CONSUMO LGBTQ+, FAÇA PARTE DA DIFERENÇA

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Estou há dias começando um processo de mudança, que não tem sido difícil mas, que exige muito de pesquisas e de uma melhor percepção de tudo que há ao meu redor. Estou reeducando o meu consumo, começando pelo digital, e focando no consumo de conteúdo LGBTQ+. Sabe aquele papo de “ninguém solta a mão de ninguém” e “bora ajudar as manas”? Então, não é tão difícil e decidi que tornaria isso algo real e que vai além de meme.

A tarefa, ao primeiro momento, pode não parecer um super desafio, pois sabemos que o número de LGBTQs produzindo conteúdo é algo crescente e temos visto conteúdos fantátsticos e repletos de boas dicas, boas referências e bom gosto. Quando o assuno é produção cultural, então, aí a comunidade LGBTQ+ é um prato cheio. Tem sido incrível descobrir essa infinidade de conteúdo e produções. É incrível porque tenho descoberto cada vez mais séries, filmes e, principlamente (por causa do meu podcast semanal Estante LGBT), livros LGBTQ+ e de autores da nossa comunidade. Isso é lindo e maravilhoso, posso encontrar muitos títulos e uma grande variedade de assuntos e gêneros dentro deste universo tão vasto e diverso. Porém, como nem tudo são flores, há também algo muito preocupante em meio a tudo isso: o excesso de banalização, sexualização, levianidade e, até mesmo, oportunismo dentro desse meio (como em qualquer lugar, claro).

Não vou adentrar tudo que tem me desagradado em minha busca por material LGBTQ+ de qualidade, pois se o fizesse não é meu foco aqui. Então, vou focar em lembrar que temos uma vasta opção de consumo quando o assunto é a comunidade LGBTQ+. Já passamos muito tempo com a heterossexualidade nos enfiada goela abaixo e o heteronormativo tem sido o “normal” ao longo dos anos e “não se discute”. Pois creio que chegou a hora de discutir, sim. Discutir porque a gente tem tão pouca representatividade e ir além disso, dar espaço para os nossos. Discutir porque as televisões estão repletas de gente hétero quando o LGBTQ+ brasileiro tem a maior Parada do Orgulho quando se compara com qualquer outro país do planeta. Discutir porque nossa TV, nosso cinema, nossos teatros e até os canais do youtube são meios predominantemente hétero e branco. Questionar-se é necessário, mas começar a dar voz à essas minorias é quase que uma obrigação para quem faz parte delas.

Bora pensar “fora da caixa” e ir além do pensar, consumindo e compartilhando mais e mais para que todos saibam: nós existimos. O gay, a lésbica, a/o trans, a travesti, o assexuado, o negro, enfim, toda a minoria é digna de voz e espaço. E se nós, LGBTQ+ não ajudarmos mudando nossos hábitos de consumo e compartilhando os nossos, estamos fadados à mesmice e caretice de tudo que sempre dizemos não querer mais, mas continuamos aceitando apenas por sermos pessoas acomodadas e que não se esforçam para fazer a diferença. Façamos a diferença.

Ouça agfora o novo episódio do meu podcast, Estante LGBT:

“ALIMENTAÇÃO”, VOCÊ TEM FOME DE QUÊ?

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Nos últimos dias passei a questionar muito minha “alimentação”. Mas, não me refiro aos alimentos, vou alem. Muito além do que o que eu como, passei a refletir sobre o que tenho me alimentado em todos os setores da minha vida. Não adianta comer bem, super saudável (o que confesso não ser meu forte) e alimentar minha mente com picaretagem, má fé, ironia e humor vindos de quem faz o que chamo de “mal uso da palavra”. Quando cito palavra eu quero dizer discuros, o que ,atualmente, temos muita gente fazendo de forma não tão substancial. Então, a questão da vez é: quem tá agregando com seus dizeres e quem é apenas mais um?

A internet nos facilitou a vida. Temos acesso, hoje, a milhares de informação ao alcance das mãos e podemos, até, visitar e conhecer uma cultura nova e de forma muito melhor do que se tivéssemos uma viagem com guia turístico. Mas, no boom da internet muita gente foi virando celebridade, ou pseudo celebridade, e isso é uma faca de dois gumes. Muita gente está remando contra a maré da mídia, que antes se resumia a rádio, jornal e TV, fazendo a própria carreira entregando uma boa proposta de compartilhar conhecimento e bom humor com responsabilidade. Entretanto, o número de “influenciadores” que têm um discurso vazio parece prevalecer.

