CONSUMO LGBTQ+, FAÇA PARTE DA DIFERENÇA

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Estou há dias começando um processo de mudança, que não tem sido difícil mas, que exige muito de pesquisas e de uma melhor percepção de tudo que há ao meu redor. Estou reeducando o meu consumo, começando pelo digital, e focando no consumo de conteúdo LGBTQ+. Sabe aquele papo de “ninguém solta a mão de ninguém” e “bora ajudar as manas”? Então, não é tão difícil e decidi que tornaria isso algo real e que vai além de meme.

A tarefa, ao primeiro momento, pode não parecer um super desafio, pois sabemos que o número de LGBTQs produzindo conteúdo é algo crescente e temos visto conteúdos fantátsticos e repletos de boas dicas, boas referências e bom gosto. Quando o assuno é produção cultural, então, aí a comunidade LGBTQ+ é um prato cheio. Tem sido incrível descobrir essa infinidade de conteúdo e produções. É incrível porque tenho descoberto cada vez mais séries, filmes e, principlamente (por causa do meu podcast semanal Estante LGBT), livros LGBTQ+ e de autores da nossa comunidade. Isso é lindo e maravilhoso, posso encontrar muitos títulos e uma grande variedade de assuntos e gêneros dentro deste universo tão vasto e diverso. Porém, como nem tudo são flores, há também algo muito preocupante em meio a tudo isso: o excesso de banalização, sexualização, levianidade e, até mesmo, oportunismo dentro desse meio (como em qualquer lugar, claro).

Não vou adentrar tudo que tem me desagradado em minha busca por material LGBTQ+ de qualidade, pois se o fizesse não é meu foco aqui. Então, vou focar em lembrar que temos uma vasta opção de consumo quando o assunto é a comunidade LGBTQ+. Já passamos muito tempo com a heterossexualidade nos enfiada goela abaixo e o heteronormativo tem sido o “normal” ao longo dos anos e “não se discute”. Pois creio que chegou a hora de discutir, sim. Discutir porque a gente tem tão pouca representatividade e ir além disso, dar espaço para os nossos. Discutir porque as televisões estão repletas de gente hétero quando o LGBTQ+ brasileiro tem a maior Parada do Orgulho quando se compara com qualquer outro país do planeta. Discutir porque nossa TV, nosso cinema, nossos teatros e até os canais do youtube são meios predominantemente hétero e branco. Questionar-se é necessário, mas começar a dar voz à essas minorias é quase que uma obrigação para quem faz parte delas.

Bora pensar “fora da caixa” e ir além do pensar, consumindo e compartilhando mais e mais para que todos saibam: nós existimos. O gay, a lésbica, a/o trans, a travesti, o assexuado, o negro, enfim, toda a minoria é digna de voz e espaço. E se nós, LGBTQ+ não ajudarmos mudando nossos hábitos de consumo e compartilhando os nossos, estamos fadados à mesmice e caretice de tudo que sempre dizemos não querer mais, mas continuamos aceitando apenas por sermos pessoas acomodadas e que não se esforçam para fazer a diferença. Façamos a diferença.

Ouça agfora o novo episódio do meu podcast, Estante LGBT:

MÊS DO ORGULHO LGBT, TU TENS ORGULHO MESMO?

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Eis que chega o mês de junho, mas não são as festas juninas que perderemos, pelo isolamento social, que me deixam triste por não poder participar. Mas sim os eventos do Mês do Orgulho LGBTQIA+ que deixaremos de presenciar e passaremos a ter, em menor escala, em lives. Porém, não vou descrever exatamente sobre isso, mas sobre algo além de eventos, que é essencialmente o que se divulga nessas situações. Também não vou relembrar como toda nossa luta começou, lá na revolta de Stonewall há mais de cinquenta anos. Mas vou nos lembrar de ideais nascidos nesse período e nos eventos gerados por ele, as Paradas do Orgulho.

