LGBTQIA+ NO DIVÃ

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Então, doutor, eu nem sei direito por onde começar. É que é tanta coisa. Vou até tentar resumir pra não passar dos nossos quarenta minutos. Se quiser, em alguma parte de meus relatos, me parar para fazer observações, sinta-se a vontade. Afinal, é o senhor o profissional aqui, o senhor quem manda.

As neuras começam pelo fato de eu ser LGBTQ. Sou gay, a maior parte de meus amigos ou é bissexual, ou trans ou é travesti e eu me sinto ótimo, bem acolhido, por isso. Mas sabe como é: toda vez que a gente sai, enquanto todos do nosso grupo não respondem no whatsapp dizendo que já chegaram e estão seguros dentro de casa, eu não relaxo nem durmo.

Quando eu namoro alguém, por morarmos em uma cidade consideravelmente grande, onde transita muita gente e todo tipo de pessoa, eu nunca pego na mão do meu namorado em público. Beijo então, morro de medo desde uns anos atrás quando meu ex e eu apanhamos no shopping por eu acariciar o rosto dele. Voltar pra casa com a boca inchada e dizendo que bati no poste foi meio triste, constrangedor também mentir isso.

Família é aquele lance de “te aceitamos, mas do nosso jeito”, “seja gay mas não seja ‘bicha’, por favor, essas e outras frases que eles não acham que seja, mas é completamente homofóbico. Não entendem ainda que aceitação se dá por completo e abraça o individuo como ele é. O contrário disso é apenas mera tolerância, provavelmente por laço sanguíneo, nada além disso.

Somando essa pressão da família, sempre reluto muito em ser eu mesmo quando tô me arrumando. Por morar aqui, que é um lugar com gente ultrapassada, eu nunca ponho minhas roupas preferidas. Essas eu uso só em ocasiões especiais e na cidade vizinha, que, no bairro onde costumamos fazer happy hour, o povo é mais mente aberta. Aqui eu mal uso roupa colorida, fico no preto e branco e, ainda assim, basta pôr uma calça justa que já olham estranho. Às vezes até tem carro que passa e gritam de dentro: “bicha”. Vai ver deve fazer bem pra quem grita, vai entender…

Se não bastassem essas questões, ainda tem gente que diz que não precisamos ser representados em filmes, livros e séries. Tem gente do governo que diz que não se deve falar sobre a gente pra instruir e orientar ao respeito nas escolas. Vai dando um desgosto de não ser apoiado nem por quem deveria pensar no bem de todos e priorizar os direitos humanos. Tudo isso vai dando um aperto no peito e um nó na garganta.

Acho que é só tudo isso, sabe?! O senhor é só um psicólogo, sei que nada vai poder fazer pra mudar a situação toda. E ainda tem gente que olha pra mim e pergunta: “nossa porquê você parece sempre tão triste?”. Mas ao menos eu estou aqui pra tentar não enlouquecer com isso me sufocando enquanto a igualdade pela qual luto, e muitos chamam de mimimi, não chega. Enfim, já deu quarenta minutos, doutor?

TODO AMOR QUE AGORA COMPARTILHAREI

Não acredito que um artista se compare a uma mãe, e sua sensação de colocar ao mundo um filho, quando este gera uma criação e a compartilha, como alguns dizem. Não creio que o milagre do nascimento possa ser comparado com o que quer que seja, pois é grandioso demais. Mas, também, não acredito que se deva desmerecer o quão conectado com a divindade está aquele que põe pra fora sua arte após gerá-la.

A reflexão acerca da dádiva da criação vem acompanhada de medo, borboletas no estômago e com receios de um possível fracasso. Mas, também, vem acompanhado de algo muito maior: o orgulho de ter feito de um trauma uma obra de arte.

Embora, para alguns, minha narrativa, que vem de relatos somados a diários que tornaram-se meu primeiro livro, “Todo Amor Que Nunca Te Dei”, seja passível de questionamento quanto a seu teor literário, sei que o que criei é arte. Usei da linguagem para expressar meu inferno pessoal vivido em onze anos de relação com alguém sexualmente mal resolvido. Fiz das palavras minha âncora para desafundar do que por muito tempo me soterrou.