E, infelizmente, temos caído muito na “lábia” dos que tem um discurso pronto, por vezes até sem muita inteligência ou pretensão e também entregamos o riso para “piadistas” que usam o humor pra realçar preconceitos enraizados em nossa sociedade. E assim, estamos, como disse Fernanda Young certa vez em entrevista à Leda Nagle, “batendo palma pra maluco dançar”. Dar voz a quem não merece ter seu discurso reverberado é evidenciar que não damos valor ao bom uso da palavra.

Acontece muito, mas muito mesmo, no meio LGBTQIA+ (mas no meio hétero é quase “mato” também) a proliferação de vozes que não têm nada a oferecer em conhecimento ou cultura, mas que são “boas” (na verdade ruins) criticando o trabalho dos outros. Tipo aqueles programas de fofoca de fim de tarde, sabe?! Tem gay que “ganha a vida com isso” e tem mais seguidores que bons escritores ou bons criadores de conteúdo. E eu te pergunto: isso te acrescenta no que em teu dia dia e vida? Aonde te leva saber se fulano está mal vestido ou se beltrano teve um caso com sei lá quem? Isso sem contar o sensacionalismo em cima de quem “sai do armário”.

O isolamento social evidenciou quem é patético e descartável. Devo ter excluído cerca de, no mínimo, 100 pessoas do meu instagram, entre famosos e conhecidos, por ter sentido o quão vazios e limitados eles são. Não vou mais dar meu like, meu comentário e meu engajamento pra quem destoa de meu estilo de vida, de meus pensamentos e, consequentemente, não me leva nem a pensar algo bom. Uns podem chamar isso de fechar-se numa bolha, eu chamo isso de ser seletivo. Afinal, se eu não consumir aquilo que me “alimenta”, a tendência é ter de engolir goela abaixo o que é simplesmente popular. E todos sabemos que nem sempre o popular é o mais inteligente, sensato e, muito menos, necessário, vide nossa presidência. E daí, você tem fome de quê?

Não deixe de acompanhar também o meu podcast, Estante LGBT. Eis aqui o episódio mais recente:

MÊS DO ORGULHO LGBT, TU TENS ORGULHO MESMO?

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Eis que chega o mês de junho, mas não são as festas juninas que perderemos, pelo isolamento social, que me deixam triste por não poder participar. Mas sim os eventos do Mês do Orgulho LGBTQIA+ que deixaremos de presenciar e passaremos a ter, em menor escala, em lives. Porém, não vou descrever exatamente sobre isso, mas sobre algo além de eventos, que é essencialmente o que se divulga nessas situações. Também não vou relembrar como toda nossa luta começou, lá na revolta de Stonewall há mais de cinquenta anos. Mas vou nos lembrar de ideais nascidos nesse período e nos eventos gerados por ele, as Paradas do Orgulho.

Quero levantar uma questão ao leitor: tu tens orgulho dos teus amigos LGBTs? “Claro, os trato da melhor forma e somos muito amigos e etc” alguns responderão, mas quero levar isso a outro nível. Orgulho é um abraço maior e mais caloroso que isso. Refarei a pergunta de forma, talvez, mais clara: tu compartilhas o trabalho, defende os ideiais, participa ativamente defendendo a causa ou prestigia teu amigo LGBTQIA+? Esse é o ponto onde creio que aperta o sapato quando o assunto é “amigo de LGBTs”. Ter na roda de amigos é muito fácil. Já não é sacrifício. Mas tu defendes os LGBTs, comprando briga mesmo, se tiver de comprar, mesmo quando teu amigo(a) não está presente na rodinha de conversa?

Vou dar um exemplo prático, pra ajudar a clarear ideias. Quando tô em almoço de família, jantar, o que seja e algum parente começa com o discurso “não sou racista, mas…” eu já interrompo na hora e o mostro que o condicional “mas” já nos diz que o que segue a frase é ou será contraditório. Tal qual dizer que não é racista e ser anti cotas e achar que é balela. Assim, também vejo muitos amigos de LGBTs que “não são contra, mas…” e dizem absurdos como “ser gay tudo bem, mas não seja uma bichona”, “tudo bem amar alguém do mesmo sexo, mas não precisa beijar em público”… Essa lista de frases de homofobia velada pode ir longe. Mas retorno ao foco: tu defendes o LGBTQIA+ além de dar oi, abraço e falar por rede social? Tu apoia aquele amigo que se monta de drag, indo a shows ou compartilhando seu conteúdo? Aliás, tu tens ou teria amigos drags?