Quero levantar uma questão ao leitor: tu tens orgulho dos teus amigos LGBTs? “Claro, os trato da melhor forma e somos muito amigos e etc” alguns responderão, mas quero levar isso a outro nível. Orgulho é um abraço maior e mais caloroso que isso. Refarei a pergunta de forma, talvez, mais clara: tu compartilhas o trabalho, defende os ideiais, participa ativamente defendendo a causa ou prestigia teu amigo LGBTQIA+? Esse é o ponto onde creio que aperta o sapato quando o assunto é “amigo de LGBTs”. Ter na roda de amigos é muito fácil. Já não é sacrifício. Mas tu defendes os LGBTs, comprando briga mesmo, se tiver de comprar, mesmo quando teu amigo(a) não está presente na rodinha de conversa?

Vou dar um exemplo prático, pra ajudar a clarear ideias. Quando tô em almoço de família, jantar, o que seja e algum parente começa com o discurso “não sou racista, mas…” eu já interrompo na hora e o mostro que o condicional “mas” já nos diz que o que segue a frase é ou será contraditório. Tal qual dizer que não é racista e ser anti cotas e achar que é balela. Assim, também vejo muitos amigos de LGBTs que “não são contra, mas…” e dizem absurdos como “ser gay tudo bem, mas não seja uma bichona”, “tudo bem amar alguém do mesmo sexo, mas não precisa beijar em público”… Essa lista de frases de homofobia velada pode ir longe. Mas retorno ao foco: tu defendes o LGBTQIA+ além de dar oi, abraço e falar por rede social? Tu apoia aquele amigo que se monta de drag, indo a shows ou compartilhando seu conteúdo? Aliás, tu tens ou teria amigos drags?

Quero crer que eu estou rodeado de amigos de verdade, que entendem minha luta e abraçam a causa por inteiro. Mas tem pequenos detalhes e comentários que me mostram, às vezes, que a gente ainda precisa educar muito as pessoas em relação a nossa comunidade e tudo mais que envolve o LGBTQIA+. Epero que aproveitemos esse mês para, não só parabenizar o amiguinho no Dia do Orgulho LGBT (28 de junho), mas para consumir mais LGBTs, compartilhar conteúdo esclarecedor sobre a causa e buscar sermos mais “orgulhosos” de nossos conhecidos LGBTs. Se tu estás disposto a isso, parabéns, tu és um bom amigo e participa do Orgulho LGBT. Gratidão!

LGBTQIA+ NO DIVÃ

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Então, doutor, eu nem sei direito por onde começar. É que é tanta coisa. Vou até tentar resumir pra não passar dos nossos quarenta minutos. Se quiser, em alguma parte de meus relatos, me parar para fazer observações, sinta-se a vontade. Afinal, é o senhor o profissional aqui, o senhor quem manda.

As neuras começam pelo fato de eu ser LGBTQ. Sou gay, a maior parte de meus amigos ou é bissexual, ou trans ou é travesti e eu me sinto ótimo, bem acolhido, por isso. Mas sabe como é: toda vez que a gente sai, enquanto todos do nosso grupo não respondem no whatsapp dizendo que já chegaram e estão seguros dentro de casa, eu não relaxo nem durmo.

Quando eu namoro alguém, por morarmos em uma cidade consideravelmente grande, onde transita muita gente e todo tipo de pessoa, eu nunca pego na mão do meu namorado em público. Beijo então, morro de medo desde uns anos atrás quando meu ex e eu apanhamos no shopping por eu acariciar o rosto dele. Voltar pra casa com a boca inchada e dizendo que bati no poste foi meio triste, constrangedor também mentir isso.

Família é aquele lance de “te aceitamos, mas do nosso jeito”, “seja gay mas não seja ‘bicha’, por favor, essas e outras frases que eles não acham que seja, mas é completamente homofóbico. Não entendem ainda que aceitação se dá por completo e abraça o individuo como ele é. O contrário disso é apenas mera tolerância, provavelmente por laço sanguíneo, nada além disso.

