COMO COMEÇA UM BOM DIA?

Para algumas pessoas o dia só começa bem se for um dia de folga. Para outras só começa após um banho. Há quem precise de trinta minutos mínimos de silêncio total até “a alma voltar para o corpo”. Eu, faço uma mistura de pequenos prazeres. E isso inclui trabalhar.

Começo pelo despertar real, que só ocorre após uma caneca de café extra forte. Olho superficialmente as redes sociais. Para acompanhar o momento “despertando com café”, acendo um incenso e leio uma crônica da Martha Medeiros ou o trecho de algum livro que esteja me prendendo. São tempos difíceis de se concentrar, mas sigo tentando.

Após esse tempinho de lazer e prazer, é hora de checar e-mails. Nos últimos dias tenho demandas de escrita (tanto para sites quanto para redes sociais) com mais frequência. Depois disso eu parto para a agenda (de papel mesmo) e vejo minhas prioridades. Isso me motiva. Em dias em que acordo e não tenho um trabalho, sinto que tenho de cavocar em mim outras formas de me sentir vivo. Mas acho, mesmo, que só me sinto vivendo quando em atividade de criação. Tanto que não passo um dia sem escrever.

Acredito mesmo naquele papo clichê de “é a gente que escolhe se terá um bom dia”. Afinal, um bom dia é aquele em que a gente consegue administrar bem e equilibrar ofício e prazer. E, por mais corrido que um dia seja, sempre há espaço para uns quinze ou trinta minutos de lazer ou prazer.

E para ti, como começa um bom dia?

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A VIDA PELA JANELA

Imagem da janela da sala.

Da janela da sala, enquanto executo meus trabalhos, dou uma escapada de meu dia para adentrar em um mundo desconhecido e por vezes fascinante, a vizinhança. Nada demais acontece na maior parte do tempo, mas já é o suficiente para que eu saia da minha realidade e visite possíveis realidades de quem transita pela rua que minha vista enxerga pelo vidro.

Nem sempre os rostos que vejo são os mesmos. Nem sempre quem transita mora perto. E, quase sempre, o que vejo é algo completamente comum ao dia a dia, se não fosse por minha mente criativa. Minha mente cria histórias para as pessoas que passam, param para conversar entre si, andam de bicicleta com expressão de realização no passeio ou estacionam o carro para ir até o mercado ou a papelaria bem próximos daqui. Tudo é muito comum, mas meu eu criativo insiste em criar “um porquê” alternativo destas cenas acontecerem.

Um carro que para e aguarda por dois minutos, que parecem uma eternidade, e de repente chega um jovem, entra e o carro arranca. Existem muitas possibilidades ali. Pode ser que seja um pai que esperou seu filho vir do mercado ou da papelaria da esquina. Também pode ser que o jovem seja um sobrinho que veio de outra cidade, desceu na rodoviária, que também é muito próxima, e encontrou o familiar para passar o final de semana em sua casa. Talvez o moço seja o namorado do homem no carro, talvez o amante que mantém relacionamento escondido da mulher e, por isso, encontraram-se em uma esquina não tão evidente, mas próxima de tudo. Muita coisa pode ser.

O fato é que todo dia a gente pode observar pessoas e suas vidas, seus trajetos e trejeitos e criar variadas histórias para que possamos sair do tédio habitual de estarmos confinados. O que importa é que muito se aprende observando, sem julgamento, e criando motivos de ser e estar das situações mais banais a situações inusitadas. A vida segue e cada pessoa que transita pela rua nem imagina que criei uma vida diferente para ela. Agora vou digitar o ponto final, pois já me distraí o suficiente nesses vinte minutos em que escrevo e observo a vida pela janela.

TEM DIAS QUE A GENTE TRANSBORDA

Gratidão 💟

Esta terça-feira foi um dia diferente, muito além de qualquer outro dia ou expectativa criada para um dia que já começa com o selo de dia comum, a terça-feira. Mas a vida é um clichezão, ou seja, uma bela caixinha de surpresas.