Quero crer que eu estou rodeado de amigos de verdade, que entendem minha luta e abraçam a causa por inteiro. Mas tem pequenos detalhes e comentários que me mostram, às vezes, que a gente ainda precisa educar muito as pessoas em relação a nossa comunidade e tudo mais que envolve o LGBTQIA+. Epero que aproveitemos esse mês para, não só parabenizar o amiguinho no Dia do Orgulho LGBT (28 de junho), mas para consumir mais LGBTs, compartilhar conteúdo esclarecedor sobre a causa e buscar sermos mais “orgulhosos” de nossos conhecidos LGBTs. Se tu estás disposto a isso, parabéns, tu és um bom amigo e participa do Orgulho LGBT. Gratidão!

NOVIDADES: VIVA OS PODCASTS

Capa do meu podcast (saiba mais ao longo do post).
Arte por Alef Leal

Hello, babies. Espero que estejam todos segures (sim, com E mesmo) e bem. Os últimos dias têm sido insanos por serem os dias finais da pré-venda de meu primeiro livro, Todo Amor Que Nunca Te Dei. Tenho produzido muito conteúdo, feito muitos contatos e nas últimas semanas sairam podcasts em que fui convidado e aproveitei pra falar brevemente do livro. Também tenho a maior novidade de todas: agora tenho meu próprio podcast. Então, vamos para as novidades.

Participação no NinhoCast by Lucas De Lucca

Semana passada saiu o episódio onde dois escritores da Editora Flyve, que lançou meu 1º livro, e eu falamos sobre representatividade LGBTQIA+ na literatura e mais outros assuntos relevantes para a nossa comunidade. Tu podes ouvir abaixo.

Participação no podcast Alô Terráqueo

Em 8 de maio saiu o episódio do podcast do meu namorado, Alef Leal, sobre rejeição. Nele falei sobre como transformei a rejeição e o desamor de um boy no livro Todo Amor Que Nunca Te Dei. O episódio traz reflexões super interessantes e super indico para todes.

Meu próprio podcast, o Estante LGBT

Já pensava em ter meu próprio podcast desde metade do ano passado. Ouço muitos podcasts diariamente e acho que eles vieram pra ficar pois é muito prático consumir seu conteúdo durante atividades do dia a dia. Mas eu não queria apenas fazer algo do tipo “bate papo”, levantando questões que já costumo expor aqui em crônicas. Eu esperei muito porque eu queria uma proposta original e que atendesse a alguma lacuna que estivesse em aberto na internet. Como o isolamento tem feito eu consumir mais livros, e estou mergulhando na literatura LGBT, decidi criar o Estante LGBT para dar dicas de livros LGBTQIA+ ou autores LGBTQIA+ e fazer com que mais gente se interesse pela literatura produzida pela nossa comunidade. Inicialmente seria dominical, mas nesta semana refleti e agora ele sairá todo sábado e amanhã já teremos um episódio novo, claro, e com convidado novo. Eis aqui o primeiríssimo episódio.

Meu podcast faz parte do #LGBTPodcasters

O #LGBTPodcasters é um movimento criado para divulgar podcasts brasileiros produzidos e direcionados para pessoas LGBTQI+. A hashtag foi usada pela primeira vez em 18 de agosto de 2017 pelo perfil @euamopodcast. Conheça os podcasts que já fazem parte da rede #LGBTPodcasters no link abaixo.

lgbtpodcasters.com.br/podcasts

LGBTQIA+ NO DIVÃ

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Então, doutor, eu nem sei direito por onde começar. É que é tanta coisa. Vou até tentar resumir pra não passar dos nossos quarenta minutos. Se quiser, em alguma parte de meus relatos, me parar para fazer observações, sinta-se a vontade. Afinal, é o senhor o profissional aqui, o senhor quem manda.

As neuras começam pelo fato de eu ser LGBTQ. Sou gay, a maior parte de meus amigos ou é bissexual, ou trans ou é travesti e eu me sinto ótimo, bem acolhido, por isso. Mas sabe como é: toda vez que a gente sai, enquanto todos do nosso grupo não respondem no whatsapp dizendo que já chegaram e estão seguros dentro de casa, eu não relaxo nem durmo.

