O VALOR DA PERDA

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Há alguns dias, semana passada, perdemos dois grandes nomes da cultura nacional, Moraes Moreira e Rubem Fonseca. O primeiro, músico, marcou, e ainda marca, a vida de todos os apreciadores de MPB com sua banda, os Novos Baianos. O segundo foi escritor multipremiado por algumas de suas obras como Agosto e O Seminarista. O que ambos têm em comum? Deixam um legado na história cultural brasileira. Mais do que isso, movimentam, agora que nos deixaram, mais pessoas a conhecer e consumir suas obras.

Não é nova a máxima “só se valoriza depois da perda”, assim é para tantas coisas na vida. Emprego, relacionamento, parente, amigo, tudo pode estar lá, “parado” e estamos bem se lembrarmos que o temos e podemos seguir nossas vidas. Mas, no momento em que nos vimos sem um “bem”, somos afetados de tal maneira que, na maior parte dos casos, nossa primeira reação é valorizar tudo que foi vivido enquanto aquilo ainda nos pertencia.

Não, isso não é condenável, é humano. Não posso simplesmente dizer que viver esse luto alimentando a preciosidade do quanto nos foi especial em vida é um erro. Alías, creio eu, é muito bonito e saudável que revisitemos o melhor e somente isso daquilo que ou de quem se foi. Deixemos para trás toda mágoa ou sentimento ruim e tenhamos uma visão voltada para o quanto aquela experiência nos enriqueceu.

Quem me conhece sabe bem que minha escritora favorita, e maior inspiração, é a saudosa Fernanda Young. Quando, em 25 de agosto de 2019, Fernanda Young nos deixou, dois dias após ter me dado a alegria de me seguir no instagram, muita gente relembrou quem ela é (sim, no presente pois ela sempre será). Consequentemente muita gente passou a querer mais de sua vasta obra literária. Eu mesmo, busquei muito mais assistir as séries as quais ela foi roteirista. Até me assustei com um livro que comprei por R$ 59,90, no mês de lançamento, que passou a custar R$ 249,40. Esse aumento de procura me chateou? Não, como fã eu gosto muito que mais gente queira ler o que leio e admiro. O único ponto triste foi Fernanda receber seu primeiro prêmio literário, o Prêmio Jabuti de Crônica, apenas após sua partida. Nos provando que só se valoriza após a perda. A artista levou com ela a tristeza de, mesmo com muitos livros públicados em mais de vinte anos de carreira, nunca ter sido reconhecida pelo alto escalão da literatura, dor que ela já havia citado em algumas entrevistas.

O que deve ser refletido em momentos como este, observando atentamente, é que devemos valorizar tudo que nos é precioso enquanto podemos. Se tu curtes um artista (músico, escritor, banda, ator) compartilhe seu conteúdo, comente em seus posts, principalmente se for alguém do meio independente. Não deixe pra depois, também, valorizar teu trabalho e dar teu melhor todos os dias para que tenhas destaque. Em meio a esse caos todo, nunca se sabe quando o fim chega. Aquele amigo que tu adoras, mas nunca tinha tempo para conversar decentemente pode ser chamado em vídeo ou áudio nesse período de isolamento. E, principalmente, se tens pais e avós vivos, lembre-os com mais frequência de seu valor e o quanto os ama.

A vida é curta e estamos todos ocupados correndo atrás de pôr nossa vida em ordem, eu sei. Mas aquele comentário na foto de alguém com palavras positivas e motivadoras, o “algo a mais” no trabalho, a chamada de vídeo finalizada com “te cuida, fica em casa, eu te amo” ou qualquer ato que tu possas ter, que saibas que valoriza algo ou alguém, não deve ser deixado para amanhã. “Porque se você parar pra pensar, na verdade não há…” já cantava o poeta.

VIVA A RESSURREIÇÃO

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Hoje, domingo de Páscoa, feriado tradicionalmente cristão, algo que não sou, a maior parte da população celebra o renascimento de Cristo. Isso só me lembra uma coisa que aprendi com os ensinamentos cristãos que me foram passados na minha infância: todos renascemos inúmeras vezes ao longo da vida.

