TEM DIAS QUE A GENTE TRANSBORDA

Gratidão 💟

Esta terça-feira foi um dia diferente, muito além de qualquer outro dia ou expectativa criada para um dia que já começa com o selo de dia comum, a terça-feira. Mas a vida é um clichezão, ou seja, uma bela caixinha de surpresas.

Comecei meu dia com saudade de amigos, família, vó, mãe, irmãos, primas, tudo e todos pareciam vir em minha memória fazendo parte de uma leve pontada de tristeza que me deixou de mau humor. O clima frio e chuvoso também não ajuda muito a gente a olhar as coisas pelo lado positivo de que estou em isolamento. Posso me dar ao luxo de estar em isolamento. Além disso, estou ao lado de um homem que amo e me ama. Enfim, sou privilegiado, sei disso, porém isso não me isenta de momenos de tristeza ou dor.

Então, me permiti olhar pra minha tristeza com carinho. Me permiti apenas viver meu dia ruim. Escrevi um pouco logo após o almoço. Escrevi num caderninho, que tenho sem pretensões de publicar os textos ali registrados (meu caderno de escrito terapia), aquilo que me incomodava, meu descontentamento comigo mesmo por me sentir mal. Em instantes lotei uma folha e me resolvi um pouco com meus sentimentos. Foi libertador, como a escrita me é desde a adolescência.

Pouco depois peguei no sono. Um sono leve, que não durou muito. Após acordar, segui meu dia. Me senti menos pior, porém ainda sentia o dia arrastado e a sensação de que não era meu melhor momento e isso era tudo. Tudo que eu tinha e que eu podia ter até então.

Algumas horas se passaram com algumas distrações. Páginas de livros, vídeos no youtube, café, sanduíche, nada que buscasse me trazer uma nova emoção. Já estava entregue a esse dia sem surpresas. Mas a vida tem dessas de fazer o mundo girar e nossa energia mudar com uma boa nova. Então, no instagram, fui marcado numa foto nova da editora Flyve, responsável pela publicação de meu 1° livro, Todo Amor Que Nunca Te Dei. Essa foto fez toda diferença em minha vida e o que ela comunicou faz toda a diferença em minha carreira.

Em uma arte simples temos a capa de meu livro e uma faixa vermelha com o comunicado que diz que o livro digital ultrapassou 1500 downloads na Amazon. Mil e quinhentos é um número muito significativo para um novo autor. Nosso país é um país de poucos leitores. Um livro com boa tiragem inicial tem de três a cinco mil cópias. Ter alcançado esse número e ver meu livro na trigésima posição da categoria Romance Gay, foi além de toda e qualquer expectativa.

Transbordei. Transbordei realização. Transbordei a alegria de ver bons frutos de minha dedicação como escritor e produtor de conteúdo LGBTQ+. Também transbordei porque sei que devo isso a uma linda rede de apoio da comunidade LGBTQ, que vai além dos shades e visões negativas as quais às vezes nos apegamos e ficamos com um pé atrás. Então, percebi que transbordava de ser quem sou e do apoio de gente que luta todo dia pra ser quem é sem medo.

Gratidão a todos que transbordam isso juntxs.

Ouça agora o novo episódio do meu podcast, Estante LGBT:

NOVIDADES: VIVA OS PODCASTS

Capa do meu podcast (saiba mais ao longo do post).
Arte por Alef Leal

Hello, babies. Espero que estejam todos segures (sim, com E mesmo) e bem. Os últimos dias têm sido insanos por serem os dias finais da pré-venda de meu primeiro livro, Todo Amor Que Nunca Te Dei. Tenho produzido muito conteúdo, feito muitos contatos e nas últimas semanas sairam podcasts em que fui convidado e aproveitei pra falar brevemente do livro. Também tenho a maior novidade de todas: agora tenho meu próprio podcast. Então, vamos para as novidades.

Participação no NinhoCast by Lucas De Lucca

Semana passada saiu o episódio onde dois escritores da Editora Flyve, que lançou meu 1º livro, e eu falamos sobre representatividade LGBTQIA+ na literatura e mais outros assuntos relevantes para a nossa comunidade. Tu podes ouvir abaixo.