Quando eu namoro alguém, por morarmos em uma cidade consideravelmente grande, onde transita muita gente e todo tipo de pessoa, eu nunca pego na mão do meu namorado em público. Beijo então, morro de medo desde uns anos atrás quando meu ex e eu apanhamos no shopping por eu acariciar o rosto dele. Voltar pra casa com a boca inchada e dizendo que bati no poste foi meio triste, constrangedor também mentir isso.

Família é aquele lance de “te aceitamos, mas do nosso jeito”, “seja gay mas não seja ‘bicha’, por favor, essas e outras frases que eles não acham que seja, mas é completamente homofóbico. Não entendem ainda que aceitação se dá por completo e abraça o individuo como ele é. O contrário disso é apenas mera tolerância, provavelmente por laço sanguíneo, nada além disso.

Somando essa pressão da família, sempre reluto muito em ser eu mesmo quando tô me arrumando. Por morar aqui, que é um lugar com gente ultrapassada, eu nunca ponho minhas roupas preferidas. Essas eu uso só em ocasiões especiais e na cidade vizinha, que, no bairro onde costumamos fazer happy hour, o povo é mais mente aberta. Aqui eu mal uso roupa colorida, fico no preto e branco e, ainda assim, basta pôr uma calça justa que já olham estranho. Às vezes até tem carro que passa e gritam de dentro: “bicha”. Vai ver deve fazer bem pra quem grita, vai entender…

Se não bastassem essas questões, ainda tem gente que diz que não precisamos ser representados em filmes, livros e séries. Tem gente do governo que diz que não se deve falar sobre a gente pra instruir e orientar ao respeito nas escolas. Vai dando um desgosto de não ser apoiado nem por quem deveria pensar no bem de todos e priorizar os direitos humanos. Tudo isso vai dando um aperto no peito e um nó na garganta.

Acho que é só tudo isso, sabe?! O senhor é só um psicólogo, sei que nada vai poder fazer pra mudar a situação toda. E ainda tem gente que olha pra mim e pergunta: “nossa porquê você parece sempre tão triste?”. Mas ao menos eu estou aqui pra tentar não enlouquecer com isso me sufocando enquanto a igualdade pela qual luto, e muitos chamam de mimimi, não chega. Enfim, já deu quarenta minutos, doutor?

DIA MUNDIAL DE COMBATER A LGBTFOBIA, JUNTOS!

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Nem todos sabem, mas dia 17 de maio é o Dia Mundial do Combate a LGBTfobia. É uma data para celebrar nossas diferenças e trazermos para a discussão o preconceito contra esta minoria, contra a nossa minoria. Hoje é um dia marcado históricamente para promover a luta pela causa LGBT e levantar debates e discussões sobre preconceito e crimes de ódio contra os nossos.

A data é referência simbólica da luta pelos direitos de nossa comunidade, uma vez que coincide com o dia em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) deixou de considerar a homossexualidade como doença. “A gente comemora o ganho do reconhecimento, mas isso ainda tem que ser apropriado por todos os aparelhos da sociedade para entenderem que a transexualidade, a travestilidade e a homossexualidade não são doenças, mas parte do comportamento humano; é preciso compreender que não é uma opção”, diz Tathiane Aquino de Araújo, presidenta da Rede Nacional de Pessoas Trans (Rede Trans Brasil).

Hoje, em todo o país, acontecem diversas lives (por motivos de isolamento social) promovidas em redes sociais LGBTs e institucionais, com a finalidade promover o orgulho LGBTQIA+ e difundir nossa luta contra preconceito e crimes de ódio contra os nossos. Eventos musicais oline e também debates são promovidos para legitimizar a causa e fazer da data um marco nas redes sociais.

No Ceará, a data é o marco para Semana Janaína Dutra de Promoção do Respeito à Diversidade Sexual e de Gênero, instituída pela lei 16481/17. O estabelecimento desta semana visa divulgar a legislação de combate à Homofobia, Transfobia, Bifobia e Lesbofobia – LGBTfobia, promover o respeito à diversidade sexual e de Gênero, estimular reflexões sobre estratégias de prevenção e combate à LGBTfobia e sobre os tipos de violência contra a população LGBT, como a moral, psicológica e física. É visado também conscientizar a comunidade acerca da importância do respeito aos direitos humanos e sobre os direitos da população LGBT e divulgar os canais institucionais e de denúncias por telefone e apresentar os equipamentos de denúncias e acolhimento no âmbito do Estado do Ceará.