Eu sabia que, cedo ou tarde, eu teria um livro publicado. O sonho não é de hoje. Em 2009, quando iniciei a primeira versão deste blog, já almejava tornar meu “amontoado” de pensamentos em forma de posts, que descobri serem crônicas, um livro, físico ou digital. Mas jamais imaginei que antes disso acontecer teria um livro ainda mais confessional do que o material que já produzia através das publicações de crônicas.

Ter meu primeiro livro saindo às 00:01 dessa segunda-feira para pré-venda pela Editora FLYVE é muito mais do que o realizar de um sonho de sentir-me realmente um escritor por ter uma obra impressa. É um verdadeiro exorcismo compartilhado com quem aceitar recebê-lo, dado o caráter confessional que o livro imprime.

Me realizo duplamente com este lançamento. Me liberto de anos de dor, compartilhando e me desnudando de um passado um tanto quanto assombroso e me vejo, finalmente, como alguém que alcançou uma meta traçada há anos e agora está pronto para compartilhar sua primeira obra literária com todos. Além de meu primeiro livro, quem adquirir “Todo Amor Que Nunca Te Dei” estará adquirindo uma reflexão sobre recuperar o amor próprio e sobre saber retirar-se quando não se é mais servido.

Abaixo deixo o link do site da editora para que possas adquirir o teu, que tem mais de 35% (menos 18 reais do valor total) de desconto nesse primeiro mês:

https://www.editoraflyve.com/todo-amor-que-nunca-te-dei

CASADOS PELA QUARENTENA

Ele & eu ♡

Sempre sonhei em me casar com uma pessoa sensacional. Alguém que me inspira, que me motiva diariamente e que me move a ser uma versão melhorada de mim mesmo. Viver um relacionamento assim, cheio de amor, motivação e reciprocidade parecia algo distante até o início de fevereiro, quando tudo começou. O que eu não tinha ideia, nem em meus sonhos mais distantes, é que a vida me faria ter tão cedo uma “vida de casado”, com essa pessoa tão especial.

A ideia inicial era aproveitar as duas semanas de isolamento social, período que a escola estadual onde ele trabalha estabeleceu inicialmente como o tempo de quarentena. Acontece que, aos poucos, como bem sabemos, as coisas foram tomando proporções maiores e a situação do COVID-19 foi ficando mais alarmante e o tempo de quarentena foi prorrogado pelo governador do estado, seguindo orientações da OMS.

É claro que, no início, nada parecia ruim. Acordar juntos todos os dias, estimular um ao outro em seus trabalhos, nas tarefas domésticas e em tudo mais que a vida a dois envolvia foi algo empolgante desde o começo do “confinamento”. Para a gente, que mora longe e fica muito tempo sem se ver, não seria sacrifício algum encarar mais tempo juntos se aventurando em nos conhecermos mais e nos doarmos mais ao nosso relacionamento, que em tão pouco tempo já se mostrou extremamente intenso da melhor forma para ambos.

Muito mais nus do que quando compartilhamos o banho ou a cama, a quarentena nos mostrou um para o outro como somos diante do bom e do ruim que surge no dia a dia, diante das dificuldades, diante das alegrias e diante de nossas próprias imperfeições, que ficam a cada dia mais explícitas. E, acreditem ou não, não tem sido difícil como eu achei que seria. Temos dias ruins, é óbvio, mas os momentos bons são infinitamente maiores e mais proveitosos que pequenos momentos que parecem mais difíceis.

Criamos uma espécia de barreira, um limite pessoal que estabelecemos para aqueles dias em que não acordamos cem por cento ou aqueles momentos em que estamos irritados por algo relacionado a trabalho. Exemplo: quando ele tem uma situação difícil e que está se demorando a resolver no trabalho ou quando eu não consigo ter um bom rendimento na escrita de meu trabalho atual (meu próximo livro), não ficamos bajulando o outro com mensagens chatas de “vai ficar tudo bem”. Apenas deixamos aquele momento de frustração ser vivido e respeitamos o tempo um do outro de lidar com aquilo. Essa individualidade foi algo que conversamos sobre, e que acreditamos ser a base de um relacionamento, desde nossa primeira teclada no Instagram.