Participação no podcast Alô Terráqueo

Em 8 de maio saiu o episódio do podcast do meu namorado, Alef Leal, sobre rejeição. Nele falei sobre como transformei a rejeição e o desamor de um boy no livro Todo Amor Que Nunca Te Dei. O episódio traz reflexões super interessantes e super indico para todes.

Meu próprio podcast, o Estante LGBT

Já pensava em ter meu próprio podcast desde metade do ano passado. Ouço muitos podcasts diariamente e acho que eles vieram pra ficar pois é muito prático consumir seu conteúdo durante atividades do dia a dia. Mas eu não queria apenas fazer algo do tipo “bate papo”, levantando questões que já costumo expor aqui em crônicas. Eu esperei muito porque eu queria uma proposta original e que atendesse a alguma lacuna que estivesse em aberto na internet. Como o isolamento tem feito eu consumir mais livros, e estou mergulhando na literatura LGBT, decidi criar o Estante LGBT para dar dicas de livros LGBTQIA+ ou autores LGBTQIA+ e fazer com que mais gente se interesse pela literatura produzida pela nossa comunidade. Inicialmente seria dominical, mas nesta semana refleti e agora ele sairá todo sábado e amanhã já teremos um episódio novo, claro, e com convidado novo. Eis aqui o primeiríssimo episódio.

Meu podcast faz parte do #LGBTPodcasters

O #LGBTPodcasters é um movimento criado para divulgar podcasts brasileiros produzidos e direcionados para pessoas LGBTQI+. A hashtag foi usada pela primeira vez em 18 de agosto de 2017 pelo perfil @euamopodcast. Conheça os podcasts que já fazem parte da rede #LGBTPodcasters no link abaixo.

lgbtpodcasters.com.br/podcasts

NOVIDADES? TEMOS!!!

Muitos já sabem de minhas novidades por me acompanhar em facebook e instagram, mas como aqui tem muita gente que acessa e não me segue nas redes, sinto a necessidade de compartilhar as boas novas e o farei por meio deste post.

PARTICIPAÇÃO NO PODCAST ALÔ TERRÁQUEO

Para começar, trago minha humilde participação no podcast do meu namorado Alef Leal. Participei no primeiríssimo episódio, NEM TUDO NA VIDA ADULTA É SUCESSO, onde o assunto é os perrengues da vida adulta e como lidamos com eles. Modéstia a parte, o episódio ficou bem divertido e vale a pena dar o play. Segue abaixo o player.

E-BOOK MONOLOGAY

Ainda sem data definida por motivos do andamento das coisas devido ao corona vairus (leia imitando a Crdi B, por favor), o e-book coletânea de crônicas do Monologay, com material que vai de 2009 (quando comecei o blog) a 2019, está preveisto para estar na Amazon Store até o fim de abril. Tenhamos fé e paciêcia que eu consiga fazê-lo o mais brove possível. Óbvio que farei post de divulgação aqui, mas já fica pré avisado que ele está chegando e não foi esquecido (pois lembro de já ter mencionado ele aqui).

A PRÉ VENDA DE MEU 1º LIVRO, TODO AMOR QUE NUNCA TE DEI, SE APROXIMA

Para quem ainda não sabe, o que acho meio difícil pois eu já mencionei em uns três ou quatro posts aqui, meu primeiro livro está chegando e sua pré venda começa em quatro de maio pela Editora FLYVE. Sim, pouco mais de trinta dias. Se eu estou ansioso? Estou mega, hiper, uber ansioso e nervoso, do tipo co dor de barriga só de pensar. Mas mantenho a calma e já estou produzindo material de divulgação, leia-se vídeos, posts para redes sociais e afins. Então, para começar a tranbalhar mais na divulgação e imagem do livro, citando trechos e postando frases que vão de acordo com a mensagem da obra, eis aqui o post do instagram do livro TODO AMOR QUE NUNCA TE DEI com a capa e na legenda a premissa da obra. Espero que curtam, sigam e acompanhem o trabalho de divulgação que foi planejado com muito cuidado e dedicação.