É inegável que esta data é de extrema necessidade e será para sempre. Mas o problema é que não temos nada a “celebrar”, como alguns eventos sugerem. Pois, mesmo com uma porção de direitos adquiridos, o Brasil segue como o país que mais mata LGBTs no mundo. Sim, nem em países onde ser LGBT é crime os índices de morte são tão altos quanto os nossos. Sendo assim, a data é de extrema importância para nossa visibilidade e para que mais gente se volte para a causa, fortalecendo nossos elos contra a barbaridade que é a LGBTfobia. E tu, já divulgaste a causa LGBTQIA+ hoje?

NEWS DE UMA SEMANA A MIL

Nem acredito que o fim de semana finalmente chegou. Até pouco tempo eu ansiava pela segunda-feira. Esta que se passou nessa semana, dia quatro de maio. Esse é um dia que ficará marcado para sempre na minha carreira como o dia da pré-venda de meu primero livro, Todo Amor Que Nunca Te Dei. E essa primeira semana ficará marcada como uma das mais intensas e cheias de notificações de smartphone da vida. Vou compartilhar aqui um pouco do tudo que rolou de segunda à sexta.

FINALMENTE “TODO AMOR QUE NUNCA TE DEI

Meia-noite e três de 04/05 já estava no ar minha primeira divulgação oficial sobre a pré-venda de meu primeiro livro, Todo Amor Que Nunca Te Dei. É, sem via de dúvidas, o momento mais especial, e fundamental, creio, eu, da minha carreira. É um divisor de águas. Não só por ser meu primeiro livro, mas por etar compartilhando nele algo 110% real. Fui o mais honesto e transparente que pude nas páginas desta obra que relata onze anos frustrados de um relacionamento de amor unilateral, onde amei sozinho uma pessoa não resolvida com sua sexualidade e que, por saber que minha tinha a hora que quisesse, fez de mim um prisioneiro “sentimental”. Espero, de verdade, que gostem desta experiência compartilhada que pode ser adquirida no link abaixo:

editoraflyve.com/todo-amor-que-nunca-te-dei

PLAYLIST “TODO AMOR QUE NUNCA TE DEI”

Para embalar a leitura do livro, preparei uma playlist com músicas citadas ao longo da narrativa, somadas a músicas que foram importante durante o período em que os fatos descritos ocorreram e músicas que fazem sentido com o que consta nas páginas. Muito mais do que uma playlist, fiz um apanhado de experiências resumidas em seleção de música, que, embora de ritmos que não se conectam, dialogam entre si para enriquecer os altos e baixos da história.

GAY BLOG BR

Arte by gay blog br

O primeiro veículo de notícias que reportou o lançamento de Todo Amor Que Nunca Te Dei foi o Gay Blog Br, do queridíssimo Vinicius Yamada. O site traz uma matéria super bem redigida, repleta te trechos do livro, com link pra compra e um pouco sobre este escritor que tanto vos escreve. Fica a dica de leitura no link abaixo:

gay.blog.br/cultura/literatura/pre-venda-do-livro-todo-amor-que-nunca-te-dei-comeca-nesta-semana/

SITE ALGUÉM AVISA

O portal de notícias com pauta LGBTQIA+ daqui do Rio Grande do Sul, Alguém Avisa, fez um post super completo com minha trajetória profissional. A matéria conta tudo desde primórdios do blog Monologay (em 2009), até o lançamento do meu primeiro livro, incluindo link pra adquiri-lo. Vale o clique no link abaixo:

alguemavisa.com.br/2020/05/06/escritor-gaucho-lanca-o-romance-todo-amor-que-eu-nunca-te-dei

PODCAST SOBRE REJEIÇÃO

O podcast Alô Terráqueo, meu excelentíssimo namorado, Alef Leal, e que tenho participado toda semana por motivos de quarentena, esta semana traz um episódio sobre rejeição. No episódio “Ai Gabi, só quem viveu sabe”, aproveitei o tema para contar um pouco sobre livro. Mas o episódio está repleto de outros pontos relevantes quanto ao tema. Clica pra ouvir que tá ótimo.