Renascimentos se dão diariamente e após períodos específicos da vida, isso nos torna mais fortes e sábios, Se tu venceste uma doença difícil, tu renasceste. Se tiveste um período de crise financeira e saiu dessa, pois é, amigo, tu nasceste novamente. Se tiveste problemas com depressão, ou ainda tens e luta contra isso, tu renasceste e renasces todos os dias ao acordar e manter-se firme e forte. Se tu és uma mãe solo e luta pela sobrevivência de tua família, tu, além de uma guerreira, és uma pessoa que renasce a cada sacrifício. Se tu és negro e sofre na pele o racismo que o Brasil carrega de quatrocentos anos de escravidão, tu sempre serás uma fênix, de tanto que renasces. Se tu és LGBTQIA+, em nosso país, que é o de maior índice de mortandade por crimes de LGBTfobia, tu renasces toda vez que chegas com vida em casa, seja grato.

Ao longo de uma vida a gente enfrenta tanta coisa. É tanto cair e levantar, tanta apunhalada da vida, que nos faz sangrar e definhar, por vezes por dias, pra sofrermos com a morte de quem éramos e nos tornarmos uma versão melhor e superior disso. Isso nos torna seres que morrem e renascem quantas vezes necessárias em uma mesma existência.

Que a data de hoje sirva pra nos lembrar disso. Lembremos que somos altamente capazes de superar nossas mortes nos tombos, falhas, fracassos e lições da vida. E que encaremos cada desafio superado como um renascimento. Afinal, cada um sabe a cruz que carrega por ser quem se é.

Lembremos também que, embora estejamos vivendo um período de introspeção, onde nos isolamos socialmente e nos afastamos de quem amamos por um motivo nobre, de mantermos nossos corpos saudáveis e vivos, ao término disso todos renasceremos com os aprendizados deste período. Enfim, que viva o renascimento de cada um de nós, toda a vez que a vida nos cobrar morrer e renascer.

CASADOS PELA QUARENTENA

Ele & eu ♡

Sempre sonhei em me casar com uma pessoa sensacional. Alguém que me inspira, que me motiva diariamente e que me move a ser uma versão melhorada de mim mesmo. Viver um relacionamento assim, cheio de amor, motivação e reciprocidade parecia algo distante até o início de fevereiro, quando tudo começou. O que eu não tinha ideia, nem em meus sonhos mais distantes, é que a vida me faria ter tão cedo uma “vida de casado”, com essa pessoa tão especial.

A ideia inicial era aproveitar as duas semanas de isolamento social, período que a escola estadual onde ele trabalha estabeleceu inicialmente como o tempo de quarentena. Acontece que, aos poucos, como bem sabemos, as coisas foram tomando proporções maiores e a situação do COVID-19 foi ficando mais alarmante e o tempo de quarentena foi prorrogado pelo governador do estado, seguindo orientações da OMS.

É claro que, no início, nada parecia ruim. Acordar juntos todos os dias, estimular um ao outro em seus trabalhos, nas tarefas domésticas e em tudo mais que a vida a dois envolvia foi algo empolgante desde o começo do “confinamento”. Para a gente, que mora longe e fica muito tempo sem se ver, não seria sacrifício algum encarar mais tempo juntos se aventurando em nos conhecermos mais e nos doarmos mais ao nosso relacionamento, que em tão pouco tempo já se mostrou extremamente intenso da melhor forma para ambos.

Muito mais nus do que quando compartilhamos o banho ou a cama, a quarentena nos mostrou um para o outro como somos diante do bom e do ruim que surge no dia a dia, diante das dificuldades, diante das alegrias e diante de nossas próprias imperfeições, que ficam a cada dia mais explícitas. E, acreditem ou não, não tem sido difícil como eu achei que seria. Temos dias ruins, é óbvio, mas os momentos bons são infinitamente maiores e mais proveitosos que pequenos momentos que parecem mais difíceis.

Criamos uma espécia de barreira, um limite pessoal que estabelecemos para aqueles dias em que não acordamos cem por cento ou aqueles momentos em que estamos irritados por algo relacionado a trabalho. Exemplo: quando ele tem uma situação difícil e que está se demorando a resolver no trabalho ou quando eu não consigo ter um bom rendimento na escrita de meu trabalho atual (meu próximo livro), não ficamos bajulando o outro com mensagens chatas de “vai ficar tudo bem”. Apenas deixamos aquele momento de frustração ser vivido e respeitamos o tempo um do outro de lidar com aquilo. Essa individualidade foi algo que conversamos sobre, e que acreditamos ser a base de um relacionamento, desde nossa primeira teclada no Instagram.