Somando essa pressão da família, sempre reluto muito em ser eu mesmo quando tô me arrumando. Por morar aqui, que é um lugar com gente ultrapassada, eu nunca ponho minhas roupas preferidas. Essas eu uso só em ocasiões especiais e na cidade vizinha, que, no bairro onde costumamos fazer happy hour, o povo é mais mente aberta. Aqui eu mal uso roupa colorida, fico no preto e branco e, ainda assim, basta pôr uma calça justa que já olham estranho. Às vezes até tem carro que passa e gritam de dentro: “bicha”. Vai ver deve fazer bem pra quem grita, vai entender…

Se não bastassem essas questões, ainda tem gente que diz que não precisamos ser representados em filmes, livros e séries. Tem gente do governo que diz que não se deve falar sobre a gente pra instruir e orientar ao respeito nas escolas. Vai dando um desgosto de não ser apoiado nem por quem deveria pensar no bem de todos e priorizar os direitos humanos. Tudo isso vai dando um aperto no peito e um nó na garganta.

Acho que é só tudo isso, sabe?! O senhor é só um psicólogo, sei que nada vai poder fazer pra mudar a situação toda. E ainda tem gente que olha pra mim e pergunta: “nossa porquê você parece sempre tão triste?”. Mas ao menos eu estou aqui pra tentar não enlouquecer com isso me sufocando enquanto a igualdade pela qual luto, e muitos chamam de mimimi, não chega. Enfim, já deu quarenta minutos, doutor?

DIA MUNDIAL DE COMBATER A LGBTFOBIA, JUNTOS!

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Nem todos sabem, mas dia 17 de maio é o Dia Mundial do Combate a LGBTfobia. É uma data para celebrar nossas diferenças e trazermos para a discussão o preconceito contra esta minoria, contra a nossa minoria. Hoje é um dia marcado históricamente para promover a luta pela causa LGBT e levantar debates e discussões sobre preconceito e crimes de ódio contra os nossos.

A data é referência simbólica da luta pelos direitos de nossa comunidade, uma vez que coincide com o dia em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) deixou de considerar a homossexualidade como doença. “A gente comemora o ganho do reconhecimento, mas isso ainda tem que ser apropriado por todos os aparelhos da sociedade para entenderem que a transexualidade, a travestilidade e a homossexualidade não são doenças, mas parte do comportamento humano; é preciso compreender que não é uma opção”, diz Tathiane Aquino de Araújo, presidenta da Rede Nacional de Pessoas Trans (Rede Trans Brasil).

Hoje, em todo o país, acontecem diversas lives (por motivos de isolamento social) promovidas em redes sociais LGBTs e institucionais, com a finalidade promover o orgulho LGBTQIA+ e difundir nossa luta contra preconceito e crimes de ódio contra os nossos. Eventos musicais oline e também debates são promovidos para legitimizar a causa e fazer da data um marco nas redes sociais.

No Ceará, a data é o marco para Semana Janaína Dutra de Promoção do Respeito à Diversidade Sexual e de Gênero, instituída pela lei 16481/17. O estabelecimento desta semana visa divulgar a legislação de combate à Homofobia, Transfobia, Bifobia e Lesbofobia – LGBTfobia, promover o respeito à diversidade sexual e de Gênero, estimular reflexões sobre estratégias de prevenção e combate à LGBTfobia e sobre os tipos de violência contra a população LGBT, como a moral, psicológica e física. É visado também conscientizar a comunidade acerca da importância do respeito aos direitos humanos e sobre os direitos da população LGBT e divulgar os canais institucionais e de denúncias por telefone e apresentar os equipamentos de denúncias e acolhimento no âmbito do Estado do Ceará.

É inegável que esta data é de extrema necessidade e será para sempre. Mas o problema é que não temos nada a “celebrar”, como alguns eventos sugerem. Pois, mesmo com uma porção de direitos adquiridos, o Brasil segue como o país que mais mata LGBTs no mundo. Sim, nem em países onde ser LGBT é crime os índices de morte são tão altos quanto os nossos. Sendo assim, a data é de extrema importância para nossa visibilidade e para que mais gente se volte para a causa, fortalecendo nossos elos contra a barbaridade que é a LGBTfobia. E tu, já divulgaste a causa LGBTQIA+ hoje?