Comecei meu dia com saudade de amigos, família, vó, mãe, irmãos, primas, tudo e todos pareciam vir em minha memória fazendo parte de uma leve pontada de tristeza que me deixou de mau humor. O clima frio e chuvoso também não ajuda muito a gente a olhar as coisas pelo lado positivo de que estou em isolamento. Posso me dar ao luxo de estar em isolamento. Além disso, estou ao lado de um homem que amo e me ama. Enfim, sou privilegiado, sei disso, porém isso não me isenta de momenos de tristeza ou dor.

Então, me permiti olhar pra minha tristeza com carinho. Me permiti apenas viver meu dia ruim. Escrevi um pouco logo após o almoço. Escrevi num caderninho, que tenho sem pretensões de publicar os textos ali registrados (meu caderno de escrito terapia), aquilo que me incomodava, meu descontentamento comigo mesmo por me sentir mal. Em instantes lotei uma folha e me resolvi um pouco com meus sentimentos. Foi libertador, como a escrita me é desde a adolescência.

Pouco depois peguei no sono. Um sono leve, que não durou muito. Após acordar, segui meu dia. Me senti menos pior, porém ainda sentia o dia arrastado e a sensação de que não era meu melhor momento e isso era tudo. Tudo que eu tinha e que eu podia ter até então.

Algumas horas se passaram com algumas distrações. Páginas de livros, vídeos no youtube, café, sanduíche, nada que buscasse me trazer uma nova emoção. Já estava entregue a esse dia sem surpresas. Mas a vida tem dessas de fazer o mundo girar e nossa energia mudar com uma boa nova. Então, no instagram, fui marcado numa foto nova da editora Flyve, responsável pela publicação de meu 1° livro, Todo Amor Que Nunca Te Dei. Essa foto fez toda diferença em minha vida e o que ela comunicou faz toda a diferença em minha carreira.

Em uma arte simples temos a capa de meu livro e uma faixa vermelha com o comunicado que diz que o livro digital ultrapassou 1500 downloads na Amazon. Mil e quinhentos é um número muito significativo para um novo autor. Nosso país é um país de poucos leitores. Um livro com boa tiragem inicial tem de três a cinco mil cópias. Ter alcançado esse número e ver meu livro na trigésima posição da categoria Romance Gay, foi além de toda e qualquer expectativa.

Transbordei. Transbordei realização. Transbordei a alegria de ver bons frutos de minha dedicação como escritor e produtor de conteúdo LGBTQ+. Também transbordei porque sei que devo isso a uma linda rede de apoio da comunidade LGBTQ, que vai além dos shades e visões negativas as quais às vezes nos apegamos e ficamos com um pé atrás. Então, percebi que transbordava de ser quem sou e do apoio de gente que luta todo dia pra ser quem é sem medo.

Gratidão a todos que transbordam isso juntxs.

Ouça agora o novo episódio do meu podcast, Estante LGBT:

CLICHÊS E MAIS CLICHÊS

Imagem via Google

Ah, o clichê… pausa dramática, suspiros. Muita gente passa a vida  tentando fugir  dos clichês. Parece muito mais atraente o território do desconhecido, principalmente nas gerações mais recentes, onde as pessoas querem o novo com força de vontade como se mudanças fossem o ar que respiramos.

Clichês ditos com freqüência como ‘’fechar com chave de ouro’’, ‘’agradar gregos e troianos’’, ‘’do Oiapoque ao Chuí’’, ‘’bater na mesma tecla’’, ‘’pensar com seus botões’’, ‘’pergunta que não quer calar’’ e muitas outras máximas são tidas como demônios dentro do universo literário e renomados escritores optam por passar bem longe deles em sua escrita. Eu ouso ir na contramão ao encarar essas ‘frases de efeito’ como aliadas para fácil compreensão ou dar enfase a algo em especial em meu texto.

Já no cinema temos cenas já ‘’batidas’’ como ‘’casamento interrompido’’, ‘’chuva em momento de tristeza’’, ‘’bomba desarmada no último segundo’’, ‘’beijo depois da briga’’ e diversas outras situações holywoodianas que já nos causaram cansaço, mas ainda lotam salas de cinema e aumentam views em plataformas de stream.

O que precisamos nos lembrar diariamente, quando estamos a todo custo tentando evitar que nosso cotidiano seja parte de algum clichê, é que a vida é o mais puro clichê. ‘’Nada como um dia após o outro’’, ‘’se cair, do chão não vai passar’’ e ‘’levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima’’ são clichês que a vida nos faz relembrar com frequência considerável. Afinal tudo passa, de tudo se aprende algo e dos clichês temos ótimas sabedorias.