Assim, temos passado dias tentando estabelecer uma rotina, algo que é um desafio maior do que conviver um com o outro. Outro ponto muito positivo é que ainda temos o tempo “sozinho” pra fazermos o que gostamos. Não são raras as vezes em que estou no home office trabalhando e ele está no quarto assistindo vídeos no smartphone ou fazendo qualquer coisa que ele gosta de fazer. Também é muito comum enquanto ele trabalha enviando as aulas, pela manhã, eu estar no quarto lendo ou ouvindo meus podcasts favoritos (um vício nesta quarentena). Tem também a madrugada, período em que ele dorme o sono dos justos enquanto assisto entrevistas, leio ou faço aulas de escrita.

Pois é, por mais assustador que estar “repentinamente casado” seja, creio que estamos vivendo dias maravilhosos e que, possivelmente, seriam preocupantes de se viver separadamente. Sei que é um privilégio estar com meu namorado nesse período, tanto quanto é um privilégio poder estar em isolamento social. Mas me sinto realizado, casado e bem amparado por mais assustador e tenso que este confinamento forçado esteja sendo para todos. Gratidão define e amor também.

  • Nota do namorado do editor: O ALEF É LINDO! ♥

RAD – RELACIONAMENTO A DISTÂNCIA

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‘Querendo dá’ diz a canção Outro Sim de Fernanda Abreu que nos passa a mensagem clara de uma máxima da vida: quem quer faz acontecer. Assim é pra quem, mesmo com nossa educação aos trancos e barrancos, quer estudar, quem quer viajar, quem quer perder peso, enfim, assim serve pra tudo na vida, inclusive algo que vivo atualmente, um relacionamento a distância. 246km de distância, para ser mais preciso.

Não é todo dia que a gente tá realizado da vida por simplesmente ter encontrado alguém mais do que especial. Tem dias que a falta daquela pessoa por perto pesa e pesa muito. Ainda mais se, como no meu caso, parece que tu tens anos de vivência com a pessoa, assim tudo tem um peso extra dada tamanha afinidade. Mas eu sempre costumo pensar que poderia ser pior. O meu par poderia ser alguém que vive no Japão e eu sentir que, mesmo com a distância, somente essa pessoa me completa e ela merece que eu espere por ela o tempo que for.

Não levo todo e qualquer relacionamento como complicado, a não ser que seja abusivo. Nesse caso eu pulo fora ao primeiro sinal sem ao menos dar chance de render o mínimo que poderia. Creio que o ser humano é que tende a complicar as relações e ficar procurando pêlo em ovo. Eu mesmo já estive no time dos ‘complicadores’ e vez ou outra ainda tenho meus surtos de leve. Mas o que importa é que pra qualquer relação se dar é necessário doação, doação essa que eu sinto em meu relacionamento, que, mais do que qualquer outro que já vivi, é movido por reciprocidade.

No fim das contas, com todos os aparatos proporcionados pela tecnologia e modernidades, a saudade acaba sendo mero detalhe que serve de combustível para um reencontro surreal e delicioso. Enquanto isso as conversas via whatsapp, repletas de áudios, imagens, gifs, vídeos e chamadas de vídeo intensificam-se e fazem do relacionamento a distância apenas mais uma forma de amar, sem grandes complicações ou empecilhos.

Pode até ser longe, mas encarar as cinco horas de viagem com a expectativa de ter o toque, o beijo, o sorriso e o carinho da pessoa amada não tem preço. E nos últimos minutos de viagem, quando já está chegando ao destino, sentir o coração disparar e o alívio que dá ao ver o ser amado vindo em tua direção com um sorriso largo no rosto, isso só intensifica que distancia nenhuma separa dois corações apaixonados, afinal: querendo dá.

SOBRE O PEQUENO PRÍNCIPE

Em dois de fevereiro, por volta das 21h, ele curtiu uma foto minha no instagram por causa de uma hashtag. Curti algumas dele de volta e recebi mais umas curtidas em fotos, até que eu respondi a um story dele com “so cute” (tão fofo). Começamos a teclar a partir dali e, embora talvez nem eu acredite nesse tipo de coisa, eu já sabia que tudo estava acontecendo pra ele ser meu.