DIA NACIONAL DO ORGULHO GAY

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Eis que chega o dia 25 de março, o Dia Nacional do Orgulho Gay. Hoje é a data oficializada já há alguns anos para que celebremos quem somos. Gays, lésbicas, bissexuais e transexuais de todo o páis mobilizam-se hoje, desta vez apenas nas redes sociais #FicaEmCasa, a promover nossa causa expondo o orgulho de ser quem se é independente de nossa natureza sexual e, por meio deste movimento, levantando a bandeira da luta contra a homofobia.

Muito já foi conquistado até aqui, como a criminalização da LGBTfobia, o fim da criminalização da homossexualidade e das penas correlatas, fim do tratamento das identidades trans como patologias, fim dos tratamentos de “cura gay”, casamento civil igualitário, permissão para casais homoafetivos adotarem crianças e até maior representatividade da comunidade nos meios de comunicação. Entretanto, a homofobia no Brasil segue sendo assustadora, tendo indicativos de que nosso país é o país que mais mata LGBTQs no mundo, chegando a fazê-lo três vezes mais que o segundo lugar da lista, o México.

Por isso se faz necessário que nossa luta seja lembrada em datas como essa e diariamente. Temos que, cada vez mais, conscientizar a sociedade de que por trás de nossa natureza sexual existe algo que nos assemelha a toda e qualquer pessoa vivente: somos reles mortais, simples seres humanos. Nossa existência é tão importanate para a sociedade quanto a vida de qualquer outro ser vivo.

Por séculos tivemos de viver nas sombras. Fomos por muito tempo marginalizados, o que fez com que muitos de nós vivesse, e muitos ainda vivem, uma vida dupla para tentar seguir supostas normas de convívio social de uma sociedade opressora e preconceituosa. Mas não podemos mais e nem queremos mais fugir de quem somos e de poder viver e demonstar nosso amor como todo e qualquer cidadão.

Celebremos hoje nosso direito de ir e vir, nossa capacidade sermos únicos, independentemente de quem amamos ou mantemos relacionamentos. Hoje, muito mais do que uma data para dizer “eu tenho orgulho de ser gay”, é uma data para os demais dizerem “eu respeito, aceito e tenho compaixão com o meu próximo diferente de mim”. Se mantivermos esta energia e abraçarmos nossas diferencas eu acredito que o mundo que John Lennon nos sugere visualizar na letra de Imagine será possível. Como diz Gisele Bundchen: “se podemos sonhar, podemos realizar”.

APRENDI COM MEUS EX

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Ouvi esta manhã os relatos humanos e cheios de lições maravilhosas e inspiradoras do influenciador digital Federico Devito (que sigo e admiro a aproximadamente 10 anos) em seu podcast (que deixo no fim do texto). Após ouvir e terminar suspirando muito, com nó na garganta eu pensei: “eu me devo esta reflexão”. Então deixei de lado a crônica dominical já pronta e decidi escrever isso.

Meu primeiro e mais longo relacionamento não é um namoro. É um rolo de  idas e vindas de 2005 a 2016 que tornou-se o livro TODO AMOR QUE EU NUNCA TE DEI, a ser lançado em maio pela Editora FLYVE. Então, eu não vou nem contar ele aqui, pois uma reflexão longa, junto de toda sua história,  está no livro. Aguardemos.

Meu primeiro namorado foi o R. Tínhamos uma diferença de 4 anos, eu 22 e ele 18. Foi mega intenso e lindo. Nos conhecemos em tempo de Orkut e decidimos nos encontrar e tudo começou a  fluir. Foi super gostoso no início, mas eu estava longe de ser o melhor namorado na época. Eu nem tinha ideia do comprometimento que envolvia um relacionamento. Éramos super chicletinhos e não respeitávamos limites e  nem tínhamos individualidade. Demorou a perceber que era algo tóxico. No fim vim a descobrir que ele já tava em relacionamento com outro cara fazia um mês e eu ficava na casa dele esperando ele do “plantão” enquanto os dois estavam juntos.