Assim, temos passado dias tentando estabelecer uma rotina, algo que é um desafio maior do que conviver um com o outro. Outro ponto muito positivo é que ainda temos o tempo “sozinho” pra fazermos o que gostamos. Não são raras as vezes em que estou no home office trabalhando e ele está no quarto assistindo vídeos no smartphone ou fazendo qualquer coisa que ele gosta de fazer. Também é muito comum enquanto ele trabalha enviando as aulas, pela manhã, eu estar no quarto lendo ou ouvindo meus podcasts favoritos (um vício nesta quarentena). Tem também a madrugada, período em que ele dorme o sono dos justos enquanto assisto entrevistas, leio ou faço aulas de escrita.

Pois é, por mais assustador que estar “repentinamente casado” seja, creio que estamos vivendo dias maravilhosos e que, possivelmente, seriam preocupantes de se viver separadamente. Sei que é um privilégio estar com meu namorado nesse período, tanto quanto é um privilégio poder estar em isolamento social. Mas me sinto realizado, casado e bem amparado por mais assustador e tenso que este confinamento forçado esteja sendo para todos. Gratidão define e amor também.

  • Nota do namorado do editor: O ALEF É LINDO! ♥

NOVIDADES? TEMOS!!!

Muitos já sabem de minhas novidades por me acompanhar em facebook e instagram, mas como aqui tem muita gente que acessa e não me segue nas redes, sinto a necessidade de compartilhar as boas novas e o farei por meio deste post.

PARTICIPAÇÃO NO PODCAST ALÔ TERRÁQUEO

Para começar, trago minha humilde participação no podcast do meu namorado Alef Leal. Participei no primeiríssimo episódio, NEM TUDO NA VIDA ADULTA É SUCESSO, onde o assunto é os perrengues da vida adulta e como lidamos com eles. Modéstia a parte, o episódio ficou bem divertido e vale a pena dar o play. Segue abaixo o player.

E-BOOK MONOLOGAY

Ainda sem data definida por motivos do andamento das coisas devido ao corona vairus (leia imitando a Crdi B, por favor), o e-book coletânea de crônicas do Monologay, com material que vai de 2009 (quando comecei o blog) a 2019, está preveisto para estar na Amazon Store até o fim de abril. Tenhamos fé e paciêcia que eu consiga fazê-lo o mais brove possível. Óbvio que farei post de divulgação aqui, mas já fica pré avisado que ele está chegando e não foi esquecido (pois lembro de já ter mencionado ele aqui).

A PRÉ VENDA DE MEU 1º LIVRO, TODO AMOR QUE NUNCA TE DEI, SE APROXIMA

Para quem ainda não sabe, o que acho meio difícil pois eu já mencionei em uns três ou quatro posts aqui, meu primeiro livro está chegando e sua pré venda começa em quatro de maio pela Editora FLYVE. Sim, pouco mais de trinta dias. Se eu estou ansioso? Estou mega, hiper, uber ansioso e nervoso, do tipo co dor de barriga só de pensar. Mas mantenho a calma e já estou produzindo material de divulgação, leia-se vídeos, posts para redes sociais e afins. Então, para começar a tranbalhar mais na divulgação e imagem do livro, citando trechos e postando frases que vão de acordo com a mensagem da obra, eis aqui o post do instagram do livro TODO AMOR QUE NUNCA TE DEI com a capa e na legenda a premissa da obra. Espero que curtam, sigam e acompanhem o trabalho de divulgação que foi planejado com muito cuidado e dedicação.

DICAS DE ESCRITA NO INSTAGRAM

Retomei meus IGTVs com dicas de escrita, criatividade, foco e afins. Já tinha quatro vídeos deste tipo de abordagem postados no Instagram antes e, como alguns amigos e seguidores me motivaram a retomar esse conteúdo, postei recentemente o vídeo abaixo.

OS PECADOS DE BERNARDO

Assim que terminei TODO AMOR QUE NUNCA TE DEI eu já dei início ao meu próximo projeto literário, o romance LGBTQIA+, OS PECADOS DE BERMARDO. Ainda não darei muitos detalhes do livro, mas posso adiantar de antemão que tenho previsão de lançamento para outubro deste ano, também pela Editora FLYVE.

