DIA “DAQUELES”? AUTO TERAPIA

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Tô vivendo uma série daqueles dias que nem a gente se suporta e chega até a dar dó de quem tem que suportar. Mas tenho vivido também pequenas insatisfações que justificam dias ruins. Nem sempre tô disposto a sanar essas pequenas insatisfações conversando sobre, daí eu apelo pro que chamo de “terapia alternativa”: meu caderninho do desabafo ou o caderninho da escrito terapia.

São tempos pesados. A grana tá pouca. A sanidade tá por um fio. E o afeto, em boa parte, fica comprometido pelos nervos a flor da pele ou fica só via telas, para quem se isolou sozinho. Na falta de oportunidade, pelo isolamento, ou condições, pela escassez de dinheiro, a gente tenta remediar-se como pode. E para mim, e muita gente, ler e escrever é sempre a melhor fuga ou reencontro consigo mesmo.

Sejamos honestos: nada se compara ao ombro amigo e, muito menos, à ajuda profissional. Tem dias que daria o que não tenho por 30 minutos de terapia. Mas na falta de possibilidade de ambos, bora escrever. Se expressar não é tão difícil e faz toda a diferença depois que terminamos o “ato do desabafo”.

Começo com algo básico, o problema. Então vou descrevendo as sensações, o desconforto. Busco na memória e nos sentimentos as possíveis causas. Depois me auto analiso e avalio se o problema não é algo que eu mesmo criei, uma paranoia minha. Se é o caso, eu tento me aconselhar, porque as respostas sempre estão em nós mesmos, em formas de solucionar isso. Se o problema for externo, aí está acima de mim e trabalho meu psicólogo pra aceitar isso.

É óbvio que tudo não termina depois desse ritual simples. Afinal, sou um ser humano e tenho complexidades e relutâncias com mudança, como qualquer pessoa. Mas a verdade é que, após identificar tudo a gente já assimila que tem de mudar e o que tem de mudar. Não me resolve a vida, confesso. Mas me abre os olhos. Agora licença que meu caderninho tá esperando pra mais uma terapiazinha.

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Iniciei, alguns dias atrás, um canal no youtube, o Momento LGBTQ. Assista ao 1º vídeo, se inscreva e saiba mais sobre no player abaixo:

ALGUÉM ME DESLIGA, POR FAVOR

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Tem vezes que meu cérebro não descansa e, nem mesmo dormindo 6h (meu limite aceitável) por dia, não sinto que depois do sono descansei. Sempre vou deitar pensando no que preciso fazer no dia seguinte. Por um lado é maravilhoso, sei que sou responsável e organizado, modéstia à parte, mas sei que isso me leva a um esgotamento anormal, sem contar no sentimento de insatisfação que eu sinto ao terminar um dia que deixei de fazer uma tarefa ou outra, mesmo sendo algo sem prioridade.

Começo meu dia quase sempre às 8h, isso agora no inverno (na primavera e verão é 6:30 ou 7h). Respondo e-mails, verifico o que tenho de job no dia e o que tem em sites de freelancers pra me inscrever e ter mais jobs, isso enquanto tomo café. Sim, eu não tomo café como parte de um processo do despertar, eu o faço já ligado em 220 volts. Depois disso, checo redes sociais e mensagens. Durante o período de promoção da pré-venda de meu primeiro livro, contatava meu editor todo dia de manhã (porque sou chato, admito). Depois de listar o que preciso fazer pro resto do dia (eu amo fazer listas de tarefas), dou uma pequena geral na casa, ouvindo podcast pra “otimizar meu tempo” consumindo conteúdo relevante.

Passo o almoço tentando relaxar mas já pensando no que precisa ser feito durante a tarde. Tenho dois projetos, mais cliente de social media que me tomam tempo em planejamento e criação de conteúdo. Sem contar os estudos de escrita, autonomia profissional, criação de conteúdo e demais leituras que dou um jeito de inserir na correria da semana.

