se estendeu além da superstição quando falo que as palavras mudaram minha vida. Pois eu tornei as palavras minha fonte de renda. Embora nem sempre tenha esse pensamento de comprometimento e responsabilidade com minhas palavras, eu soube fazer delas muito mais do que minha forma de expressão e hoje elas são meu ganha pão, basicamente. Não vivo da literatura, mas produzo textos de cunho publicitário para redes sociais, escrevo para blogs e escrevo até livro para terceiros por encomenda, como ghost writer (escritor que escreve como “fantasma”, recebendo para que o contratante ou outra pessoa assine pela obra).

Ao longo da vida aprendi o poder da palavra mal intencionada e o quanto as palavras podem exercer impacto na vida de alguém. Houve um tempo em que as palavras de outra pessoa, uma professora do curso de Letras, quase me fizeram desistir da escrita. Professora Clarice uma vez disse “por favor, nunca diga a ninguém que fostes meu aluno, pois tua redação está horrível e talvez jamais se forme em Letras assim”. Mas isso não foi uma nota em vermelho escrito em uma prova, foi um dizer em um tom debochado de voz e volume alto na frente de mais de trinta colegas de aula. De fato, não me formei em Letras, mas em publicidade e acabei me tornando redator e em 85% dos meus trabalhos hoje é a minha redação que faz cair dinheiro em minha conta. Também é ela, a escrita, que me levou a ter meu primeiro livro lançado sem precisar investir um centavo nisso. As palavras desta professora não me desmotivaram, embora até poderiam, pois foi pesado e duro ouvir isso. Porém, três anos depois comecei meu blog, que também me fez chegar mais longe escrevendo e faz parte de meu portfólio.

Confesso que as palavras de Dona Clarice me atormentaram por anos toda vez que sentava pra escrever. Mas hoje elas me fazem lembrar que realmente eu talvez não conseguisse me formar em Letras nem se tentasse. Mas sei que hoje sou formado em persistência, em me reconstruir quando o meu mundo desaba e em tornar minhas experiências literatura e fazer com que gente que eu nem conheço compre meu trabalho e me envie uma mensagem linda em meio à um dia ruim ou ao caos da quarentena, o que me emociona e me motiva ainda mais.

Acho que me formei em um estrategista de palavras, que escreve e reescreve pra que tudo faça sentido e, ao final do texto, eu me sinta realizado com o que está escrito. Também posso dizer que me formei em avaliar o peso e poder das palavras. Seja as minhas nos outros, usando meu texto com responsabilidade. Seja as dos outros em mim, ouvindo e absorvendo somente aquilo que me acrescenta em alguma coisa. As palavras tem todo o poder, mas todo dia me lembro que eu sou o dono delas. Então, eu escolho que palavras darei poder ou não.

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