Enfim, essas são as minhas novidades até o momento. Fiquem ligados nas redes sociais, pois a qualquer momento surge mais alguma coisa. O mês de abril ainda promete possíveis novidades e bons conteúdos digitais.

ISOLAMENTO SOCIAL E MUDANÇA DE ROTINA: RESPIRA, NÃO PIRA

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Então, não sei você, que está lendo esta crônica, mas eu posso me dar ao luxo de atender a decisão do governador do Estado do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e da OMS (Organização Mundial de Saúde) e seguirei meu mês de abril em completo isolamento social. Em meio a isso, eu, que achava muito fácil ter uma vida regrada, na medida do possível, e ser organizado para ter minhas rotinas necessárias, como hora pra trabalhar, atividade física, comer sem excessos e etc, me vi em dez dias completamente fora de qualquer rotina. Aí um leve desespero me bateu.

Sei que são tempos difíceis e que não estamos habituados a uma mudança drástica. E, embora eu já esteja acostumado a ficar em casa por muito tempo e fazer meus trabalhos como freelancer sem por os pés na rua por dias, a impossibilidade de sair pra uma voltinha em um domingo de sol ou um encontro com amigos pra fazer uma noite de jogos e bons drinks já começa a deixar saudades. O isolamento começou a dar seus primeiros sinais de desconforto e toda serenidade com a qual eu tenho levado o período de quarentena parece ir e vir em alguns momentos, brincando assim de me deixar a beira de um ataque nervos.

É normal que a falta de controle sobre a situação nos deixe por vezes atônitos. Eu, particularmente, sempre gostei de ter tudo muito controlado e bem organizado. Sou do tipo que tem agenda de papel, mural com post its indicando minhas atividades semanais dos próximos dias ou meses e assim me guio por bons tempos. Estar nessa “vibe” de não saber se a quarentena se estenderia ou se tudo voltaria ao normal me fez ficar meio que sem motivação a me organizar pros próximos tempos. E isso, para um virginiano é meio estranho.

Tu também podes ter te sentido assim. Podes ter estranhado a forma como reagiste aos primeiros dias de isolamento social. Podes ter estranhado o quão fora do eixo ficaste com o trabalho em casa ou até como facilmente se adaptou a vida de home office. Cada um de nós reagiu de uma forma diferente, uns deram uma relaxada, outros conseguiram regrar-se e outros apenas deixaram fluir e seguiram como deu, o que foi o meu caso.

Hoje, de ontem pra hoje aliás (terça-feira, dia em que escrevo esta crônica), me vi mais organizado, embora tenham horas do dia em que me permito relaxar um pouco mais e não me cobro tanta pró atividade. Preciso estar regrado para entregar trabalhos ainda e meu segundo livro (que tenho como prazo o fim de maio), mas estou em uma posição privilegiada de não precisar de uma rotina muito bem estruturada para administrar minha demanda.

O segredo é, independentemente de tu estar trabalhando em meio ao caos do isolamente social ou de estar mais livre para fazer qualquer coisa e, ainda assim, estar se sentindo perdido em meio a essa nova forma de viver, respirar fundo e abraçar o que tu podes fazer no momento. Não tentemos dar passos maiores que nossas pernas. Não sejamos injustos com nós mesmos abraçando muitos trabalhos, projetos para simplesmente ocupar nossa cabeça e tempo porque o excesso nunca é benéfico. Então, fiquemos bem apenas atendendo nossas necessidades e, se necessário, as obrigatoriedades e nada mais. E, caso sinta-se a beira de um surto lembre-se: respira, não pira. Tudo é o agora te dando um susto, nada será eterno e amanhã é mais um dia.

Nota: Se puder #FicaEmCasa

ISOLAMENTO SOCIAL E AFASTAMENTO CONSEQUENCIAL

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Os últimos dias e o isolamento social trouxeram a tona muita gente expondo suas opiniões nas redes sociais. Muita gente pró e contra as providências governamentais. Com isso, houve algo que observei de perto, pois aconteceu com muitos amigos e também comigo: o afastamento consequencial.