À noite, após Alef ou eu fazer a janta, curtimos ver algum filme ou série. Como nem sempre temos tempo pra algo longo, pois quase sempre planejamos conteúdo pro dia seguinte (seja pra redes sociais ou algum job e isso nos toma tempo até umas 22 ou 23h), então optamos pelo youtube mesmo. Alef dorme antes de mim e eu fico até umas 2 ou 3h lendo, às vezes também aproveito esse tempo para escrever. Enfim, é tudo muito parado se for descrever, porém meus neurônios fritam. Eu sinto que devo estar sempre produzindo, tanto que revezamos um dia pra cada escolher o filme e eu sempre opto por algo que sei que pode me inspirar a trabalhar ou que posso indicar depois. Isso é meio insano, mas esse sou eu.

Acho que, assim como uma grande quantidade de gente, essa produtividade é uma tentativa excessiva de me ocupar diante de um momento em que estamos todos meio surtados. Me jogo em produzir e me sentir útil. Também, nesse período, tenho dito sim a todos os projetos que acredito serem bons pra mim e que creio dar conta. Sendo assim, quando termino algo e entrego um job já tenho algo na fila para que não fique ocioso.

Tem dias, em não são poucos, em que eu penso “alguém me desliga, por favor”. Só que eu sei que meu rendimento depende de mim e se ficar parado vou começar a noiar com as notícias da pandemia, a política nacional, as catástrofes naturais etc. E deixar minha mente seguir esse caminho seria algo totalmente paralizante pra mim, me conheço e sei disso. Então, sigo produzindo o máximo que posso, criando mil e um projetos, escrevendo horas por dia e dormindo o básico para enlouquecer feliz e de um jeito proveitoso.

Se tu és do time hiper produtividade e vive acelerado e é ok com isso, apenas seja feliz nesse ritmo. Agora se tu és dos mais relax ou da leva que ainda nem se habituou a qualquer tipo de ritmo ou rotina durante o isolamente, sinta-se bem também. Ninguém tem obrigação alguma de ser desta ou daquela maneira. A vida não tem uma cartilha de boa conduta ser seguida. Segue teu tempo e aproveita ele como tu podes. Bem, acho que por hoje chega. É domingo e vou sair desse notebook para relaxar como um ser humano normal, ou quase.

Ouça agora o novo episódio do meu podcast, Estante LGBT:

UM DIA NORMAL?

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Acordo, pouco depois das sete da manhã (mesmo tendo desligado as luzes às três da madrugada) e, após lavar rosto e escovar dentes, passo meu café. Tomo café checando e-mails, notificações de redes sociais e listando o que tenho pra fazer ao longo do dia. Geralmente um freela ou outro de texto pra instagram, lavar a louça, escrever o que postarei como divulgação do dia no instagram (pessoal ou do livro) e alguma coisa ou outra a mais. Mas não, isso não acontece todo dia. Afinal, não estamos em um momento normal, logo não há “dia normal”. Então, penso: o que é ter um dia normal?

Por mais que tentemos manter uma rotina e ter uma vida regrada, seja na base do que deveria ser o básico (home office, uma atividade física em casa, cozinhar e se entreter assistindo algum filme, série ou lendo), não há regra do que é ter um dia normal no período de isolamento. Ou há? A sociedade já criou até “cartilha” pra isso? Ou nosso maravilhoso (só que não) presidente já deu as regras do que a família tradicional brasileira faz em quarentena? Ah, não, lembrei que ele é contra o isolamento (ou contra a sobrevivência) em nosso país. Mas, enfim, deixe-me voltar ao meu reciocínio. Mesmo fora da quarentena, algum dia existiu um dia que pudéssemos chamar de “dia normal” na vida?

Muitas questões surgem neste momento e eu não serei a tábua de salvação de qualquer um que esteja tão confuso quanto eu. Afinal, dizer que tenho resposta para o que é considerado normal (seja lá qual for o pré-requisito para a tal normalidade imposta pela sociedade) seria uma farsa tão grande e comprometedora quanto recomendar cloroquinha em tratamento da COVID-19. O jeito é descrever aqui o que penso sobre e lá se vai mais um clichê, pois vivo deles: de perto ninguém é normal. Sendo assim, a vida de quem quer que seja não há de ser tomada como exemplo.