DICAS DE ESCRITA NO INSTAGRAM

Retomei meus IGTVs com dicas de escrita, criatividade, foco e afins. Já tinha quatro vídeos deste tipo de abordagem postados no Instagram antes e, como alguns amigos e seguidores me motivaram a retomar esse conteúdo, postei recentemente o vídeo abaixo.

OS PECADOS DE BERNARDO

Assim que terminei TODO AMOR QUE NUNCA TE DEI eu já dei início ao meu próximo projeto literário, o romance LGBTQIA+, OS PECADOS DE BERMARDO. Ainda não darei muitos detalhes do livro, mas posso adiantar de antemão que tenho previsão de lançamento para outubro deste ano, também pela Editora FLYVE.

Enfim, essas são as minhas novidades até o momento. Fiquem ligados nas redes sociais, pois a qualquer momento surge mais alguma coisa. O mês de abril ainda promete possíveis novidades e bons conteúdos digitais.

A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA LGBT

Imagem via google

Uma amiga e leitora me questionou sobre eu fazer os posts de dicas de literatura LGBT. A mesma disse que não havia necessidade de separar os gêneros literários, que literatura é literatura e ponto. Sinto necessidade de explicar a ela aqui porque temos a literatura LGBT e porque insisto em postar dicas do gênero sempre que posso.

O resumo da ópera é mais que simples: REPRESENTATIVIDADE. Tentarei explicar de maneira objetiva pela minha perspectiva e experiencia. Eu cresci lendo livros héteros, escritos por héteros, tendo protagonistas héteros que viviam romances, obviamente, héteros e achava tudo normal, até que comecei a perceber que eu parecia não existir nos universos apresentados a mim naquelas narrativas. E, de fato, eu me senti invisível por alguns anos até descobrir que havia literatura pra mim e sobre pessoas como eu.

Além disso, percebi que há uma importância enorme em uma narrativa LGBTQIA+ para que, além da identificação e representatividade de milhares de leitores ao redor do mundo, haja esclarecimento sobre quem somos, como somos, o que desejamos e como nos enter e lidar com nossa existência sem que haja desconforto quando estivermos em um mesmo ambiente. Pessoas com um pouco de bom senso e mente aberta podem aprender muito com nossos livros e superarem a tão indesejada intolerância.

Veja bem, cara amiga leitora hétero, não entenda mal, mas se existe uma demanda há um público específico para ela. Vale salientar que, o fato de ter crescido lendo livros onde tudo girava em torno do personagem hétero e, na maioria das vezes, a história terminava em um “felizes para sempre” de um casal hétero, isso não me fez deixar de ser gay. Então, sua preocupação quanto a seus netos possivelmente lerem um livro LGBT ao longo de sua trajetória como leitores pode cair por terra pois nascemos LGBTs e não nos tornamos por influências externas.

Não precisa também, cara leitora branca e heterossexual, ficar preocupada com o roubo do protagonismo do, já superestimado, branco heterossexual e privilegiado desde que o mundo é mundo. Por serem, possivelmente, uma maioria global vocês sempre terão o devido destaque na literatura, na TV, no cinema, no mundo da música e em qualquer área.

O mundo é enorme e diverso, então há espaço para toda sua diversidade e infinidade de pessoas. Precisamos, mais do que nunca, que nos deixem ter aquela palavrinha que especifiquei no segundo parágrafo, a REPRESENTATIVIDADE. Faz bem pra lidarmos com as diferenças e nos afasta da ignorância, que tem sido um dos maiores males da humanidade.

LITERATURA LGBT – O ANO QUE MORRI EM NOVA YORK

Foto de minha linda mãozinha segurando esse livro adorável, que não sairá jamais
de minha humilde biblioteca.

Demorou, mas finalmente saiu um novo post de Literatura LGBT. O livro da vez é o maravilhoso O ANO QUE MORRI EM NOVA YORK da jornalista, escritora e ativista LGBT Milly Lacombe, que terminei de ler na semana passada.