Meu segundo namorado foi um cara incrível. Tudo se encaixava, exceto pelo fato de ele ser de SP e eu do RS. Mas, ainda assim, fizemos dar certo por um tempo, curto. Ele veio ao Rio Grande do Sul duas vezes e foi tudo lindo. Eu já entendia que era necessário cada um ter sua vida antes de se ter uma vida a dois. Então um dia, quando ele disse que ia pra um barzinho com um amigo novo eu até o encorajei. Mas no fundo, tinha algo me dizendo “não vai dar bom”. No dia seguinte ele me contou que ficou com esse amigo. Eu fiquei arrasado, mas eu amava ele demais, achava ele o cara mais incrível do planeta e disse que tava tudo bem, que a gente podia contornar isso. Mas ele disse que eu não merecia isso, que não se sentia bem e que não queria mais nada comigo. Foi minha segunda morte em vida por conta de coração partido.

O relacionamento seguinte, com meu segundo R, foi meu namoro mais intenso e duradouro. Nele eu aprendi que tentar ser algo que não se é, além de ser  sinal de desespero na luta pela aceitação, é a maior mostra fraqueza e falta de autoconfiança. Ele tinha um estilo de vida muito fora dos meus padrões. Sabe aquela música do Seu Jorge que diz: “burguesinha, só no filé”? Então era isso, talvez até mais que isso. E eu tentei a todo custo ser alguém maior do que podia. Não que eu seja pouco, mas eu queria ser da elite sem nem ao menos suar pra conquistar isso. Então ostentei uma vida “de mentirinha” enquanto vivia um sentimento de verdadinha e que terminou finalizado com o pé na bunda,  onde  ele entrou com o pé e eu com a bunda, por uma série de fatores. Mas ele não foi uma pessoa ruim em minha vida, muito pelo contrário, ele foi o cara mais incrível que se possa imaginar. Ele se doou muito, mas precisou de espaço, afinal (esqueci de mencionar) ele tinha 8 anos menos que eu. Ces’t la vie.

Hoje penso em quanto tempo em minha vida eu perdi achando que o problema era o outro. Demorei muito a perceber que muitas vezes fui tóxico ou não fui transparente e que minha falta de amor próprio me levava a repetidos erros e entregas desesperadas onde não havia reciprocidade. Nem sempre o demônio é o outro. Mas a gente não quer que o demônio seja a gente. É necessário muito autoconhecimento pra  reconhecer o nosso próprio caos. E autoconhecimento dói até ser bom fazer a diferença que faltava  pra tudo fluir melhor.

Então, caro leitor, te proponho hoje fazer uma reflexão sobre ex relacionamentos, e até mesmo sobre o atual, caso o tenha. Repense no quanto de reciprocidade existe em cada troca. Nem sempre  conseguimos ser uma versão melhor de nós mesmos. Eu não sou o melhor exemplo, como deixei claro aqui. Mas nunca é tarde pra se autoavaliar e mudar  a direção. E esse mudar implica em dedicar-se a fazer e ser melhor. Pro próximo, mas principalmente e antes de tudo para nós mesmos. Bora exercitar todo e qualquer passo de mudança com finalidade de melhora. A gente precisa  mudar o interno pra afetar o externo e fazer disso algo macro que gera mudanças grandiosas em tudo ao nosso redor. Apenas revisite-se, pegue na sua própria mão e siga.

Eis aqui o podcast do lindo do Federico Devito, que originou a reflexão…

A INFLUÊNCIA DE DIVAS POP NA CULTURA E COMUNIDADE LGBTQIA+

Cyndi Lauper em Parada LGBTQ+ em 2008. Imagem via Google.

Ninguém sabe dizer exatamente quando ou onde esse fascínio pelas Divas Pop começou, mas o fato é que a comunidade LGBTQ+ aclama grandes cantoras e as enaltece tornando-as Divas. Algo que possa talvez nos levar a entender um pouco do porque desta ”glorificação” da comunidade para com essas cantoras são questões como a identificação e a representatividade que suas atitudes e posicionamentos geram. Em sua maioria, elas se apresentam como figuras independentes, positivas, fortes, empoderadas e assim inspiram LGBTs e, principalmente, os gays, o que faz deste público a maior parte dos fãs destas artistas.