O ideal é aquilo que se adequa a teu ritmo e a forma que queres viver tua vida. Se teus horários são completamente avessos aos demais e, ainda assim, tu rendes e entrega teus trabalhos em dia e consegue manter tua sanidade com isso, esse é o teu normal. Se precisas ter tudo listado, agendado e cronometrado, assim é teu padrão de normalidade dentro de teus dias. Se consome mais série, mais livro, mais filme ou até desenho animado, e daí?!

No final das contas, o tal normal, de tão superestimado já é demodé. Anormal é apenas não ser quem se é, magoar alguém por querer ou não dar valor a vida em tempos em que ela está escassa e merece ser valorizada. Acho que vou finalizar com o que acredito ser um dia normal para mim: amar ao máximo e viver como posso e acho que devo. Tá aí meu dia normal.

LEMBRETE – Faltam CINCO DIAS pro fim da pré-venda de meu 1º livro,
Todo Amor Que Nunca Te Dei. São apenas cinco dias mais com desconto de 35% (DEZOITO REAIS).

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“DIARIE-SE”

Diário de Dawn Powell (datado de 1950). Fotografado em New York, 2012.

“Meu querido diário…” foi assim que tudo começou. Não, pera, eu nunca usei essa frase no início de minhas anotações em meus diários, que foi onde minha paixão por escrever começou. Só queria deixar esta crônica mais expressiva mesmo. Se bem que, a inspiração para ter diários veio dessa frase.

A frase “meu querido diário”, seguida de relatos sobre um dos dias na vida de uma personagem infantil era como começava um quadro do programa Pandorga, da TVE. Depois de assistir algumas várias vezes naquele programa o tal quadro onde uma boneca que escrevia em seu diário, me inspirei e peguei um caderno (com poucas folhas) já sem uso e disse pra minha mãe que faria dele um diário. Eu tinha apenas sete anos quando fiz isso e hoje não faço ideia do que eu registrei naquele caderninho.

Parei com o caderninho pouco tempo depois. Somente anos mais tarde, na adolescência, retomei o hábito. Dessa vez, creio eu, mais por necessidade do que qualquer outra coisa. Eu precisava “organizar” os altos e baixos da adolescência em minha cabeça. Escrevendo e relendo eu me encontrava comigo mesmo, fazia autoanálise sem ao menos saber o que era isso. Sempre me fez muito bem o hábito de escrever e, da adolecsência para cá, isso ganhou muita força e espaço em minha vida.

Claro que houveram períodos menos férteis na escrita de diários. Não apenas por não ter uma vida muito agitada, mas também por não me sentir capaz de registrar tudo o que sentia. Mas nesses tempos menos produtivos eu passei a anotar sobre minhas leituras. Sempre fui ddo tipo que lê bastante e já pesseei por diversos gêneros e autores. De Paulo Coelho a Eça de Queiroz, de autoajuda a literatura LGBT. Já flertei com os mais variados livros e, na maior parte das vezes, registrando tudo em caderninhos ou diários.

Hoje em dia uso meus “caderninhos” cada vez menos. Quando quero escrever sobre um livro recém lido, compartilho direto a experiênica em meu instagram, o que acho muito legal pois compartilho com outras pessoas uma possível dica de leitura. Geralmente apelo para os cadernos quando sem bateria no smartphone, quando escrevo algum poema (algo que faço de maneira risivél, mas me arrisco) ou ao criar planejamentos publicitários para clientes e escaletas para freelas. Mas ainda assim, analisando bem, o papel e a caneta jamais deixaram de fazer parte de minha vida e me sinto muito old school escrevendo sobre isso.