Celebremos então todo e qualquer inevitável clichê. Não sei você, mas eu sou grato a vida, por ser esse reconfortante clichê.

SOMOS FASES E INFLUÊNCIAS

Imagem via Freepik

É incontestável que todos somos regidos por fases nessa longa estrada da vida. Tal qual a lua, que também tem alta influência em nossas vidas, mudamos, crescemos, minguamos e vamos acrescentando ”bagagem” ao longo dos anos. Essa bagagem nos torna quem somos e muito dela vem de influências que absorvemos desde a infância.

Quando criança era eu me espelhava em minha mãe, basicamente era só ela a figura de ser humano que eu via com brilho nos olhos. Ah, teve também a Xuxa que, quem me conhece sabe, era uma ídola e eu sempre dizia ”eu sou a Xuxa” na hora de brincar. Bem coisa de criança viada mesmo, mas creio que a imagem calorosa, positiva e enérgica da Xuxa me deu uma base inspiracional que me fez ter uma infância melhor. Eu fui muito solar e radiante nessa fase da vida.

Na adolescência fui muito perdido. Me encontrava e me perdia com muita frequência em meio a referencias que começavam na música, como Spice Girls, Sandy e Júnior, Alanis Morissette, Madonna e até Marylin Manson. Na literatura era Paulo Coelho que eu lia e relia diversas vezes e me fez ter um encontro com o lado espiritual e o paganismo, que está adormecido em mim hoje, mas ainda vejo como a única crença viável para minha existência. Eu era mais obscuro e fechado, embora muito sentimental, desde sempre, eu tinha uma concha e parecia que ninguém jamais penetraria na camada mais profunda do meu eu.

Na vida adulta eu me tornei chato pra cacete. Quem me conhece sabe que me tornei muito aberto a coisas novas, novas influencias e gostos. Mas também tenho um senso critico, talvez oriundo de meu virginianismo, que me leva a não experimentar coisas sem que não tenha o mínimo de identificação. Há um certo pré conceito em relação a quase tudo, que precisa ser quebrado. Mas passei a absorver boas influencias de cinema, principalmente nacional e os filmes de Almodóvar. Na música eu flertei com David Bowie, Marisa Monte, Caetano Veloso, Bob Dylan e outros nomes maravilhosos. Já na literatura passei a me aventurar entre cronicas, romances LGBTQ e biografias. Minha fase adulta trouxe um equilíbrio maior entre meu lado solar e o obscuro e consegui abraçar bem ambos.

Atualmente tenho tentado sair da zona de conforto das referencias que já me são comuns, como os acima citados. Sorte a minha que tenho um namorado que me manda coisas muito diferentes e que parece ter o tino certo de me mostrar algo que eu curta sempre que trás algo novo via whatapp. Outra coisa que gosto é procurar autores ou blogueiros novos, experimentar tem sido algo interessante na minha atual fase de vida. Esse frescor pelo novo que sinto quase que diariamente, me faz enxergar a vida de maneira muito solar e me parece quase que um reencontro com a infância, onde eu era eu sem medo. Sinto que atualmente além de solar, eu sou simplesmente transparente comigo e com o mundo, mostrando por completo quem sou e a que eu vim.

Mas, resumidamente, eu sempre serei fruto da influência de mitos de minha geração, como Madonna, David Bowie, Andy Warhol, Paulo Coelho, desfaz essa cara feia porque eu gosto SIM, e a saudosa Fernanda Young, ou seja, um mutante que em suas mutações vai apreendendo a aprimorar suas melhores técnicas de sobrevivência.

SOBRE O PEQUENO PRÍNCIPE

Em dois de fevereiro, por volta das 21h, ele curtiu uma foto minha no instagram por causa de uma hashtag. Curti algumas dele de volta e recebi mais umas curtidas em fotos, até que eu respondi a um story dele com “so cute” (tão fofo). Começamos a teclar a partir dali e, embora talvez nem eu acredite nesse tipo de coisa, eu já sabia que tudo estava acontecendo pra ele ser meu.