“Qual é a sua diva favorita?” já é uma pergunta recorrente no meio LGBTQ+. As respostas variam e, muitas vezes, vão de encontro com a idade do fã. O pessoal anos 1980, por exemplo, geralmente curte mais cantoras como Madonna, Cher, Cyndi Lauper. Já nos anos 1990 tivemos a explosão do Girl Power e as Spice Girls, quase sempre, são citadas como as preferidas dessa geração que também viu se criar Shakira, Miss Britney Spears e Christina Aguilera. Nos anos 2000 eu apenas consigo pensar na poderosa Beyoncé e na fofinha da Avril Lavigne como nomes realmente fortes do meio, mas é claro que surgiram mais algumas artistas. Atualmente muita gente tem como Divas as cantoras Selena Gomez, Taylor Swift e algumas outras mais ”novinhas”.

Eu, particularmente, creio que para ser considerada uma verdadeira Diva uma cantora deva ter alguns pontos relevantes: ser uma boa artista, cantora ou musicista, ser original, ser acessível e reconhecer que é ”feita” pelo seu público e ter construído um legado em sua trajetória. Sim, creio que nomes recém surgidos não são boas referencias para chamarmos de Divas, afinal elas mal nos apresentaram a que vieram e talento por talento já vimos diversos nomes de talento que viraram ”artistas de um hit só”.

MINHAS DIVAS FAVORITAS

Quem me lê aqui, ou me conhece das redes sociais, já sabe que quem encabeça minha lista é a Rainha do Pop e da porra toda, Madonna. Madonna construiu um legado e começou a ser considerada Diva pelo inicinho dos anos 1990, quando sua carreira estava em um de seus pontos altos com a Blond Ambition Tour, 1990, e o lançamento da coletânea The Imaculate Collection, que trazia todos os hits o mais novo sucesso, que marcou sua carreira, Vogue. Além da contribuição para com a indústria da música Pop, a artista completa levantou o feminismo, questionou a submissão da mulher e fez questão de falar abertamente de sexo quando o assunto era tabu e foi massacrada por isso, óbvio. A Diva também contribuiu na luta contra a AIDS, tendo até campanha em encarte de discos no final da década 1980, vide Like A Prayer, e viu a doença levar amigos queridos em um tempo em que seu tratamento ainda estava em testes. Madonna reconhece que tem como maiores fãs os LGBTQ+, embora não faça disso uma bandeira, mas já chegou a apresentar-se em boates e, mais recentemente, em uma Parada LGBTQ nos Estados Unidos.

Cyndi Lauper, sim, ela ainda existe e acho que é um dos nomes mais emblemáticos e significativos quando o assunto é relacionamento com a comunidade LGBTQ+. A cantora é referencia na moda e na música de diversos nomes, como Christina Aguilera, Lady Gaga, Nicki Minaj e Pink. Cyndi identificou o público LGBTQ+ como seu muito cedo e apresenta-se frequentemente em diversas Paradas do Orgulho LGBT norte amercanas há anos. Mas em 2008 a cantora estreitou esses laços e criou uma fundação chamada de True Colors Foundation, levando no título ”True Colors”, que é o nome de um de seus maiores sucessos, a fundação é voltada para nossa comunidade e promove aceitação para pessoas homossexuais e trânsgeneros. Vários artistas como Kim Kardashian, Rosie O’Donnell, The B-52’s, Joan Jett, Regina Spektor, Tegan and Sara, Queer Eye for the Straight Guy e Sarah McLachlan participam ativamente nas campanhas da fundação.