Se tivesse que dar uma única dica para quem quer começar a escrever, essa seria: diarie-se. Ou seja, comece pela autoescrita, escreva sobre você mesmo ou sobre livros que lê. Eu mesmo, usei trechos de diários para escrever boa parte de meu primeiro livro, Todo Amor Que Nunca Te Dei. Ah, e leia muito, pois só um bom leitor tem boa capacidade de raciocínio para ser um bom escritor e tanto ler quanto escrever são hábitos diários e que se aprimoram com o tempo. Ops, acho que acabei dando duas dicas, mas já tá valendo.

NEWS DE UMA SEMANA A MIL

Nem acredito que o fim de semana finalmente chegou. Até pouco tempo eu ansiava pela segunda-feira. Esta que se passou nessa semana, dia quatro de maio. Esse é um dia que ficará marcado para sempre na minha carreira como o dia da pré-venda de meu primero livro, Todo Amor Que Nunca Te Dei. E essa primeira semana ficará marcada como uma das mais intensas e cheias de notificações de smartphone da vida. Vou compartilhar aqui um pouco do tudo que rolou de segunda à sexta.

FINALMENTE “TODO AMOR QUE NUNCA TE DEI

Meia-noite e três de 04/05 já estava no ar minha primeira divulgação oficial sobre a pré-venda de meu primeiro livro, Todo Amor Que Nunca Te Dei. É, sem via de dúvidas, o momento mais especial, e fundamental, creio, eu, da minha carreira. É um divisor de águas. Não só por ser meu primeiro livro, mas por etar compartilhando nele algo 110% real. Fui o mais honesto e transparente que pude nas páginas desta obra que relata onze anos frustrados de um relacionamento de amor unilateral, onde amei sozinho uma pessoa não resolvida com sua sexualidade e que, por saber que minha tinha a hora que quisesse, fez de mim um prisioneiro “sentimental”. Espero, de verdade, que gostem desta experiência compartilhada que pode ser adquirida no link abaixo:

editoraflyve.com/todo-amor-que-nunca-te-dei

PLAYLIST “TODO AMOR QUE NUNCA TE DEI”

Para embalar a leitura do livro, preparei uma playlist com músicas citadas ao longo da narrativa, somadas a músicas que foram importante durante o período em que os fatos descritos ocorreram e músicas que fazem sentido com o que consta nas páginas. Muito mais do que uma playlist, fiz um apanhado de experiências resumidas em seleção de música, que, embora de ritmos que não se conectam, dialogam entre si para enriquecer os altos e baixos da história.

GAY BLOG BR

Arte by gay blog br

O primeiro veículo de notícias que reportou o lançamento de Todo Amor Que Nunca Te Dei foi o Gay Blog Br, do queridíssimo Vinicius Yamada. O site traz uma matéria super bem redigida, repleta te trechos do livro, com link pra compra e um pouco sobre este escritor que tanto vos escreve. Fica a dica de leitura no link abaixo:

gay.blog.br/cultura/literatura/pre-venda-do-livro-todo-amor-que-nunca-te-dei-comeca-nesta-semana/

SITE ALGUÉM AVISA

O portal de notícias com pauta LGBTQIA+ daqui do Rio Grande do Sul, Alguém Avisa, fez um post super completo com minha trajetória profissional. A matéria conta tudo desde primórdios do blog Monologay (em 2009), até o lançamento do meu primeiro livro, incluindo link pra adquiri-lo. Vale o clique no link abaixo:

alguemavisa.com.br/2020/05/06/escritor-gaucho-lanca-o-romance-todo-amor-que-eu-nunca-te-dei

PODCAST SOBRE REJEIÇÃO

O podcast Alô Terráqueo, meu excelentíssimo namorado, Alef Leal, e que tenho participado toda semana por motivos de quarentena, esta semana traz um episódio sobre rejeição. No episódio “Ai Gabi, só quem viveu sabe”, aproveitei o tema para contar um pouco sobre livro. Mas o episódio está repleto de outros pontos relevantes quanto ao tema. Clica pra ouvir que tá ótimo.

ERIC ENTREVISTA

Meu amigo de longa data, Eric Batista, me entrevistou para um novo quadro de seu canal no youtube, o ERIC ENTREVISTA. Falei sobre o livro, sobre o início da carreira, literatura e representatividade LGBTQIA+ e novos projetos. Tá super legal, assite aí.