ERIC ENTREVISTA

Meu amigo de longa data, Eric Batista, me entrevistou para um novo quadro de seu canal no youtube, o ERIC ENTREVISTA. Falei sobre o livro, sobre o início da carreira, literatura e representatividade LGBTQIA+ e novos projetos. Tá super legal, assite aí.

Este é meu resumão da semana. Espero que a próxima semana seja tão cheia de boas novas quanto esta. Abraços a todos e ótimo final de semana.

CASADOS PELA QUARENTENA

Ele & eu ♡

Sempre sonhei em me casar com uma pessoa sensacional. Alguém que me inspira, que me motiva diariamente e que me move a ser uma versão melhorada de mim mesmo. Viver um relacionamento assim, cheio de amor, motivação e reciprocidade parecia algo distante até o início de fevereiro, quando tudo começou. O que eu não tinha ideia, nem em meus sonhos mais distantes, é que a vida me faria ter tão cedo uma “vida de casado”, com essa pessoa tão especial.

A ideia inicial era aproveitar as duas semanas de isolamento social, período que a escola estadual onde ele trabalha estabeleceu inicialmente como o tempo de quarentena. Acontece que, aos poucos, como bem sabemos, as coisas foram tomando proporções maiores e a situação do COVID-19 foi ficando mais alarmante e o tempo de quarentena foi prorrogado pelo governador do estado, seguindo orientações da OMS.

É claro que, no início, nada parecia ruim. Acordar juntos todos os dias, estimular um ao outro em seus trabalhos, nas tarefas domésticas e em tudo mais que a vida a dois envolvia foi algo empolgante desde o começo do “confinamento”. Para a gente, que mora longe e fica muito tempo sem se ver, não seria sacrifício algum encarar mais tempo juntos se aventurando em nos conhecermos mais e nos doarmos mais ao nosso relacionamento, que em tão pouco tempo já se mostrou extremamente intenso da melhor forma para ambos.

Muito mais nus do que quando compartilhamos o banho ou a cama, a quarentena nos mostrou um para o outro como somos diante do bom e do ruim que surge no dia a dia, diante das dificuldades, diante das alegrias e diante de nossas próprias imperfeições, que ficam a cada dia mais explícitas. E, acreditem ou não, não tem sido difícil como eu achei que seria. Temos dias ruins, é óbvio, mas os momentos bons são infinitamente maiores e mais proveitosos que pequenos momentos que parecem mais difíceis.

Criamos uma espécia de barreira, um limite pessoal que estabelecemos para aqueles dias em que não acordamos cem por cento ou aqueles momentos em que estamos irritados por algo relacionado a trabalho. Exemplo: quando ele tem uma situação difícil e que está se demorando a resolver no trabalho ou quando eu não consigo ter um bom rendimento na escrita de meu trabalho atual (meu próximo livro), não ficamos bajulando o outro com mensagens chatas de “vai ficar tudo bem”. Apenas deixamos aquele momento de frustração ser vivido e respeitamos o tempo um do outro de lidar com aquilo. Essa individualidade foi algo que conversamos sobre, e que acreditamos ser a base de um relacionamento, desde nossa primeira teclada no Instagram.

Assim, temos passado dias tentando estabelecer uma rotina, algo que é um desafio maior do que conviver um com o outro. Outro ponto muito positivo é que ainda temos o tempo “sozinho” pra fazermos o que gostamos. Não são raras as vezes em que estou no home office trabalhando e ele está no quarto assistindo vídeos no smartphone ou fazendo qualquer coisa que ele gosta de fazer. Também é muito comum enquanto ele trabalha enviando as aulas, pela manhã, eu estar no quarto lendo ou ouvindo meus podcasts favoritos (um vício nesta quarentena). Tem também a madrugada, período em que ele dorme o sono dos justos enquanto assisto entrevistas, leio ou faço aulas de escrita.

Pois é, por mais assustador que estar “repentinamente casado” seja, creio que estamos vivendo dias maravilhosos e que, possivelmente, seriam preocupantes de se viver separadamente. Sei que é um privilégio estar com meu namorado nesse período, tanto quanto é um privilégio poder estar em isolamento social. Mas me sinto realizado, casado e bem amparado por mais assustador e tenso que este confinamento forçado esteja sendo para todos. Gratidão define e amor também.