Trata-se de um afastamento de amigos, família e conhecidos de redes sociais devido ao posicionamento pró ou contra o governo. Algo que ainda é muito delicado e difícil separar e superar. As diferença quando se toma partido, favorável ou não, às atitudes do Presidente gritam mais que os laços que outrora nos uniram, o que é lamentável. E, como consequência surgem afastamentos, por vezes, inesperados.

Sei que não consigo agradar a todos quando me revolto e me exponho em minhas redes sociais, muitas vezes de maneira agressiva, confesso. Mas também sinto que não tem havido mais um meio termo de se relevar o que o outro pensa quanto ao assunto. Tive a experiência desagradável de ver duas pessoas, que estimo muito, deixando de falar comigo devido a nossas divergências políticas. E também houve outro amigo, o qual troquei comentários e fluiu um diálogo, que simplesmente não levou adiante, dexando assim que tivessemos um possível atrito ou apenas entendeu que eu não mudaria meu posicionamento.

Se me exponho na internet com meu ponto de vista, como tenho feito desde 2009 por meio deste blog, do Twitter e do Facebook é porque acho necessário o diálogo sobre o que exponho. Mas nesse isolamento social eu aprendi que não tenho o casco necessário, ou o devido traquejo para ser pessoa pública pois não me calo diante de discurso raso e não sei ignorar respostas negativas quando sei que meu discurso é plausível. O que me leva a não ter certeza se serei o mesmo impulsivo ao me expor como antes.

Mesmo assim, sigo não me achando o dono da uma verdade absoluta e imutável. Sei que ainda tenho muito a aprender, principalmente quando o assunto é empatia e saber dosar as palavras quando discuto sobre política. Mas eu não trocaria elos antigos e duradouros por opiniões rasas, questionáveis e que excluem bom senso e, principalmente, minorias, por exemplo.

Sendo assim sinto que se alguém partiu em meio a essa avalanche de auto exposição crítica é porque já não me é parceiro. Deixemos que fique em um barco separado do meu e siga seu caminho. E que, com sorte, nos salvemos todos do naufrágio. Pois, como tenho visto o andar dos ventos, parecemos apenas estarmos cada vez mais perto da afundar.

A CHAVE PARA O SUCESSO: DISCIPLINA, METAS E LISTAS

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Se tem algo que vejo em comum na biografia de diversas pessoas bem sucedidas, esse algo é que eles são extremamente disciplinados, guiam-se por estabelecer metas e criar listas. Se tem algo que minha experiencia própria diz que funciona para fazer acontecer suas realizações pessoais, adivinhe o que é: disciplina, ter metas e usufruir de listas para alcançá-las. Sim, foi assim que eu guiei meu ano de 2019 para conseguir escrever mais, fazer com que o blog não parasse, ser publicado no jornal, conseguir alguns jobs, escrever dois livros em alguns meses, sim, dois, e realizar o meu maior sonho, assinar um contrato de publicação de meu primeiro livro.

Nada cai do céu, já se diz por aí popularmente. Então, se tu queres algo, é necessário que tu faças por onde. Como faremos por onde se não tivermos disciplina e organização mínimas? Madonna, Gisele Bundchen, Steve Jobs, Fernanda Young, Fernanda Montenegro e até mesmo Silvio Santos, todos começaram pequenos e começaram doando-se para seus sonhos estabelecendo pequenas metas para que, aos poucos, chegassem longe.

Em um dia em que tinha algumas coisas pra fazer e eu queria fazer um milhão de coisas a mais, me peguei fazendo algo que meu virginianismo me move a fazer desde a adolescência: listas. Quem corre atrás de realizar-se sabe que sem metas e o auxílio de listas parece que nada anda. Olhei para trás e revisitei o Braian de 2019, que em maio retomou o blog, em agosto estava sendo publicado em jornal, em novembro tinha um livro escrito, em dezembro o segundo livro e, também em dezembro, um contrato assinado para a publicação do primeiro livro. Tudo isso hoje me parece impossível sem o auxílio de listas.

Comecei traçando uma lista do que queria realizar no ano. Foi uma lista a longo prazo. Depois eu fui semanalmente fazendo listas para o que devia cumprir em sete dias para que tudo fluísse. Por fim eu fazia listas diárias com tarefas menores e mais urgentes. As tarefas diárias incluíam escrever um texto por dia, escrever um capítulo de livro por dia e ler no mínimo trinta páginas de livros por dia, para aprimorar-me como leitor. Também incluí em minha lista diária esporadicamente assistir vídeo aulas de escrita criativa. Assim, ao final do ano meus resultados foram além de minhas expectativas.