Este é meu resumão da semana. Espero que a próxima semana seja tão cheia de boas novas quanto esta. Abraços a todos e ótimo final de semana.

TODO AMOR QUE AGORA COMPARTILHAREI

Não acredito que um artista se compare a uma mãe, e sua sensação de colocar ao mundo um filho, quando este gera uma criação e a compartilha, como alguns dizem. Não creio que o milagre do nascimento possa ser comparado com o que quer que seja, pois é grandioso demais. Mas, também, não acredito que se deva desmerecer o quão conectado com a divindade está aquele que põe pra fora sua arte após gerá-la.

A reflexão acerca da dádiva da criação vem acompanhada de medo, borboletas no estômago e com receios de um possível fracasso. Mas, também, vem acompanhado de algo muito maior: o orgulho de ter feito de um trauma uma obra de arte.

Embora, para alguns, minha narrativa, que vem de relatos somados a diários que tornaram-se meu primeiro livro, “Todo Amor Que Nunca Te Dei”, seja passível de questionamento quanto a seu teor literário, sei que o que criei é arte. Usei da linguagem para expressar meu inferno pessoal vivido em onze anos de relação com alguém sexualmente mal resolvido. Fiz das palavras minha âncora para desafundar do que por muito tempo me soterrou.

Eu sabia que, cedo ou tarde, eu teria um livro publicado. O sonho não é de hoje. Em 2009, quando iniciei a primeira versão deste blog, já almejava tornar meu “amontoado” de pensamentos em forma de posts, que descobri serem crônicas, um livro, físico ou digital. Mas jamais imaginei que antes disso acontecer teria um livro ainda mais confessional do que o material que já produzia através das publicações de crônicas.

Ter meu primeiro livro saindo às 00:01 dessa segunda-feira para pré-venda pela Editora FLYVE é muito mais do que o realizar de um sonho de sentir-me realmente um escritor por ter uma obra impressa. É um verdadeiro exorcismo compartilhado com quem aceitar recebê-lo, dado o caráter confessional que o livro imprime.

Me realizo duplamente com este lançamento. Me liberto de anos de dor, compartilhando e me desnudando de um passado um tanto quanto assombroso e me vejo, finalmente, como alguém que alcançou uma meta traçada há anos e agora está pronto para compartilhar sua primeira obra literária com todos. Além de meu primeiro livro, quem adquirir “Todo Amor Que Nunca Te Dei” estará adquirindo uma reflexão sobre recuperar o amor próprio e sobre saber retirar-se quando não se é mais servido.

Abaixo deixo o link do site da editora para que possas adquirir o teu, que tem mais de 35% (menos 18 reais do valor total) de desconto nesse primeiro mês:

https://www.editoraflyve.com/todo-amor-que-nunca-te-dei

O VALOR DA PERDA

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Há alguns dias, semana passada, perdemos dois grandes nomes da cultura nacional, Moraes Moreira e Rubem Fonseca. O primeiro, músico, marcou, e ainda marca, a vida de todos os apreciadores de MPB com sua banda, os Novos Baianos. O segundo foi escritor multipremiado por algumas de suas obras como Agosto e O Seminarista. O que ambos têm em comum? Deixam um legado na história cultural brasileira. Mais do que isso, movimentam, agora que nos deixaram, mais pessoas a conhecer e consumir suas obras.

Não é nova a máxima “só se valoriza depois da perda”, assim é para tantas coisas na vida. Emprego, relacionamento, parente, amigo, tudo pode estar lá, “parado” e estamos bem se lembrarmos que o temos e podemos seguir nossas vidas. Mas, no momento em que nos vimos sem um “bem”, somos afetados de tal maneira que, na maior parte dos casos, nossa primeira reação é valorizar tudo que foi vivido enquanto aquilo ainda nos pertencia.