Horas passaram-se, trocamos número de  whatsapp e ele começou a mandar áudios, aquela voz grave dele mexe comigo. Trocamos playlists do spotify e riamos muito de figurinhas e memes que pareciam vir de uma pessoa que já conhecia a outra de muitos anos. Não creio em vidas passadas, mas o que sinto é que por muito tempo eu enviei ao Universo minha energia chamando pela vibração dele e fui atendido.

Embora tudo fosse mágico, ainda havia algo que me deixava com o pé atrás: ele tinha um namorado. Porém, invés de me desesperar eu apenas deixei tudo fluir pois a certeza de que iríamos ficar juntos era algo que simplesmente me preenchia e fazia eu ver tudo com leveza. Não me importava o tempo que teria de esperar, eu simplesmente sabia que seríamos um do outro.

Dias foram passando e essa troca se intensificando, enquanto o namoro dele não ia bem e o namorado mal o respondia. Chegou ao ponto de eles conversarem e o parceiro resolver dizer que mudaria, mas no dia seguinte ele seguiu fazendo pouco caso desse cara incrível que conheci. Acompanhando tudo, invés de ficar feliz eu até fiquei chateado, ele merecia mais que aquilo e eu queria ser o melhor pra ele. Eu sabia que sou capaz de ser o melhor pra ele.

Quando ele me contou que o boy finalmente havia dito que não queria mais nada com ele, senti um alívio que ele veio a me confessar sentir  também. Estabelecemos um pré acordo, antes mesmo do primeiro encontro, de que já estávamos apenas um pelo outro. Medos? Tive, mas eu tinha também aquela certeza, que senti na primeira teclada, a certeza de que eu estava fazendo a coisa certa.

Dias depois, esperei apreensivamente por uma graninha entrar e finalmente ela caiu na conta e eu encarei as cinco horas de Porto Alegre a Tavares para ver ele e me doar àquilo que já me consumia, a paixão. Havia ainda um certo medinho da famosa “química” não rolar. Mas eu simplesmente guardei o medo no bolso e disse “bora que o que eu sinto não é pouco e isso precisa ser vivido plenamente”… E foi.

O primeiro abraço, na rodoviária, foi caloroso e cheio de ternura com uma pitada de desejo por mais. Queria tê-lo beijado ali mesmo, mas fomos resguardados e aguardamos chegar na casa dele. Fechando a porta e dado o primeiro beijo eu tive a certeza: ele veio pra mudar minha vida. E desde então é o que tem feito. A química é maior do que jamais sonhei ser. O beijo, o toque, o carinho, o olhar, o riso, as trocas, a doação, as carícias e o sexo, tudo é repleto  uma reciprocidade que nenhum homem em meus 33 anos jamais me deu.

Já me apaixonei e já senti que fui valorizado por uma paixão antes, mas na intensidade e doação que agora existe jamais houve. Ele é meu muso inspirador, ele é meu ombro amigo em dias ruins e somos causa do riso um do outro. Ele é meu calmante natural, pois percebi que quando estou com ele eu não fico a roer unhas e dedos, eu apenas relaxo e vivo o momento. Ele também é a melhor companhia pra qualquer rolê ou pra tomar uma taça de vinho enquanto contamos passagens de nossas vidas, boas ou ruins. Ele ri das minhas dancinhas e diz que eu danço bem, algo que não acredito mas acho uma delícia de ouvir, e me tira pra dançar no meio da sala ao som de MPB. Já somos lindos juntos sem fazer força, modéstia a parte.

Eu me desnudei pra ele como jamais o fiz antes. Contei medos, temores, traumas, micos e conquistas. Ele? Ah, ele foi tão transparente quanto eu e me deixou ainda mais encantado por tudo que ele é e ainda quer ser. Quando ele perguntou “onde tu esteve esse tempo todo?” de mim simplesmente saiu “eu estive tentando evoluir pra ser minha melhor versão pra ti”. E de fato eu creio fielmente nisso. Agora eu vivo suspirando e, embora a gente viva longe um do outro, sinto que tudo só cresce porque essa doação mútua é vivida diariamente em pequenos atos que aquecem o coração e trazem a segurança da reciprocidade.