Não sou um sucesso literário. De fato nem senti o gostinho de livro lançado ainda, o que acontece primeiramente com o e-book MONOLOGAY, coletânea de crônicas de 2009 a 2020, em 13 de abril e também na pré venda do romance autobiográfico TODO AMOR QUE EU NUNCA TE DEI em 4 de maio. Mas se tem algo que posso dizer que aprendi com 2019 é que se impor disciplina, estabelecer metas e se organizar por listas é, sim, a chave para a realização pessoal. E realização pessoal, para mim, já é o sucesso alcançado e o coração aquecido.

RAD – RELACIONAMENTO A DISTÂNCIA

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‘Querendo dá’ diz a canção Outro Sim de Fernanda Abreu que nos passa a mensagem clara de uma máxima da vida: quem quer faz acontecer. Assim é pra quem, mesmo com nossa educação aos trancos e barrancos, quer estudar, quem quer viajar, quem quer perder peso, enfim, assim serve pra tudo na vida, inclusive algo que vivo atualmente, um relacionamento a distância. 246km de distância, para ser mais preciso.

Não é todo dia que a gente tá realizado da vida por simplesmente ter encontrado alguém mais do que especial. Tem dias que a falta daquela pessoa por perto pesa e pesa muito. Ainda mais se, como no meu caso, parece que tu tens anos de vivência com a pessoa, assim tudo tem um peso extra dada tamanha afinidade. Mas eu sempre costumo pensar que poderia ser pior. O meu par poderia ser alguém que vive no Japão e eu sentir que, mesmo com a distância, somente essa pessoa me completa e ela merece que eu espere por ela o tempo que for.

Não levo todo e qualquer relacionamento como complicado, a não ser que seja abusivo. Nesse caso eu pulo fora ao primeiro sinal sem ao menos dar chance de render o mínimo que poderia. Creio que o ser humano é que tende a complicar as relações e ficar procurando pêlo em ovo. Eu mesmo já estive no time dos ‘complicadores’ e vez ou outra ainda tenho meus surtos de leve. Mas o que importa é que pra qualquer relação se dar é necessário doação, doação essa que eu sinto em meu relacionamento, que, mais do que qualquer outro que já vivi, é movido por reciprocidade.

No fim das contas, com todos os aparatos proporcionados pela tecnologia e modernidades, a saudade acaba sendo mero detalhe que serve de combustível para um reencontro surreal e delicioso. Enquanto isso as conversas via whatsapp, repletas de áudios, imagens, gifs, vídeos e chamadas de vídeo intensificam-se e fazem do relacionamento a distância apenas mais uma forma de amar, sem grandes complicações ou empecilhos.

Pode até ser longe, mas encarar as cinco horas de viagem com a expectativa de ter o toque, o beijo, o sorriso e o carinho da pessoa amada não tem preço. E nos últimos minutos de viagem, quando já está chegando ao destino, sentir o coração disparar e o alívio que dá ao ver o ser amado vindo em tua direção com um sorriso largo no rosto, isso só intensifica que distancia nenhuma separa dois corações apaixonados, afinal: querendo dá.

SOMOS FASES E INFLUÊNCIAS

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É incontestável que todos somos regidos por fases nessa longa estrada da vida. Tal qual a lua, que também tem alta influência em nossas vidas, mudamos, crescemos, minguamos e vamos acrescentando ”bagagem” ao longo dos anos. Essa bagagem nos torna quem somos e muito dela vem de influências que absorvemos desde a infância.

Quando criança era eu me espelhava em minha mãe, basicamente era só ela a figura de ser humano que eu via com brilho nos olhos. Ah, teve também a Xuxa que, quem me conhece sabe, era uma ídola e eu sempre dizia ”eu sou a Xuxa” na hora de brincar. Bem coisa de criança viada mesmo, mas creio que a imagem calorosa, positiva e enérgica da Xuxa me deu uma base inspiracional que me fez ter uma infância melhor. Eu fui muito solar e radiante nessa fase da vida.