Partindo da premissa que o livro relata um término doloroso de relacionamento após a descoberta de uma traição, algo que me ocorreu em 2010 (em meu primeiro namoro), eu sabia que me identificaria com o livro. Mas a identificação foi além de todas as minhas muitas expectativas, pois além de me identificar com a situação, embora Milly terminava um casamento de 9 anos e eu um namoro de 3, me identifiquei com a pessoa cativante que é a Milly Lacombe. Um pessoa que pula de cabeça em relacionamentos, que não bebe a taça pela metade, que embriaga-se com gosto quando o assunto é beber da fonte da paixão. Já era completamente encantado pelas colunas da escritora para a Revista TPM, tanto que tenho minhas favoritas guardadinhas em pasta catálogo, ao conhece-la ainda mais a fundo com o livro, vi muito de mim nela, não só por ser amante da escrita, mas por ser um amante de amores e paixões, alguém que realmente curte a aventura do envolvimento e, também, por usar a escrita para expressar de maneira transparente e clara suas dores.

Voltemos ao livro, após a descoberta de traição de sua esposa Tereza, com quem era casada há nove anos e dividia a vida há dois anos em Nova York, Milly se vê completamente desestruturada emocional e, até mesmo, financeiramente. A autora encontra-se totalmente sem chão, embora ainda possa contar com o amparo de família e amigos. Para tentar acabar com a dor profunda do término Milly joga-se de cabeça na aventura do autoconhecimento, a chamada noite escura da alma, através de uma viagem para a Amazônia, com um grupo de pessoas que tem o mesmo desejo dela: curar-se de traumas do passado espiritualizando-se. A jornada da autora é simplesmente fascinante e não para na floresta. Após esta experiencia, ela refugia-se numa casinha simples no interior do sul de Minas, leia-se no mato, e redescobre prazeres e aprende muito mais sobre si mesma através da experiencia da imersão em sua solidão e, seu autoconhecimento atinge seu auge com o seu encontro com a Ayahuasca. Não contarei mais detalhes que isso, mas podem ficar sabendo que dos dezesseis livros que li este ano O ANO QUE MORRI EM NOVA YORK é meu favorito.

Trecho – “O avião se prepara para decolar e dentro dele está tudo o que tenho na vida: roupas, livros, objetos, meu corpo e o que restou de minha alma. Tarde demais, pensei, tudo acabou.”

A autora maravilhosa e sua obra

Então, dada a dica. Que 2020 nos traga mais ótimas leituras de livros LGBTs incríveis e sigo na meta de trazer aqui, no mínimo, UM LIVRO DE LITERATURA LGBT POR MÊS. Oremos e aguardemos.

LITERATURA LGBT: O HOMEM DE LATA

O livro tem uma ligação interessante com
uma tela de girassóis de Van Gogh

Faz muito tempo que não posto nenhuma dica de literatura LGBT por aqui. Pois bem, semana passada terminei uma e essa semana já estou na reta final de outra. Então, teremos mais dicas de livros com essa temática esplêndida em breve.

Hoje compartilho minha aventura literário com um livro que comecei a ler ao fim de Setembro. Peguei ranço dele nos primeiros dias e larguei ele na estante. Motivado pelo meu amigo, Felipe Baicoa (amo tu, Lipito), decidi encarar O Homem De Lata e retomei na primeira semana de Novembro. E não é que fluiu e eu me encantei demais pela obra?!

O HOMEM DE LATA conta história, que se passa entre os anos 1969 e 1990, de um amor que nasceu na juventude do “casal” (sim, entre aspas pois ao longo do livro o termo torna-se duvidoso) Ellis e Michael. O livro não começa contando de cara sobre o romance deles. O mais confuso é que a sinopse do livro nem sequer conta que é um romance LGBT (não um romance gay pois Ellis revela-se bissexual). Os dois rapazes vivem seu “romance” na adolescência e início da fase adulta, até o surgimento da jovem loira e carismática Annie, que arrebata o coração de Ellis levando-o ao altar.