Não, isso não é condenável, é humano. Não posso simplesmente dizer que viver esse luto alimentando a preciosidade do quanto nos foi especial em vida é um erro. Alías, creio eu, é muito bonito e saudável que revisitemos o melhor e somente isso daquilo que ou de quem se foi. Deixemos para trás toda mágoa ou sentimento ruim e tenhamos uma visão voltada para o quanto aquela experiência nos enriqueceu.

Quem me conhece sabe bem que minha escritora favorita, e maior inspiração, é a saudosa Fernanda Young. Quando, em 25 de agosto de 2019, Fernanda Young nos deixou, dois dias após ter me dado a alegria de me seguir no instagram, muita gente relembrou quem ela é (sim, no presente pois ela sempre será). Consequentemente muita gente passou a querer mais de sua vasta obra literária. Eu mesmo, busquei muito mais assistir as séries as quais ela foi roteirista. Até me assustei com um livro que comprei por R$ 59,90, no mês de lançamento, que passou a custar R$ 249,40. Esse aumento de procura me chateou? Não, como fã eu gosto muito que mais gente queira ler o que leio e admiro. O único ponto triste foi Fernanda receber seu primeiro prêmio literário, o Prêmio Jabuti de Crônica, apenas após sua partida. Nos provando que só se valoriza após a perda. A artista levou com ela a tristeza de, mesmo com muitos livros públicados em mais de vinte anos de carreira, nunca ter sido reconhecida pelo alto escalão da literatura, dor que ela já havia citado em algumas entrevistas.

O que deve ser refletido em momentos como este, observando atentamente, é que devemos valorizar tudo que nos é precioso enquanto podemos. Se tu curtes um artista (músico, escritor, banda, ator) compartilhe seu conteúdo, comente em seus posts, principalmente se for alguém do meio independente. Não deixe pra depois, também, valorizar teu trabalho e dar teu melhor todos os dias para que tenhas destaque. Em meio a esse caos todo, nunca se sabe quando o fim chega. Aquele amigo que tu adoras, mas nunca tinha tempo para conversar decentemente pode ser chamado em vídeo ou áudio nesse período de isolamento. E, principalmente, se tens pais e avós vivos, lembre-os com mais frequência de seu valor e o quanto os ama.

A vida é curta e estamos todos ocupados correndo atrás de pôr nossa vida em ordem, eu sei. Mas aquele comentário na foto de alguém com palavras positivas e motivadoras, o “algo a mais” no trabalho, a chamada de vídeo finalizada com “te cuida, fica em casa, eu te amo” ou qualquer ato que tu possas ter, que saibas que valoriza algo ou alguém, não deve ser deixado para amanhã. “Porque se você parar pra pensar, na verdade não há…” já cantava o poeta.

VIVA A RESSURREIÇÃO

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Hoje, domingo de Páscoa, feriado tradicionalmente cristão, algo que não sou, a maior parte da população celebra o renascimento de Cristo. Isso só me lembra uma coisa que aprendi com os ensinamentos cristãos que me foram passados na minha infância: todos renascemos inúmeras vezes ao longo da vida.

Renascimentos se dão diariamente e após períodos específicos da vida, isso nos torna mais fortes e sábios, Se tu venceste uma doença difícil, tu renasceste. Se tiveste um período de crise financeira e saiu dessa, pois é, amigo, tu nasceste novamente. Se tiveste problemas com depressão, ou ainda tens e luta contra isso, tu renasceste e renasces todos os dias ao acordar e manter-se firme e forte. Se tu és uma mãe solo e luta pela sobrevivência de tua família, tu, além de uma guerreira, és uma pessoa que renasce a cada sacrifício. Se tu és negro e sofre na pele o racismo que o Brasil carrega de quatrocentos anos de escravidão, tu sempre serás uma fênix, de tanto que renasces. Se tu és LGBTQIA+, em nosso país, que é o de maior índice de mortandade por crimes de LGBTfobia, tu renasces toda vez que chegas com vida em casa, seja grato.