Na adolescência fui muito perdido. Me encontrava e me perdia com muita frequência em meio a referencias que começavam na música, como Spice Girls, Sandy e Júnior, Alanis Morissette, Madonna e até Marylin Manson. Na literatura era Paulo Coelho que eu lia e relia diversas vezes e me fez ter um encontro com o lado espiritual e o paganismo, que está adormecido em mim hoje, mas ainda vejo como a única crença viável para minha existência. Eu era mais obscuro e fechado, embora muito sentimental, desde sempre, eu tinha uma concha e parecia que ninguém jamais penetraria na camada mais profunda do meu eu.

Na vida adulta eu me tornei chato pra cacete. Quem me conhece sabe que me tornei muito aberto a coisas novas, novas influencias e gostos. Mas também tenho um senso critico, talvez oriundo de meu virginianismo, que me leva a não experimentar coisas sem que não tenha o mínimo de identificação. Há um certo pré conceito em relação a quase tudo, que precisa ser quebrado. Mas passei a absorver boas influencias de cinema, principalmente nacional e os filmes de Almodóvar. Na música eu flertei com David Bowie, Marisa Monte, Caetano Veloso, Bob Dylan e outros nomes maravilhosos. Já na literatura passei a me aventurar entre cronicas, romances LGBTQ e biografias. Minha fase adulta trouxe um equilíbrio maior entre meu lado solar e o obscuro e consegui abraçar bem ambos.

Atualmente tenho tentado sair da zona de conforto das referencias que já me são comuns, como os acima citados. Sorte a minha que tenho um namorado que me manda coisas muito diferentes e que parece ter o tino certo de me mostrar algo que eu curta sempre que trás algo novo via whatapp. Outra coisa que gosto é procurar autores ou blogueiros novos, experimentar tem sido algo interessante na minha atual fase de vida. Esse frescor pelo novo que sinto quase que diariamente, me faz enxergar a vida de maneira muito solar e me parece quase que um reencontro com a infância, onde eu era eu sem medo. Sinto que atualmente além de solar, eu sou simplesmente transparente comigo e com o mundo, mostrando por completo quem sou e a que eu vim.

Mas, resumidamente, eu sempre serei fruto da influência de mitos de minha geração, como Madonna, David Bowie, Andy Warhol, Paulo Coelho, desfaz essa cara feia porque eu gosto SIM, e a saudosa Fernanda Young, ou seja, um mutante que em suas mutações vai apreendendo a aprimorar suas melhores técnicas de sobrevivência.

SOBRE O PEQUENO PRÍNCIPE

Em dois de fevereiro, por volta das 21h, ele curtiu uma foto minha no instagram por causa de uma hashtag. Curti algumas dele de volta e recebi mais umas curtidas em fotos, até que eu respondi a um story dele com “so cute” (tão fofo). Começamos a teclar a partir dali e, embora talvez nem eu acredite nesse tipo de coisa, eu já sabia que tudo estava acontecendo pra ele ser meu.

Horas passaram-se, trocamos número de  whatsapp e ele começou a mandar áudios, aquela voz grave dele mexe comigo. Trocamos playlists do spotify e riamos muito de figurinhas e memes que pareciam vir de uma pessoa que já conhecia a outra de muitos anos. Não creio em vidas passadas, mas o que sinto é que por muito tempo eu enviei ao Universo minha energia chamando pela vibração dele e fui atendido.

Embora tudo fosse mágico, ainda havia algo que me deixava com o pé atrás: ele tinha um namorado. Porém, invés de me desesperar eu apenas deixei tudo fluir pois a certeza de que iríamos ficar juntos era algo que simplesmente me preenchia e fazia eu ver tudo com leveza. Não me importava o tempo que teria de esperar, eu simplesmente sabia que seríamos um do outro.

Dias foram passando e essa troca se intensificando, enquanto o namoro dele não ia bem e o namorado mal o respondia. Chegou ao ponto de eles conversarem e o parceiro resolver dizer que mudaria, mas no dia seguinte ele seguiu fazendo pouco caso desse cara incrível que conheci. Acompanhando tudo, invés de ficar feliz eu até fiquei chateado, ele merecia mais que aquilo e eu queria ser o melhor pra ele. Eu sabia que sou capaz de ser o melhor pra ele.