Horas passaram-se, trocamos número de  whatsapp e ele começou a mandar áudios, aquela voz grave dele mexe comigo. Trocamos playlists do spotify e riamos muito de figurinhas e memes que pareciam vir de uma pessoa que já conhecia a outra de muitos anos. Não creio em vidas passadas, mas o que sinto é que por muito tempo eu enviei ao Universo minha energia chamando pela vibração dele e fui atendido.

Embora tudo fosse mágico, ainda havia algo que me deixava com o pé atrás: ele tinha um namorado. Porém, invés de me desesperar eu apenas deixei tudo fluir pois a certeza de que iríamos ficar juntos era algo que simplesmente me preenchia e fazia eu ver tudo com leveza. Não me importava o tempo que teria de esperar, eu simplesmente sabia que seríamos um do outro.

Dias foram passando e essa troca se intensificando, enquanto o namoro dele não ia bem e o namorado mal o respondia. Chegou ao ponto de eles conversarem e o parceiro resolver dizer que mudaria, mas no dia seguinte ele seguiu fazendo pouco caso desse cara incrível que conheci. Acompanhando tudo, invés de ficar feliz eu até fiquei chateado, ele merecia mais que aquilo e eu queria ser o melhor pra ele. Eu sabia que sou capaz de ser o melhor pra ele.

Quando ele me contou que o boy finalmente havia dito que não queria mais nada com ele, senti um alívio que ele veio a me confessar sentir  também. Estabelecemos um pré acordo, antes mesmo do primeiro encontro, de que já estávamos apenas um pelo outro. Medos? Tive, mas eu tinha também aquela certeza, que senti na primeira teclada, a certeza de que eu estava fazendo a coisa certa.

Dias depois, esperei apreensivamente por uma graninha entrar e finalmente ela caiu na conta e eu encarei as cinco horas de Porto Alegre a Tavares para ver ele e me doar àquilo que já me consumia, a paixão. Havia ainda um certo medinho da famosa “química” não rolar. Mas eu simplesmente guardei o medo no bolso e disse “bora que o que eu sinto não é pouco e isso precisa ser vivido plenamente”… E foi.

O primeiro abraço, na rodoviária, foi caloroso e cheio de ternura com uma pitada de desejo por mais. Queria tê-lo beijado ali mesmo, mas fomos resguardados e aguardamos chegar na casa dele. Fechando a porta e dado o primeiro beijo eu tive a certeza: ele veio pra mudar minha vida. E desde então é o que tem feito. A química é maior do que jamais sonhei ser. O beijo, o toque, o carinho, o olhar, o riso, as trocas, a doação, as carícias e o sexo, tudo é repleto  uma reciprocidade que nenhum homem em meus 33 anos jamais me deu.

Já me apaixonei e já senti que fui valorizado por uma paixão antes, mas na intensidade e doação que agora existe jamais houve. Ele é meu muso inspirador, ele é meu ombro amigo em dias ruins e somos causa do riso um do outro. Ele é meu calmante natural, pois percebi que quando estou com ele eu não fico a roer unhas e dedos, eu apenas relaxo e vivo o momento. Ele também é a melhor companhia pra qualquer rolê ou pra tomar uma taça de vinho enquanto contamos passagens de nossas vidas, boas ou ruins. Ele ri das minhas dancinhas e diz que eu danço bem, algo que não acredito mas acho uma delícia de ouvir, e me tira pra dançar no meio da sala ao som de MPB. Já somos lindos juntos sem fazer força, modéstia a parte.

Eu me desnudei pra ele como jamais o fiz antes. Contei medos, temores, traumas, micos e conquistas. Ele? Ah, ele foi tão transparente quanto eu e me deixou ainda mais encantado por tudo que ele é e ainda quer ser. Quando ele perguntou “onde tu esteve esse tempo todo?” de mim simplesmente saiu “eu estive tentando evoluir pra ser minha melhor versão pra ti”. E de fato eu creio fielmente nisso. Agora eu vivo suspirando e, embora a gente viva longe um do outro, sinto que tudo só cresce porque essa doação mútua é vivida diariamente em pequenos atos que aquecem o coração e trazem a segurança da reciprocidade.