Ao longo de uma vida a gente enfrenta tanta coisa. É tanto cair e levantar, tanta apunhalada da vida, que nos faz sangrar e definhar, por vezes por dias, pra sofrermos com a morte de quem éramos e nos tornarmos uma versão melhor e superior disso. Isso nos torna seres que morrem e renascem quantas vezes necessárias em uma mesma existência.

Que a data de hoje sirva pra nos lembrar disso. Lembremos que somos altamente capazes de superar nossas mortes nos tombos, falhas, fracassos e lições da vida. E que encaremos cada desafio superado como um renascimento. Afinal, cada um sabe a cruz que carrega por ser quem se é.

Lembremos também que, embora estejamos vivendo um período de introspeção, onde nos isolamos socialmente e nos afastamos de quem amamos por um motivo nobre, de mantermos nossos corpos saudáveis e vivos, ao término disso todos renasceremos com os aprendizados deste período. Enfim, que viva o renascimento de cada um de nós, toda a vez que a vida nos cobrar morrer e renascer.

CASADOS PELA QUARENTENA

Ele & eu ♡

Sempre sonhei em me casar com uma pessoa sensacional. Alguém que me inspira, que me motiva diariamente e que me move a ser uma versão melhorada de mim mesmo. Viver um relacionamento assim, cheio de amor, motivação e reciprocidade parecia algo distante até o início de fevereiro, quando tudo começou. O que eu não tinha ideia, nem em meus sonhos mais distantes, é que a vida me faria ter tão cedo uma “vida de casado”, com essa pessoa tão especial.

A ideia inicial era aproveitar as duas semanas de isolamento social, período que a escola estadual onde ele trabalha estabeleceu inicialmente como o tempo de quarentena. Acontece que, aos poucos, como bem sabemos, as coisas foram tomando proporções maiores e a situação do COVID-19 foi ficando mais alarmante e o tempo de quarentena foi prorrogado pelo governador do estado, seguindo orientações da OMS.

É claro que, no início, nada parecia ruim. Acordar juntos todos os dias, estimular um ao outro em seus trabalhos, nas tarefas domésticas e em tudo mais que a vida a dois envolvia foi algo empolgante desde o começo do “confinamento”. Para a gente, que mora longe e fica muito tempo sem se ver, não seria sacrifício algum encarar mais tempo juntos se aventurando em nos conhecermos mais e nos doarmos mais ao nosso relacionamento, que em tão pouco tempo já se mostrou extremamente intenso da melhor forma para ambos.

Muito mais nus do que quando compartilhamos o banho ou a cama, a quarentena nos mostrou um para o outro como somos diante do bom e do ruim que surge no dia a dia, diante das dificuldades, diante das alegrias e diante de nossas próprias imperfeições, que ficam a cada dia mais explícitas. E, acreditem ou não, não tem sido difícil como eu achei que seria. Temos dias ruins, é óbvio, mas os momentos bons são infinitamente maiores e mais proveitosos que pequenos momentos que parecem mais difíceis.

Criamos uma espécia de barreira, um limite pessoal que estabelecemos para aqueles dias em que não acordamos cem por cento ou aqueles momentos em que estamos irritados por algo relacionado a trabalho. Exemplo: quando ele tem uma situação difícil e que está se demorando a resolver no trabalho ou quando eu não consigo ter um bom rendimento na escrita de meu trabalho atual (meu próximo livro), não ficamos bajulando o outro com mensagens chatas de “vai ficar tudo bem”. Apenas deixamos aquele momento de frustração ser vivido e respeitamos o tempo um do outro de lidar com aquilo. Essa individualidade foi algo que conversamos sobre, e que acreditamos ser a base de um relacionamento, desde nossa primeira teclada no Instagram.

Assim, temos passado dias tentando estabelecer uma rotina, algo que é um desafio maior do que conviver um com o outro. Outro ponto muito positivo é que ainda temos o tempo “sozinho” pra fazermos o que gostamos. Não são raras as vezes em que estou no home office trabalhando e ele está no quarto assistindo vídeos no smartphone ou fazendo qualquer coisa que ele gosta de fazer. Também é muito comum enquanto ele trabalha enviando as aulas, pela manhã, eu estar no quarto lendo ou ouvindo meus podcasts favoritos (um vício nesta quarentena). Tem também a madrugada, período em que ele dorme o sono dos justos enquanto assisto entrevistas, leio ou faço aulas de escrita.

