DESACELERAMENTO GLOBAL

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Me aconteceu. Não que nunca tivesse acontecido antes, mas nunca me peguei pensando tipo “puts, aconteceu”. Não posso culpar a pandemia. Não posso ao menos dizer que foi problema de excesso de atividades, pois ontem eu tinha o dia livre e o dia anterior também. Mas o fato inegável é que aconteceu mesmo, eu não postei crônica no dia.

Já havia deixado de postar no domingo, mas deixei estar. Olhei pra dentro e estava exausto de uma semana enlouquecedora de pré-venda do meu livro. Nada mais justo que pular um domingo ou um dia qualquer de post. Acontece que eu nunca deixo passar de uma semana sem post. Então, se ontem não foi ao ar uma crônica, hoje fecho oito dias sem. Meu virginianismo gritaria com tal falta de compromisso, mas eu apenas pensei “nossa, não postei, que louco isso, que pena, amanhã vejo o que posto”.

Falta de criatividade não foi. Atualmente a aba de rascunhos do blog contém noventa e três anotações. E eu, por sorte, sou do tipo que, se precisa, apenas sento e produzo sem qualquer bloqueio ou problema relevante quanto a criação. O que pode acontecer é ter mais de um tema que quero abordar, aí demoro a decidir qual dos assuntos abordarei. Mas acho que o que se deu faz parte de um movimento muito maior e que até astrólogos tem explicado: um desaceleramento global.

Sim, tá todo mundo desacelerando. Claro que sempre teremos o povo que nada contra a corrente, mas a real é que estamos todos passando por uma fase onde nos permitimos afrouxar-se no sofá. A pandemia fez a maior parte das pessoas trabalhar de casa e, com isso, a gente reaprendeu um ritmo de viver. Não há mais o segunda à sexta rigorosamente cronometrado. Há apenas o trabalho a ser feito e o ritmo como cada um tem conseguido, ou precisa, lidar com ele ou com o fato de que temos de permanecer isolados e, consequentemente, correndo menos no dia a dia, pois nada mais está no mesmo ritmo que um dia teve.

Essa conversa de “desaceleramento” pode ser chover no molhado para alguns. Mas creio que, assim como eu, tem uma galera que está sentindo essa “pulsação universal” de ter de deixar-se levar com as energias do momento. E tá tudo bem de sermos menos acelerados, menos produtivos até, e mais introspectivos. Acho que faz parte de um processo novo pra todos nós e que nos leva a um bem maior. As reflexões do autoconhecimento que este período vivendo mais com nós mesmos nos proporciona vai certamente nos fazer repensar na hora de tomar alguma decisão que afete o coletivo. E é com essa consciência que espero chegarmos a uma evolução pós pandemia.

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