  • Nota do namorado do editor: O ALEF É LINDO! ♥

DIA NACIONAL DO ORGULHO GAY

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Eis que chega o dia 25 de março, o Dia Nacional do Orgulho Gay. Hoje é a data oficializada já há alguns anos para que celebremos quem somos. Gays, lésbicas, bissexuais e transexuais de todo o páis mobilizam-se hoje, desta vez apenas nas redes sociais #FicaEmCasa, a promover nossa causa expondo o orgulho de ser quem se é independente de nossa natureza sexual e, por meio deste movimento, levantando a bandeira da luta contra a homofobia.

Muito já foi conquistado até aqui, como a criminalização da LGBTfobia, o fim da criminalização da homossexualidade e das penas correlatas, fim do tratamento das identidades trans como patologias, fim dos tratamentos de “cura gay”, casamento civil igualitário, permissão para casais homoafetivos adotarem crianças e até maior representatividade da comunidade nos meios de comunicação. Entretanto, a homofobia no Brasil segue sendo assustadora, tendo indicativos de que nosso país é o país que mais mata LGBTQs no mundo, chegando a fazê-lo três vezes mais que o segundo lugar da lista, o México.

Por isso se faz necessário que nossa luta seja lembrada em datas como essa e diariamente. Temos que, cada vez mais, conscientizar a sociedade de que por trás de nossa natureza sexual existe algo que nos assemelha a toda e qualquer pessoa vivente: somos reles mortais, simples seres humanos. Nossa existência é tão importanate para a sociedade quanto a vida de qualquer outro ser vivo.

Por séculos tivemos de viver nas sombras. Fomos por muito tempo marginalizados, o que fez com que muitos de nós vivesse, e muitos ainda vivem, uma vida dupla para tentar seguir supostas normas de convívio social de uma sociedade opressora e preconceituosa. Mas não podemos mais e nem queremos mais fugir de quem somos e de poder viver e demonstar nosso amor como todo e qualquer cidadão.

Celebremos hoje nosso direito de ir e vir, nossa capacidade sermos únicos, independentemente de quem amamos ou mantemos relacionamentos. Hoje, muito mais do que uma data para dizer “eu tenho orgulho de ser gay”, é uma data para os demais dizerem “eu respeito, aceito e tenho compaixão com o meu próximo diferente de mim”. Se mantivermos esta energia e abraçarmos nossas diferencas eu acredito que o mundo que John Lennon nos sugere visualizar na letra de Imagine será possível. Como diz Gisele Bundchen: “se podemos sonhar, podemos realizar”.

SOBRE O PEQUENO PRÍNCIPE

Em dois de fevereiro, por volta das 21h, ele curtiu uma foto minha no instagram por causa de uma hashtag. Curti algumas dele de volta e recebi mais umas curtidas em fotos, até que eu respondi a um story dele com “so cute” (tão fofo). Começamos a teclar a partir dali e, embora talvez nem eu acredite nesse tipo de coisa, eu já sabia que tudo estava acontecendo pra ele ser meu.

Horas passaram-se, trocamos número de  whatsapp e ele começou a mandar áudios, aquela voz grave dele mexe comigo. Trocamos playlists do spotify e riamos muito de figurinhas e memes que pareciam vir de uma pessoa que já conhecia a outra de muitos anos. Não creio em vidas passadas, mas o que sinto é que por muito tempo eu enviei ao Universo minha energia chamando pela vibração dele e fui atendido.

Embora tudo fosse mágico, ainda havia algo que me deixava com o pé atrás: ele tinha um namorado. Porém, invés de me desesperar eu apenas deixei tudo fluir pois a certeza de que iríamos ficar juntos era algo que simplesmente me preenchia e fazia eu ver tudo com leveza. Não me importava o tempo que teria de esperar, eu simplesmente sabia que seríamos um do outro.

Dias foram passando e essa troca se intensificando, enquanto o namoro dele não ia bem e o namorado mal o respondia. Chegou ao ponto de eles conversarem e o parceiro resolver dizer que mudaria, mas no dia seguinte ele seguiu fazendo pouco caso desse cara incrível que conheci. Acompanhando tudo, invés de ficar feliz eu até fiquei chateado, ele merecia mais que aquilo e eu queria ser o melhor pra ele. Eu sabia que sou capaz de ser o melhor pra ele.