Nos dias juntos descobri que ele superou muitas barras, passou muitas dificuldades ao longo de seus 25 anos e tornou-se um homem, que acho muito mais inteligente e maduro que eu, ue sou mais velho. Ele é um homem maduro, que sabe se reinventar e, mesmo passando por diversos perrengues, ele nunca perdeu a doçura e a leveza de seu lado criança, seu lado “pequeno príncipe”. Quando ele sorri tudo vira luz e todos sorriem de volta e quando ele faz graça todos se deixam levar pelo carisma incrível que ele trasmite a cada palavra. Quando ele olha nos meus olhos, apenas tenho a certeza de que tudo ao lado dele vale a pena e de que ele me vê por inteiro.

Então, agora ele é meu e eu sou dele e é isso. E nem se eu fosse o mais talentoso e inspirado dos poetas escreveria algo a altura do homem sensacional, guerreiro, maduro, carismático e inspirador que ele é. Mas ao menos nossa historia virou uma crônica, a primeira de muitas, obviamente, pra lembrar ele que ele é um capítulo novo em minha vida. E, desde dia 21, quando me disse sim, ele me faz sorrir sem ao menos precisar fazer piada.

Alef Leal, obrigado por existir e fazer toda a diferença. Te amo, meu pequeno príncipe (que é a tatuagem que carregas em ti e representa tua doçura, sensibilidade e olhar puro)!!!

Nota: me permiti ser um pouco cafona na montagem da imagem acima, pois todas manifestações possíveis de amor guardadas no íntimo do meu ser estavam guardadas pra ele. ♡

TINDER, UMA EXPERIÊNCIA FRUSTRADA

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Não, não era pra ser uma “experiência”. Eu definitivamente cedi e entrei no Tinder afim de conhecer alguém. Seja lá se fosse pra apenas conhecer melhor alguém tomando um café, em um date mais romântico ou uma “tentativa” de sexo casual ou, até mesmo, ter apenas mais uma pessoa com quem trocar figurinhas no whatsapp. E o resultado foi frustrante, pra não dizer desesperador.

Usei anteriormente a palavra “cedi”, pois foi isso mesmo que fiz. Precisei me desconstruir pra fazer uso do aplicativo de relacionamento. Eu sempre fui aquele chato do contra e até cheguei a chamar esse tipo de app de “açougue de gente”. Mas após uns dias refletindo sobre usar ou não usar, parti pra ação a favor do sim.

Então, ao fim da tarde de sábado eu já estava lá. Textinho de perfil feito, fotos que acho legais e honestas selecionadas, hora de dar LIKE (curtida) ou NOPE (nem) nos boys. Tudo começou errado porque o desorientado aqui arrastava pra qualquer lado afim “descartar” usuários. Mas qualquer pessoa sabe que o jogo é arrastar pra esquerda pra dar NOPE e pra direita pra da LIKE. Devo ter dado LIKE em metade do Rio Grande do Sul até perceber o que estava fazendo.

Acontece que os “likes errados” que viraram o tão esperado MATCH foram iguais a NADA. O MATCH, que é a moral da história pra se dar bem, poder ser o mais frustrante. Pra quem não sabe, o tal MATCH é quando alguém que tu deu LIKE dá em ti também. Mas de uma quantidade razoável de MATCHs, ninguém me chamou pra teclar. Mano, parei pra pensar e fiquei noiado que nem “meus erros”, os boys que dei LIKE errado e rolou MATCH, me querem. Alguns boys eu enviei oi, outros mandei apenas emoji de dois olhos e uns esperei porque achei que eles eram muita areia pro meu caminhão e deviam estar me zoando me ”curtindo”.

O resultado? Com cinco pessoas rolou algum diálogo, o mesmo diálogo deixou de fluir e não me responderam mais, fazendo com que o “papo” durasse menos de 24h. Uns nem responderam o oi, ficou só no tal MATCH, o que me soa como uma “massagem no ego para aqueles com baixa auto estima”. Mas não sou ninguém pra julgar. Dá LIKE quem quer e quem não quiser responder MATCH que sinta-se a vontade.

Mas confesso que depois desses três dias eu me pegay bem decepcionado e frustrado com a experiência. Me levantou questionamentos como: “será que preciso disso pra me sentir ‘validado sentimentalmente’ no meio?” Ou: “será que nasci pra algo mais analógico?” Ou ainda: “será que é precipitado concluir que não me serve em apenas quatro dias?”