O livro vai muito além disso, mostrando Michael depois de desvincular-se de seu amor por Ell (apelido carinhoso) e encontrando em outros braços uma nova aventura amorosa e o sofrimento da perda do mesmo em uma época em que a AIDS alastrava-se. O livro é um reflexo muito profundo e sentimental sobre paixões, perdas, saudosismo e afins. Outro ponto alto do livro é a “trilha sonora”. Os personagens são muito musicais e temos com frequência músicas e artistas antigos citados nas páginas da obra, são referências incríveis e que vale a pena dar o play enquanto se lê. É uma verdadeira viagem no tempo e na cultura pop, de muito bom gosto, por sinal.

“E me pergunto qual poderá ser o som de um coração partido.” trecho dos diários de Michael.

Espero que tenha curtido mais uma dica de LITERATURA LGBT. Curte nas redes, compartilha, envia pras amigues, afinal livros são sembre ótimos pra expandirmos conhecimento e viajarmos sem sair de casa.

LITERATURA LGBT – “FRAGMENTOS” CAIO FERNANDO ABREU

Faz um longo tempo, acho que mais de um mês, que não faço post com dica de literatura LGBT por aqui. Hoje trago um dos maiores nomes, se não o maior, literários do país, o escritor gaúcho Caio Fernando Abreu (1948 – 1996). O autor tem uma peculiaridade em sua escrita ao descrever temas como sexo, angústia e solidão. Tanto que bons leitores identificam com facilidade um texto de sua autoria. Sua obra apresenta uma visão extremamente dramática do mundo contemporâneo, imbuído de muita poesia. Fato curioso sobre a vida de Caio, ele era o único escritor assumidamente homossexual no período da ditadura militar.

FRAGMENTOS

Este livro é um contraste do que é o trabalho do autor e do que Caio é capaz de nos apresentar. Vai do romântico, puro e inocente amor ao sexo bruto, pervertido que beira ao nojento.
“Sapatinhos Vermelhos” nos trás uma mulher que vivencia a loucura de uma noite de prazeres extremos. Uma mulher libertária que desprende-se da visão social de “correto” e aventura-se sexualmente.
Já em “Sargento Garcia” temos a aventura de um jovem de 17 anos relacionando-se com um militar mais velho. As palavras do escritor são excitantes através dos relatos de momentos quentes vividos pelos personagens. Um dos melhores contos de doses eróticas que já li.
O conto “Uma História De Borboletas” é seu conto mais poético nesta obra. Gira em torno de um casal gay e um dos homens que está enlouquecendo, literalmente, a ponto de ter de ser internado. Ele enxerga borboletas em seus cabelos. Descrever mais que isso seria spoiler, mas é intenso, lindo e contém um final poético e muito satisfatório.

Frase marcante:
“Tem coisa mais autodestrutiva do que insistir sem fé nenhuma?”

Um livro sobre afetos, desejos, doações e situações que qualquer um de nós poderia viver dia desses. Gostei do livro e não foi pouco, viu.

LITERATURA LGBT: UM LIVRO PARA SER ENTENDIDO

O escritor Pedro HMC e sua obra UM LIVRO PARA SER ENTENDIDO.

Venho, por meio deste post, iniciar uma série de posts (semanais ou quinzenais) extras aqui no blog, são as postagens LITERATURA LGBT. Nessas publicações trarei dicas de livros de temática LGBT ou simplesmente escrito por LGBTs. Afinal, difundir nossa literatura é mais do que necessário, hoje e SEMPRE. Espero que curtam, claro.

Comecemos meu relato por uma bela tarde de domingo, em que eu comecei a leitura do primeiro livro LGBT que já li, o livro “Um Livro Para Ser Entendido”, do escritor PEDRO HMC, criador do canal do youtube Põe Na Roda. Eu sei que é vergonhoso para quem escreve sobre o tema (embora que apenas a partir de minha própria experiência e perspectiva) que eu nunca tenha lido um livro sequer sobre minha realidade sexual. Mas o que venho compartilhar aqui é uma imersão maravilhosa em nossa comunidade e lições valiosíssimas que levarei comigo para o resto da vida. Eu jamais imaginei que dedicar pouco mais de onze horas do meu domingo (comecei à tarde e terminei de madrugada) a um livro agregaria tanto em conhecimento, que eu nem sonharia em adquirir se eu tivesse lido um livro de ficção.