Pois é, por mais assustador que estar “repentinamente casado” seja, creio que estamos vivendo dias maravilhosos e que, possivelmente, seriam preocupantes de se viver separadamente. Sei que é um privilégio estar com meu namorado nesse período, tanto quanto é um privilégio poder estar em isolamento social. Mas me sinto realizado, casado e bem amparado por mais assustador e tenso que este confinamento forçado esteja sendo para todos. Gratidão define e amor também.

  • Nota do namorado do editor: O ALEF É LINDO! ♥

NOVIDADES? TEMOS!!!

Muitos já sabem de minhas novidades por me acompanhar em facebook e instagram, mas como aqui tem muita gente que acessa e não me segue nas redes, sinto a necessidade de compartilhar as boas novas e o farei por meio deste post.

PARTICIPAÇÃO NO PODCAST ALÔ TERRÁQUEO

Para começar, trago minha humilde participação no podcast do meu namorado Alef Leal. Participei no primeiríssimo episódio, NEM TUDO NA VIDA ADULTA É SUCESSO, onde o assunto é os perrengues da vida adulta e como lidamos com eles. Modéstia a parte, o episódio ficou bem divertido e vale a pena dar o play. Segue abaixo o player.

E-BOOK MONOLOGAY

Ainda sem data definida por motivos do andamento das coisas devido ao corona vairus (leia imitando a Crdi B, por favor), o e-book coletânea de crônicas do Monologay, com material que vai de 2009 (quando comecei o blog) a 2019, está preveisto para estar na Amazon Store até o fim de abril. Tenhamos fé e paciêcia que eu consiga fazê-lo o mais brove possível. Óbvio que farei post de divulgação aqui, mas já fica pré avisado que ele está chegando e não foi esquecido (pois lembro de já ter mencionado ele aqui).

A PRÉ VENDA DE MEU 1º LIVRO, TODO AMOR QUE NUNCA TE DEI, SE APROXIMA

Para quem ainda não sabe, o que acho meio difícil pois eu já mencionei em uns três ou quatro posts aqui, meu primeiro livro está chegando e sua pré venda começa em quatro de maio pela Editora FLYVE. Sim, pouco mais de trinta dias. Se eu estou ansioso? Estou mega, hiper, uber ansioso e nervoso, do tipo co dor de barriga só de pensar. Mas mantenho a calma e já estou produzindo material de divulgação, leia-se vídeos, posts para redes sociais e afins. Então, para começar a tranbalhar mais na divulgação e imagem do livro, citando trechos e postando frases que vão de acordo com a mensagem da obra, eis aqui o post do instagram do livro TODO AMOR QUE NUNCA TE DEI com a capa e na legenda a premissa da obra. Espero que curtam, sigam e acompanhem o trabalho de divulgação que foi planejado com muito cuidado e dedicação.

DICAS DE ESCRITA NO INSTAGRAM

Retomei meus IGTVs com dicas de escrita, criatividade, foco e afins. Já tinha quatro vídeos deste tipo de abordagem postados no Instagram antes e, como alguns amigos e seguidores me motivaram a retomar esse conteúdo, postei recentemente o vídeo abaixo.

OS PECADOS DE BERNARDO

Assim que terminei TODO AMOR QUE NUNCA TE DEI eu já dei início ao meu próximo projeto literário, o romance LGBTQIA+, OS PECADOS DE BERMARDO. Ainda não darei muitos detalhes do livro, mas posso adiantar de antemão que tenho previsão de lançamento para outubro deste ano, também pela Editora FLYVE.

Enfim, essas são as minhas novidades até o momento. Fiquem ligados nas redes sociais, pois a qualquer momento surge mais alguma coisa. O mês de abril ainda promete possíveis novidades e bons conteúdos digitais.