Mas fica a lição de que pode ser uma rede social meio… estranha, com gente que tecla e depois some e gente que te deseja mas não quer diálogo. Então, pode realmente não ser o tudo de mais divertido pra quem ‘não sabe brincar’ e é muito chato, exigente e espera que as coisas aconteçam, como eu. Tem ainda a questão de eu achar bi-zar-ro que algumas pessoas ponham seus pesos no perfil. Qual fiscal fica lá vendo que fulaninho tá acima do peso e daí não merece um LIKE? Tem que ver isso ae…

Até agora todo e qualquer questionamento segue sem resposta. Meu amigo Guibs, que me conhece muito bem, disse “tu não vai durar uma semana lá”. Pois bem, migue, o perfil está lá, embora ontem já tenha causado certo ranço e eu nem tenha entrado, já pra evitar aumento no nível de estresse. Mas talvez até sábado eu me sinta mesmo obrigado a levantar minha bandeira branca e procurar o ‘excluir perfil’.

FOI SÓ TUDO ISSO…

Imagem via DeviantArt de Costalonga

– É pra começar desde o começo mesmo? Tipo, contando tudo que aconteceu até eu ter essa crise de choro que me fez chegar aqui? Tá, vou tentar.

Assim, a gente começou a se falar em Maio e nos tornamos amigos. Isso porque ele me chamou no twitter e pediu pra não odiar ele, pois ele sabia que eu não ia com a cara dele por umas coisas do passado. Daí a gente foi meio que se interessando um pelo outro e desde então a gente começou a trocar mensagem todo santo dia. Cada vez mais se tornando íntimo e amigos, mas sempre com segundas intenções bem demonstradas nas mensagens, diversas ao longo do dia, trocadas.

Merecido tudo isso, óbvio. Porque eu devia ter percebido os sinais desde o início. Rapaz jovem, inteligente, comprometido com trabalho, querido, atencioso, sexualmente atraente e muitas outras qualidade que aprecio. Enfim era um partidão, não podia ser tão perfeito e ficar na minha vida sem destruir meu psicológico ou quebrar alguma coisa aqui dentro, tipo o coração. A perfeição não existe e eu, que não me achava grande coisa pra ter ele mesmo, achei que ao menos ele era o mais próximo de perfeição que eu havia conhecido até então.

Acontece que, no fim de Setembro, ele veio com um papo de que não pode me oferecer mais do que amizade. Um choque pra quem já vivia de “bom dia”, “como tá?”, passando por “como foi teu dia?” e chegando ao “boa noite, dorme bem, sonha comigo”. Isso tudo sem contar trocas constantes de fotos e vídeos, o que fazia tudo parecer um verdadeiro relacionamento sem o rótulo de relacionamento. Será que tô muito louco de ter achado tudo intenso e precioso demais para de uma hora pra outra vir esse papo de “vamos ser só amigos”?

Tentei digerir e entrei na dele, até esses dias aí. Mas acontece que, como bom amigo, eu queria saber de tudo e nunca escondemos nada um do outro mesmo, desde Maio éramos assim. Daí veio um rolo dele e em seguida ele dizendo que estava realmente gostando do cara, mas que não ia investir porque o cara só queria sexo. Como assim um idiota consegue a chance de ter um cara foda que nem ele e fica só no sexo? Tem que ser muito otário pra ficar nisso e não deixar evoluir pra algo mais. Maldita juventude da era tinder. Mas né, sorte de um, azar de outro e eu aqui mais surtada que a Britney em 2007, quando atacava carros com guarda chuva.

Num dia de surto, movido por um sentimento de ”QUERIDO EU NÃO POSSO FICAR NESSAS DE AMIGUINHO PORQUE EU SOU DOENTE MENTAL E NÃO SEI BRINCAR, NEM SEI PORQUE DESCI PRA ESSA MERDA DE PLAYGROUND SENTIMENTAL”, decidi contar pra ele que essa relação de amizade tipo quase 24 horas por dia trocando mensagens fofas com alguém que eu comecei a relação já na base do interesse sexual e tornou-se algo tipo “talvez evolua”, ao menos pra mim, já não era algo que mantinha minha mente sã.