O livro demostra-se uma aventura sexual por si só pois eu sabia que me aguardavam conhecimentos mais profundos sobre o mundo LGBT, afinal o título já diz “Um Livro Para Ser Entendido”, e sugere que é um livro para “entendidos” (gíria gay para quem já se aceitou e assumiu) ou para entender mais sobre este universo. Através da leitura descobri que a sigla não se limita apenas a LGBT e ainda pode ser ampliada para LGBTTTQIACDDPGADG (mas se tu quiseres saber sobre cada letra da sigla, leia o livro, ouqueizinho?). Há uma verdadeira infinidade de termos de gêneros e definições sexuais a serem conhecidos por todos nós para entendermos melhor tanta diferença na nossa humanidade.

Através de uma linguagem super simples, de fácil acesso, direta, divertida e irreverente, PEDRO HMC explora uma infinidade assuntos do universo gay e LGBT sem poupar ninguém de nada e abordando absolutamente tudo. O livro vai dos conflitos da autoaceitação, passando por aceitação de família e amigos, como contar para família e amigos, ambiente de trabalho, como é um relacionamento gay (abordando inclusive, e muito bem, o sexo), um super guia sobre aplicativos de pegação e ainda aborda o HIV com diversos esclarecimentos sobre o tema. Há ainda um capítulo dedicado para esclarecer para a família como aceitar um(a) filho(a) gay. Uma verdadeira aula nova e enriquecedora a cada capítulo lido, onde o autor vai desenvolvendo uma relação de amigo com o leitor, um conselheiro que te abraça a cada palavra e te abre mais a mente com novos conhecimentos. Ao termino do livro, eu só queria enviar uma mensagem ao Pedro dizendo: gato, posso sentar contigo no recreio?

Devo confessar que meu capítulo preferido é o capítulo em que Pedro dispõe-se a questionar o ódio cristão para com a homossexualidade e nos mostra um pouco mais da Bíblia. Além questionar cristãos fervorosos por não seguir versículos do Antigo Testamento como “não comer carne de porco”, “não cortar cabelo ou a barba”, “não comer frutos do mar” e outras cositas más, o autor acaba tornando o capítulo chocante e revelador ao apresentar um caso de romance gay e romance lésbico nos “escritos sagrados”. O primeiro trata-se do romance gay encontrado no livro de Samuel: o caso de Davi e Jônatas (que em certo versículo cita a “união de suas almas”, “deitarem seus corpos” e até mesmo um beijo. Já o segundo, no livro de Rute, aborda o romance lésbico de Rute e Noemi (que cita deixar sua família para trás e seu homem para juntar-se à sua mulher). O autor ainda encerra o capítulo sabiamente dizendo que o Antigo Testamento deveria ser esquecido e que o foco principal deveria ser a passagem de Jesus e com suas palavras afirma: – Tudo que Jesus diz é: “Amai ao próximo como a ti mesmo”, “Não julgueis para que não sejais julgados”, “Faça o bem sem olhar a quem”, entre tantos outros ensinamentos que, pelo visto, pastores e fundamentalistas pularam ao ler a Bíblia.

“Um Livro Para Ser Entendido” é muito mais do que um livro sobre o universo LGBT, é um guia completo para quem quer deixar sua falta de conhecimento de lado e entender um pouco mais sobre uma minoria que é assassinada a cada 28 horas no Brasil (uma realidade assustadora). As palavras do autor são aconchegantes para quem está se descobrindo ou até mesmo para quem já está há anos fora do armário, senti ele como um amigo muito próximo, e também são excelentes palavras para ensinar quem pouco conhece a comunidade LGBT. Uma leitura que valeu cada minuto das onze horas que dediquei de minha tarde e noite de domingo.