Quando ele me contou que o boy finalmente havia dito que não queria mais nada com ele, senti um alívio que ele veio a me confessar sentir  também. Estabelecemos um pré acordo, antes mesmo do primeiro encontro, de que já estávamos apenas um pelo outro. Medos? Tive, mas eu tinha também aquela certeza, que senti na primeira teclada, a certeza de que eu estava fazendo a coisa certa.

Dias depois, esperei apreensivamente por uma graninha entrar e finalmente ela caiu na conta e eu encarei as cinco horas de Porto Alegre a Tavares para ver ele e me doar àquilo que já me consumia, a paixão. Havia ainda um certo medinho da famosa “química” não rolar. Mas eu simplesmente guardei o medo no bolso e disse “bora que o que eu sinto não é pouco e isso precisa ser vivido plenamente”… E foi.

O primeiro abraço, na rodoviária, foi caloroso e cheio de ternura com uma pitada de desejo por mais. Queria tê-lo beijado ali mesmo, mas fomos resguardados e aguardamos chegar na casa dele. Fechando a porta e dado o primeiro beijo eu tive a certeza: ele veio pra mudar minha vida. E desde então é o que tem feito. A química é maior do que jamais sonhei ser. O beijo, o toque, o carinho, o olhar, o riso, as trocas, a doação, as carícias e o sexo, tudo é repleto  uma reciprocidade que nenhum homem em meus 33 anos jamais me deu.

Já me apaixonei e já senti que fui valorizado por uma paixão antes, mas na intensidade e doação que agora existe jamais houve. Ele é meu muso inspirador, ele é meu ombro amigo em dias ruins e somos causa do riso um do outro. Ele é meu calmante natural, pois percebi que quando estou com ele eu não fico a roer unhas e dedos, eu apenas relaxo e vivo o momento. Ele também é a melhor companhia pra qualquer rolê ou pra tomar uma taça de vinho enquanto contamos passagens de nossas vidas, boas ou ruins. Ele ri das minhas dancinhas e diz que eu danço bem, algo que não acredito mas acho uma delícia de ouvir, e me tira pra dançar no meio da sala ao som de MPB. Já somos lindos juntos sem fazer força, modéstia a parte.

Eu me desnudei pra ele como jamais o fiz antes. Contei medos, temores, traumas, micos e conquistas. Ele? Ah, ele foi tão transparente quanto eu e me deixou ainda mais encantado por tudo que ele é e ainda quer ser. Quando ele perguntou “onde tu esteve esse tempo todo?” de mim simplesmente saiu “eu estive tentando evoluir pra ser minha melhor versão pra ti”. E de fato eu creio fielmente nisso. Agora eu vivo suspirando e, embora a gente viva longe um do outro, sinto que tudo só cresce porque essa doação mútua é vivida diariamente em pequenos atos que aquecem o coração e trazem a segurança da reciprocidade.

Nos dias juntos descobri que ele superou muitas barras, passou muitas dificuldades ao longo de seus 25 anos e tornou-se um homem, que acho muito mais inteligente e maduro que eu, ue sou mais velho. Ele é um homem maduro, que sabe se reinventar e, mesmo passando por diversos perrengues, ele nunca perdeu a doçura e a leveza de seu lado criança, seu lado “pequeno príncipe”. Quando ele sorri tudo vira luz e todos sorriem de volta e quando ele faz graça todos se deixam levar pelo carisma incrível que ele trasmite a cada palavra. Quando ele olha nos meus olhos, apenas tenho a certeza de que tudo ao lado dele vale a pena e de que ele me vê por inteiro.

Então, agora ele é meu e eu sou dele e é isso. E nem se eu fosse o mais talentoso e inspirado dos poetas escreveria algo a altura do homem sensacional, guerreiro, maduro, carismático e inspirador que ele é. Mas ao menos nossa historia virou uma crônica, a primeira de muitas, obviamente, pra lembrar ele que ele é um capítulo novo em minha vida. E, desde dia 21, quando me disse sim, ele me faz sorrir sem ao menos precisar fazer piada.

Alef Leal, obrigado por existir e fazer toda a diferença. Te amo, meu pequeno príncipe (que é a tatuagem que carregas em ti e representa tua doçura, sensibilidade e olhar puro)!!!

Nota: me permiti ser um pouco cafona na montagem da imagem acima, pois todas manifestações possíveis de amor guardadas no íntimo do meu ser estavam guardadas pra ele. ♡