O resultado é um “então tá, não vamos nos procurar mais e é isso”. Agora eu fico pensando “que merda eu fiz, não tenho mais aquela pessoa mega especial que eu contava tudo e quero contar tudo que tem acontecido pra ele, porque meus amigos tem mais o que fazer do que bancar ser bons amigos em tempo integral”. Desde então eu me sinto o cantor Jão e choro no chuveiro cantando “Ai meu Deus eu vou morrer sozinho se eu continuar nesse caminho”, até que decidi ligar pra senhora e marcar essa consulta.

Então doutora, foi só tudo isso que aconteceu. Me sinto leve só de ter contado, mas me ouvindo e olhando bem tudo que eu disse eu percebo que não fui e nem sou normal. Agora me dá logo o diagnóstico, tenho cura ou serei essa gay surtada assim pra sempre?

NOTA: Infelizmente é tudo verdade. Socorro. Alguém me chama no whatsapp… risos

SURPRESA: COMECEI A NAMORAR

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Começou há muitos anos este relacionamento, o problema é que eu demorei pacas a perceber que ele tem futuro e é o único que há de me levar longe. Não valorizei por anos o quanto essa experiencia poderia dar certo e me fazer crescer e evoluir. O meu reencontro com o par ideal demorou anos a acontecer e finalmente posso afirmar de boca cheia que agora eu namoro o homem perfeito para mim: eu mesmo.

Decidido a levar adiante meu projeto 2020 de ser meu próprio namorado e me amar cada dia mais (que já relatei AQUI), comecei o processo fazendo uma limpa nas redes sociais. Oras, porque eu decidi fazer isso? Tem gente que seguimos ou com quem temos amizade por determinado período, mas depois de um tempo não estamos mais conectados e é um ato maduro e natural deixar ir.

Tu não estás sendo uma pessoa ruim por deixar de seguir no instagram ou desfazer amizade de facebook com aquela pessoa que não te passa mais nenhuma energia boa. Ao se amar mais, a gente tende a priorizar somente aquilo que nos completa, quem soma. Nada mais natural que no meio do caminho façamos uma seleção do que nos faz bem e que nos livremos daquilo que não está mais de acordo com nossa vida. É aquele chavão “soma ou some”, eu decidi levar ao pé da letra e não me arrependo.

Meu segundo passo é algo que para uns é mera futilidade, mas eu vejo como investimento pessoal: comprar roupas. Comecei neste final de semana a reavaliar todo meu guarda roupa. Final de ano é definitivamente a hora de rever o que não serve mais ou o que sentimos que já não combina com a gente. Se não transmite mais minha imagem tal qual me sinto ou não me passa boa energia, é chegado momento de deixar ir. Deixar ir é o ponto máximo do amor próprio, creio eu. No mais, quer reflexo melhor de amor próprio do que uma pessoa bem vestida e de bem com sua imagem?

Ainda não tive a chance, nem a coragem, confesso, de me levar para sair sozinho e me curtir tal qual um bom namoro consigo mesmo deve ser. Mas isso é detalhe diante das mudanças que já estou fazendo e me comprometendo a fazer por mim mesmo. Muito em breve me levo pra altos rolês como shopping, cinema, restaurante e museus.

Então, já é oficial: comecei a namorar comigo mesmo. E 2020 será meu ano, terei muito mais amor comigo mesmo, sem olhar pra trás e, com sorte, nem pros lados. Chega de boy lixo, desilusão e alimentar afeto pela primeira pessoa que aparecer demonstrando interesse, algo típico meu, infelizmente. Eu tenho mais valor e tenho total consciência disso. Vou me namorar tanto, mas tanto que se bobear faço noivado e me caso comigo mesmo. Atente-se pois em breve tu podes receber meu convite de casamento.

QUERO SER MEU NAMORADO

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Grande parte de nossa baixa autoestima vem da forma como olhamos para nós mesmos. Temos uma pequena visão distorcida e já enxergamos mil defeitos, nos achamos imperfeitos e a pessoa mais indesejável do mundo. Em um dia com uma crise dessas em que a gente não quer nem se olhar no espelho diante de tanto ranço de si mesmo, tentei seguir o conselho de um vídeo da youtuber (que sempre salva um dia ruim) Jout Jout: se enxergar com generosidade.