Quando ele me contou que o boy finalmente havia dito que não queria mais nada com ele, senti um alívio que ele veio a me confessar sentir  também. Estabelecemos um pré acordo, antes mesmo do primeiro encontro, de que já estávamos apenas um pelo outro. Medos? Tive, mas eu tinha também aquela certeza, que senti na primeira teclada, a certeza de que eu estava fazendo a coisa certa.

Dias depois, esperei apreensivamente por uma graninha entrar e finalmente ela caiu na conta e eu encarei as cinco horas de Porto Alegre a Tavares para ver ele e me doar àquilo que já me consumia, a paixão. Havia ainda um certo medinho da famosa “química” não rolar. Mas eu simplesmente guardei o medo no bolso e disse “bora que o que eu sinto não é pouco e isso precisa ser vivido plenamente”… E foi.

O primeiro abraço, na rodoviária, foi caloroso e cheio de ternura com uma pitada de desejo por mais. Queria tê-lo beijado ali mesmo, mas fomos resguardados e aguardamos chegar na casa dele. Fechando a porta e dado o primeiro beijo eu tive a certeza: ele veio pra mudar minha vida. E desde então é o que tem feito. A química é maior do que jamais sonhei ser. O beijo, o toque, o carinho, o olhar, o riso, as trocas, a doação, as carícias e o sexo, tudo é repleto  uma reciprocidade que nenhum homem em meus 33 anos jamais me deu.

Já me apaixonei e já senti que fui valorizado por uma paixão antes, mas na intensidade e doação que agora existe jamais houve. Ele é meu muso inspirador, ele é meu ombro amigo em dias ruins e somos causa do riso um do outro. Ele é meu calmante natural, pois percebi que quando estou com ele eu não fico a roer unhas e dedos, eu apenas relaxo e vivo o momento. Ele também é a melhor companhia pra qualquer rolê ou pra tomar uma taça de vinho enquanto contamos passagens de nossas vidas, boas ou ruins. Ele ri das minhas dancinhas e diz que eu danço bem, algo que não acredito mas acho uma delícia de ouvir, e me tira pra dançar no meio da sala ao som de MPB. Já somos lindos juntos sem fazer força, modéstia a parte.

Eu me desnudei pra ele como jamais o fiz antes. Contei medos, temores, traumas, micos e conquistas. Ele? Ah, ele foi tão transparente quanto eu e me deixou ainda mais encantado por tudo que ele é e ainda quer ser. Quando ele perguntou “onde tu esteve esse tempo todo?” de mim simplesmente saiu “eu estive tentando evoluir pra ser minha melhor versão pra ti”. E de fato eu creio fielmente nisso. Agora eu vivo suspirando e, embora a gente viva longe um do outro, sinto que tudo só cresce porque essa doação mútua é vivida diariamente em pequenos atos que aquecem o coração e trazem a segurança da reciprocidade.

Nos dias juntos descobri que ele superou muitas barras, passou muitas dificuldades ao longo de seus 25 anos e tornou-se um homem, que acho muito mais inteligente e maduro que eu, ue sou mais velho. Ele é um homem maduro, que sabe se reinventar e, mesmo passando por diversos perrengues, ele nunca perdeu a doçura e a leveza de seu lado criança, seu lado “pequeno príncipe”. Quando ele sorri tudo vira luz e todos sorriem de volta e quando ele faz graça todos se deixam levar pelo carisma incrível que ele trasmite a cada palavra. Quando ele olha nos meus olhos, apenas tenho a certeza de que tudo ao lado dele vale a pena e de que ele me vê por inteiro.

Então, agora ele é meu e eu sou dele e é isso. E nem se eu fosse o mais talentoso e inspirado dos poetas escreveria algo a altura do homem sensacional, guerreiro, maduro, carismático e inspirador que ele é. Mas ao menos nossa historia virou uma crônica, a primeira de muitas, obviamente, pra lembrar ele que ele é um capítulo novo em minha vida. E, desde dia 21, quando me disse sim, ele me faz sorrir sem ao menos precisar fazer piada.

Alef Leal, obrigado por existir e fazer toda a diferença. Te amo, meu pequeno príncipe (que é a tatuagem que carregas em ti e representa tua doçura, sensibilidade e olhar puro)!!!

Nota: me permiti ser um pouco cafona na montagem da imagem acima, pois todas manifestações possíveis de amor guardadas no íntimo do meu ser estavam guardadas pra ele. ♡