Lady Gaga. Gaga não é minha cantora favorita, nunca foi, mas ela tem algo que me encanta, sua transparência e a representatividade que ela carrega em sua carreira. Surgida como ”a excêntrica”, seria impossível não gerar identificação em uma comunidade que sempre foi minoria e colocada para baixo por ser diferente. Lady Gaga nos trouxe uma mensagem importantíssima, a de que devemos abraçar nossa originalidade e nosso amor próprio, amando cada pedacinho de si, por mais delicado e peculiar que ele seja. A cantora fez diferença no mundo da música, entre celebridades e como pessoa no mundo logo que se lançou. Sua música ”Born This Way”, Nasci Assim em tradução livre, encoraja muita gente e tronou-se um hino LGBTQ+. E quando ela chama seus fãs de little monsters, ”monstrinhos”, ela não está os diminuindo, muito pelo contrário, Gaga enaltece o fato de que eles são criaturas diferentes e isso os torna especiais.

Não importa de fato qual é a ”sua Diva Pop”. O que importa é que essas artistas existem, nos representam, nos passam mensagens que nos encorajam a seguir em frente em tempos difíceis. Se mostram humanas para com nossas feridas, seja através de suas músicas ou da dores que deixam transparecer em posts em redes sociais e afins. Referências se fazem necessárias desde sempre e se tu tens uma boa referencia, tu sabes que podes ir longe pois a inspiração que ela proporciona já é meio caminho andado para a auto realização. Ao menos comigo é assim.

SER GAY ATUALMENTE AINDA É…

Imagem via Frrepik

Ser gay atualmente ainda é…

…Sofrer homofobia disfarçada de piadinha no churrasco da família, quase sempre vinda daquele tio que finge que te aceita e tu finge que tá tudo bem em ouvir piadinhas dele.

Levar “lampadada” na Avenida Paulista, apanhar na pracinha cidade, ser expulso de ônibus e depois espancado, tudo isso por simplesmente ser homossexual ou estar trocando carinho com a pessoa que tu amas, algo que não é crime, mas parece ser marginalizado para uma parcela da sociedade.

Ter de enfrentar diariamente situações de risco, pois atualmente o simples fato de sair de casa vestindo-se como bem entender já é arriscado o suficiente pra levar porrada ou não saber se voltará pra casa por ser mais passível a tornar-se vítima das estatísticas de crime de ódio. Uns dirão “ah, mas todos estamos sujeitos a agressão ou crimes diariamente” e eu responderei um seco “NÃO, meu amigo, não por simplesmente ser quem se é”.

Sofrer bullying desde a infância pelos seus trejeitos afeminados, por não gostar de futebol ou por curtir aquilo que é julgado pelos demais como “coisa de menina”. Evoluímos um bocado, eu concordo, mas ainda acontece e com frequência.

Ouvir de um hétero que “eu não tenho nada contra, contanto que não venha pra cima de mim”, como se todo homossexual fosse obcecado por sexo e tivesse interesse por seres tão primitivos quanto os tais héteros que disparam esse tipo de frase. Mas enfim, nós também não temos nada contra os héteros, contanto que não venham com homofobia pra cima da gente. Taóquei?

Ouvir alguém dizer que tu ser gay é um desperdício ou ouvir alguém dizer que “nossa, nem parece”, como se homossexual tivesse que ”parecer” ou tivesse algum jeito específico de ser.

É alguém ter a ”curiosidade”, assim de leve, de perguntar quem é ”o homem na relação”, quando o imbecil poderia apenas observar que essa relação é composta por dois homens e, então, se deter ao silêncio.

A lista poderia aumentar um bocado, mas não quero escrever aqui uma nova “saga Harry Potter” ou um ”Guerra e Paz”. Então, alguns me perguntam “Braian, porque tanta militância?” E para mim é mais que óbvio que ainda há muita homofobia velada para qualquer direção que eu olhe e me sinto, sim, no direito de combatê-la diariamente em posts de cunho LGBTQ+ e em minhas crônicas.

Deixo aqui expresso que: ser gay atualmente pode ser ainda passar por tanta situação desagradável que até desanime qualquer um. Ser gay ainda é ter de se superar homofobia em diversos níveis todos os dias e sim, ter de sofrer por ser apenas quem realmente é. Mas ó, bora levantar a cabeça, dar valor pra quem nos valoriza e gritar alto quando tivermos de gritar, pois calando-se não chegaremos a lugar algum, só acho.

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