Nos dias juntos descobri que ele superou muitas barras, passou muitas dificuldades ao longo de seus 25 anos e tornou-se um homem, que acho muito mais inteligente e maduro que eu, ue sou mais velho. Ele é um homem maduro, que sabe se reinventar e, mesmo passando por diversos perrengues, ele nunca perdeu a doçura e a leveza de seu lado criança, seu lado “pequeno príncipe”. Quando ele sorri tudo vira luz e todos sorriem de volta e quando ele faz graça todos se deixam levar pelo carisma incrível que ele trasmite a cada palavra. Quando ele olha nos meus olhos, apenas tenho a certeza de que tudo ao lado dele vale a pena e de que ele me vê por inteiro.

Então, agora ele é meu e eu sou dele e é isso. E nem se eu fosse o mais talentoso e inspirado dos poetas escreveria algo a altura do homem sensacional, guerreiro, maduro, carismático e inspirador que ele é. Mas ao menos nossa historia virou uma crônica, a primeira de muitas, obviamente, pra lembrar ele que ele é um capítulo novo em minha vida. E, desde dia 21, quando me disse sim, ele me faz sorrir sem ao menos precisar fazer piada.

Alef Leal, obrigado por existir e fazer toda a diferença. Te amo, meu pequeno príncipe (que é a tatuagem que carregas em ti e representa tua doçura, sensibilidade e olhar puro)!!!

Nota: me permiti ser um pouco cafona na montagem da imagem acima, pois todas manifestações possíveis de amor guardadas no íntimo do meu ser estavam guardadas pra ele. ♡

SOBRE FOCO E DIRECIONAMENTO DO MONOLOGAY

POST EXTRA

Logo do blog Monologay desde 10
de Setembro de 2009.

Quem me acompanha aqui há certo tempo deve ter notado que 2020 chegou com mais posts de temática LGBTQIA+. Isso não é algo feito sem pensar. Sim, isso tem um porque, um propósito específico que vai além de mera habilidade para dissertar sobre o que envolve o tema. Porque voltei ainda mais minhas crônicas para a militância em 2020?

Fui revisar a primeira versão do livro coletânea de crônicas Monologay, sem data definida de lançamento, mas sai ainda este ano, porém algo me incomodou. Deixei de lado por uns três ou quatro dias até que pensamentos me invadiram dizendo “falta a essência inicial impressa há 10 anos atrás, lá na criação do título do blog”. Era o direcionamento para ‘’minha causa’’. MONÓLOGOS de um GAY acerca do cotidiano, que virou MONOLOGAY. Era tudo mais voltado a homossexualidade, assunto ao qual eu queria abordar e, consequentemente, voltado para as pautas LGBTQIA+. Então, criei uma cópia do arquivo do livro e comecei a deletar as mais diversas crônicas de reflexões sobre a vida, que devem tornar-se futuramente um livro a mais, e deixei apenas o material LGBT. Pronto? Não, não fechava um livro. Comecei então a escrever material extra, o que já pensava fazer, e completo assim o livro com algumas crônicas inéditas que não serão postadas no blog.

Pensando nisso tudo, decidi que tinha de retomar o foco do blog como algo que parte de um LGBT feito para a comunidade LGBTQIA+. Claro que tem espaço para que eu poste e crie crônicas sobre todo e qualquer assunto. Mas quero manter a fidelidade para com minha maior causa. Ao longo dos anos passei por muitas transformações como pessoa e, consequentemente, como LGBT. Mudei muito minha visão sobre a vida, o mundo e a comunidade LGBTQIA+. Passei a me enxergar melhor e visualizar minha narrativa como uma forma de agregar valor para pautas LGBTQIA+. Nada mais natural que eu direcione o blog para esse público, que sempre foi meu maior público e o que mais me rendeu acessos e feedbacks.

O período atual nacional pode parecer de trevas, acho que realmente é. Mas se a gente acender uma vela, por menor que seja, e se propor a dividir com o próximo já podemos fazer toda diferença. Mudamos a nós mesmos e aos poucos afetamos o nosso entorno quando compartilhamos nossa visão e e conhecimento. O micro afeta o macro. O mínimo que eu puder fazer, escrevendo, publicando e divulgando minhas causas eu farei sem medo e com orgulho. Eis aqui meu novo velho foco e direcionamento.