“DIARIE-SE”

Diário de Dawn Powell (datado de 1950). Fotografado em New York, 2012.

“Meu querido diário…” foi assim que tudo começou. Não, pera, eu nunca usei essa frase no início de minhas anotações em meus diários, que foi onde minha paixão por escrever começou. Só queria deixar esta crônica mais expressiva mesmo. Se bem que, a inspiração para ter diários veio dessa frase.

A frase “meu querido diário”, seguida de relatos sobre um dos dias na vida de uma personagem infantil era como começava um quadro do programa Pandorga, da TVE. Depois de assistir algumas várias vezes naquele programa o tal quadro onde uma boneca que escrevia em seu diário, me inspirei e peguei um caderno (com poucas folhas) já sem uso e disse pra minha mãe que faria dele um diário. Eu tinha apenas sete anos quando fiz isso e hoje não faço ideia do que eu registrei naquele caderninho.

Parei com o caderninho pouco tempo depois. Somente anos mais tarde, na adolescência, retomei o hábito. Dessa vez, creio eu, mais por necessidade do que qualquer outra coisa. Eu precisava “organizar” os altos e baixos da adolescência em minha cabeça. Escrevendo e relendo eu me encontrava comigo mesmo, fazia autoanálise sem ao menos saber o que era isso. Sempre me fez muito bem o hábito de escrever e, da adolecsência para cá, isso ganhou muita força e espaço em minha vida.

Claro que houveram períodos menos férteis na escrita de diários. Não apenas por não ter uma vida muito agitada, mas também por não me sentir capaz de registrar tudo o que sentia. Mas nesses tempos menos produtivos eu passei a anotar sobre minhas leituras. Sempre fui ddo tipo que lê bastante e já pesseei por diversos gêneros e autores. De Paulo Coelho a Eça de Queiroz, de autoajuda a literatura LGBT. Já flertei com os mais variados livros e, na maior parte das vezes, registrando tudo em caderninhos ou diários.

Hoje em dia uso meus “caderninhos” cada vez menos. Quando quero escrever sobre um livro recém lido, compartilho direto a experiênica em meu instagram, o que acho muito legal pois compartilho com outras pessoas uma possível dica de leitura. Geralmente apelo para os cadernos quando sem bateria no smartphone, quando escrevo algum poema (algo que faço de maneira risivél, mas me arrisco) ou ao criar planejamentos publicitários para clientes e escaletas para freelas. Mas ainda assim, analisando bem, o papel e a caneta jamais deixaram de fazer parte de minha vida e me sinto muito old school escrevendo sobre isso.

Se tivesse que dar uma única dica para quem quer começar a escrever, essa seria: diarie-se. Ou seja, comece pela autoescrita, escreva sobre você mesmo ou sobre livros que lê. Eu mesmo, usei trechos de diários para escrever boa parte de meu primeiro livro, Todo Amor Que Nunca Te Dei. Ah, e leia muito, pois só um bom leitor tem boa capacidade de raciocínio para ser um bom escritor e tanto ler quanto escrever são hábitos diários e que se aprimoram com o tempo. Ops, acho que acabei dando duas dicas, mas já tá valendo.

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