Invés de olhar o que me falta e o quanto estou longe de ser perfeito, mudei a direção do meu olhar e refleti: o que tenho de bom que contribui para que eu seja uma pessoa de valor? Quais são meus pontos fortes como ser humano?

Pra me olhar melhor precisei revisitar meu passado, primeiramente, e pensei que: por muito tempo eu me senti apenas uma sobra de ex relacionamentos, alguém que até tinha sua personalidade mas sempre deixava-se levar pelo desejo do outro e “sangrava” até enlouquecer pra realizar o próximo pois achava que assim eu seria o par ideal e seria feliz também. Errei rude. Errei comigo mesmo e, consequentemente, com quem estava ao meu lado e teve uma versão levemente violada de mim.

Nessas novas observações sobre quem me tornei e o que tenho de admirável hoje, encontrei um cara carinhoso, generoso, disposto a ouvir, disposto a dar e receber carinho e ser um parceiro pra todo e qualquer momento (sempre tive isso em mim aliás). Sou do tipo que romantiza, quase um cara brega de tanto costume antigo como fazer jantinha, escrever poema, planejar passeio e ofertar flores, chocolates e dar presentes personalizados (que nunca sei se agradam hahaha). Daí me lembrei de um trecho da canção Feel The Sun, da eterna Spice Girl Melanie C. Na letra diz “I am the person I was looking for” (traduzindo: Eu sou a pessoa que eu procurava) e BOOOOM (insira aqui a imagem de uma mente se abrindo e fumaça saindo). A ficha caiu e eu fiquei “gente, o cara ideal sou eu”.

Egocentrismo? Não, longe disso, isso é apenas realismo. Ninguém atenderá jamais as nossas expectativas pois expectativas são apenas de quem as cria (isso já me é um mantra). Mas precisamos ser nosso par ideal pois, afinal, o único relacionamento que teremos pra vida toda, ao certo, é com nós mesmos. Se não formos nossa melhor companhia jamais encontraremos boa companhia ao lado de quem quer que seja.

Então, a partir de agora eu pretendo me levar ao cinema, sim, sozinho. Quero sair comigo mesmo pra jantar ou tomar um café. Quero ver o por do sol em uma praça me tendo como companhia e carregando apenas um bom livro. Vou dançar sozinho no quarto, como fazia na infância e adolescência e sei lá porque eu parei se era libertador e maravilhoso. Eu não vou mais procurar alguém, embora serei grato ao universo se alguém um dia surgir. Deixarei a procura para quem perdeu algo e eu não perdi, pelo contrário, eu encontrei. Eu me encontrei. Vou apenas ser generoso com meu relacionamento comigo mesmo e quero explorar ao máximo essa “relação a um”. Quero ser meu próprio namorado e se um pretendente surgir será bem vindo mas não priorizado pois estou em um caso de amor que será duradouro, um caso de amor comigo mesmo.

Nota: imprimir e colar na parede do quarto pra me deparar com isso quando a tristezinha aparecer.

ENCAIXOTANDO

Confesso que primeiramente te coloquei na caixa do ranço. Afinal tu eras um rolo do meu ex e me sentia muito ameaçado com tua existência. Então achei que essa era tua caixa para sempre, achei errado.

Então, inesperadamente, tu te aproximaste e já encaixotei como crush, aquele boy que a gente de cara já tem interesse em se envolver, acha o máximo e acredita até que pode evoluir pra ser um relacionamento e virar um mozão.

Em seguida fiquei meio que me sentindo jogado pra escanteio quando me revelou que não pensa em se envolver tão cedo. Isso meio que quebra o clima e faz a gente perceber que caiu na “caixa da amizade”, a famosa friend zone. Fiquei tristes até, mas depois repensei e percebi que amigos são raros e eu tava no lucro.

Acontece que a gente já tinha todo aquele frescor de querer ter algo, nossa atração explicita por todas aquelas mensagens. Então, mesmo sem desejar algo sério, nos propusemos a encarar uma caixa pequena, a caixa do sexo casual. Podemos também chamar esta de caixa de “amigos com benefícios “.